
Era domingo quando o celular de Maria*, 56 anos, começou a tocar, avisando que ela havia recebido mensagens de texto. Os sons de notificações continuaram por toda a noite até que, na manhã de segunda-feira, a moradora olhou o celular. Havia mais de 20 mensagens não lidas e todas traziam a mesma informação: Maria tinha acabado de ganhar R$ 70 mil. ?A mensagem dizia que eu tinha ganhado um prêmio de um canal de televisão. Acreditei, já que eu tinha ligado algumas vezes para a emissora para concorrer a prêmios?, explica.
Quando telefonou para o número, um homem se passou pelo apresentador Celso Portiolli a convenceu a ir até uma agência bancária receber o prêmio. Antes, porém, ela foi até uma vizinha contar a novidade. ?Eu estava sozinha em casa, então fui a minha vizinha e ela disse que poderia ser mentira, mas não acreditei. A voz era igual ao do apresentador?, lembra.
O homem lhe deu um número de uma conta para que ela depositasse uma quantia de dinheiro para que o prêmio fosse depositado. Em outra ligação para o mesmo número, o homem mandou que ela comprasse R$ 500 em crédito para celular. Quando ele solicitou outro valor em crédito para celular, Maria desconfiou e foi até a delegacia. O homem ainda estava na linha quando ela chegou ao local, mas desligou rapidamente assim que um policial pegou o celular. Maria tinha sido vítima de um golpe e tinha acabado de perder mais de R$ 2 mil. ?Passei por um grande sufoco naquele mês. Tem gente que não entende, mas eles sabem enganar?.
Como se prevenir
O caso da moradora do bairro Sete de Setembro se assemelha a muitos outros registrados em Gaspar. Os golpistas conseguem facilmente convencer as pessoas a lhes dar um grande valor em dinheiro. Segundo o comandante da Polícia Militar de Gaspar, capitão Heintje Heerdt, esses crimes acontecem em grande número, porém poucos são registrados. Entre eles, os mais comuns na cidade são os golpes do bilhete premiado, falsa recompensa e falso sequestro. Nos dois primeiros casos, que acontecem durante o dia na saída de um banco, ele recomenda que as pessoas, principalmente os idosos, peçam companhia ao ir sacar uma quantia expressiva de dinheiro, pois os golpistas já estão observando a vítima do lado de fora do banco. O dinheiro deve ser guardado em local discreto e não deve ser contado em público. Além disso, é imprescindível que o crime seja registrado na polícia.
Já no golpe de falso sequestro, a recomendação é fazer contato com quem estaria desaparecido e manter o golpista na linha até acionar a PM. Caso não consiga fazer contato com a pessoa, evite entrar em pânico e siga tentando. ?Esses tipos de crimes são mais complexos do que pensamos. Os golpistas conseguem criar uma relação de envolvimento e contam uma história convincente. O importante é não ter vergonha de registrar os casos. Sempre trabalhamos com o sigilo das vítimas?, afirma. Para reforçar a prevenção de golpes, a PM pretende confeccionar folders explicativos e distribuir nas agências e cooperativas.
Golpes mais comuns
Bilhete premiado: Vítima sai da agência bancária após sacar dinheiro. Golpista se passa por uma pessoa simples e oferece um bilhete premiado, pois precisa do dinheiro. Outra versão é quando a vítima sabe que é um golpe e não aceita. Nisso, entra um segundo golpista, uma pessoa bem apresentável, e diz que vai aceitar o bilhete, fazendo com que a vítima também aceite.
Falso sequestro: Golpista liga para a casa de uma família e diz ter sequestrado uma familiar que não está em casa. Ele pede para que seja fornecido crédito para celular ou que seja depositada uma quantia de dinheiro para libertar a pessoa.
Falsa recompensa: Vítima sai do banco e acha um objeto de valor, geralmente cheque ou dinheiro. Nisso, aparece o golpista que diz ser dono daquilo e agradece afirmando que dará uma recompensa por ter achado o dinheiro. Mas, enquanto vai providenciar isso, deixa esse dinheiro com a vítima e pede para que ela dê algo de valor como garantia. O golpista foge e a vítima fica com o dinheiro dele, que era falso.
Edição 1658
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