Atendimento em Gaspar: Psicóloga no efetivo da Polícia Civil - Jornal Cruzeiro do Vale

Atendimento em Gaspar: Psicóloga no efetivo da Polícia Civil

13/05/2016
Atendimento em Gaspar: Psicóloga no efetivo da Polícia Civil

Com um quadro de 11 agentes e dois delegados, a Delegacia de Polícia Civil de Gaspar recebeu, em março deste ano, um incremento importante no efetivo. Trata-se do psicólogo-policial, cargo que até dois meses atrás não existia na cidade. Carla Fernanda Bastos Ferrari, 29 anos, é natural de Santa Maria, no Rio Grande do Sul e em 2010, já formada em psicologia, prestou concurso para a Polícia Civil. “Meu avós são policiais, isso serviu de incentivo”, conta Carla.

Depois de passar por testes e provas físicas inerentes a todos os policiais, ela foi selecionada. Entre 67 aprovados, 33 foram chamados para trabalhar no ano passado e, por ordem de desempenho, escolheram a cidade onde iriam atuar. Pela proximidade de Florianópolis, onde mora nos fins de semana, Carla escolheu Gaspar.

Como não tem delegacias especializadas, a Polícia Civil da cidade atende uma demanda diversificada de ocorrências. Em muitas, as vítimas estão em estado vulnerável e de sofrimento psicológico e é aí que entra o atendimento da psicóloga.

Ela está na delegacia para melhor acolher as vítimas. O trabalho já era feito por policiais, contudo, os agentes e delegados têm que fazer Boletins de Ocorrência, investigações e serviços burocráticos. A presença da psicóloga, então, surge para otimizar o atendimento de vítimas. “Pela formação, a gente já tem todo um treinamento no atendimento às pessoas e na compreensão de um sofrimento psicológico. Eu acho que isso é bem importante porque na maioria dos casos de violência a gente vê que já vem uma história de violência familiar, de modelos daquela família e aqui na delegacia a gente recebe crimes de todos os tipos, então o atendimento do psicólogo dos casos mais complexos é importante”, avalia a psicóloga.

Na delegacia as segundas e quintas-feiras das 13h às 19h e terças, quartas e sextas das 9h ao meio-dia e das 13h às 19h, Carla presta o primeiro atendimento a vítimas e também avalia suspeitos. “A prioridade é o atendimento da vítima, mas se caso tiver a necessidade de um relatório sobre uma situação específica eu ouço o suspeito”, explica. A chegada da profissional foi comemorada pelo delegado Egídio Maciel Ferrari. “Sem dúvida é um reforço importante. As vítimas de crime precisam dessa atenção especial. Tem uma palavra que é revitimização, quando a vítima acaba sofrendo mais do que deveria e esse atendimento psicológico evita isso, com conhecimento técnico”, avaliou o delegado.


“É preciso trabalhar em rede”

O trabalho da psicóloga-policial na delegacia de Gaspar é acolher as vítimas de crime. O primeiro atendimento é importante, mas o suporte para vítimas não deve acabar por aí. Por isso, Carla trabalha para integrar os órgãos do sistema que podem ajudar pessoas vitimizadas. Para tal, ela afirma estar em contato com Conselho Tutelar, Centro de Referência Especializado de Assistência Social, o Creas, Fórum e Secretaria da Saúde. “Cada órgão tem um papel muito específico. Aqui eu faço uma parte, que é um acolhimento, um caso que tenha alguma investigação. Mas tem um limite a minha participação, então aqui os meus atendimentos são pontuais. Então é bem importante que a gente tenha esse relacionamento com as outras equipes”, diz Carla.

 

Edição 1749

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