Baixo número de agentes é agravante para o trânsito - Jornal Cruzeiro do Vale

Baixo número de agentes é agravante para o trânsito

06/02/2015

baixonumerodeagentesGG.jpg

Por Jean Laurindo

Nas longas filas que se formam na área central de Gaspar, principalmente no início da manhã e no fim da tarde, encontrar um agente de trânsito nem sempre é tarefa fácil. O número baixo de agentes e a divisão de tarefas e de escalas reduzem a presença dos agentes nas ruas, aumentando a insatisfação de quem perde horas nos congestionamentos.

Em Gaspar, a Diretoria de Trânsito, Ditran, conta com 14 agentes efetivos - nove nas ruas, quatro envolvidos em serviços administrativos e um de licença. Com a divisão de escalas, a média de agentes ao mesmo tempo na rua é de dois guardas - em alguns casos, o plantão fica apenas com um.

O total de agentes no município equivale a uma proporção de um agente para cada 2.932 veículos da frota municipal informada pelo Departamento Nacional de Trânsito, Denatran. A recomendação do mesmo Denatran é de que os municípios contem com um número médio de um agente para cada 1 mil veículos.

A meta informada pelo órgão nacional está mais perto de ser alcançada por municípios como Balneário Camboriú, que possui um agente para cada 1.285 veículos, e Itajaí - um para cada 1.566 veículos (veja mais números abaixo).

Saída pode estar em mudanças na escala

À frente da Ditran desde 16 de janeiro, o diretor Dirceu dos Passos reconhece a dificuldade com o número de agentes e confirma que a média do Denatran, que corresponderia a cerca de 40 agentes em Gaspar, seria o número ideal para trabalhar. ?Dessa forma, conseguiríamos montar equipes de plantão, que fariam até a escala noturna, e outra equipe ostensiva, para atuar principalmente na área central?, ressalta.

Ainda em levantamento de informações sobre orçamento na Ditran, Passos evita falar em aumento imediato no quadro de agentes. Com isso, a saída encontrada pelo novo diretor pode estar no remanejamento das escalas de trabalho dos agentes. ?Quero me reunir com os agentes e com os grupos de trabalho para propor uma revisão nas escalas, com o objetivo de termos mais agentes nas ruas durante o dia, entre sete da manhã e sete da noite, que é quando há o maior fluxo de veículos, reduzindo o efetivo à noite?, argumenta.

A revisão na escala depende de ajustes sobre carga horária a serem discutidas com o setor de Recursos Humanos e com os agentes. O assunto também já foi discutido em reunião com o Sindicato dos Agentes de Trânsito de Santa Catarina, Sindatran-SC, e deve ter uma definição nos próximos 30 dias.

O gargalo da sexta-feira

Para amenizar o colapso do trânsito que costuma ocorrer a partir do meio-dia da sexta-feira, quando o volume de carros em direção ao Litoral congestiona praticamente toda a área central, a Ditran estuda pagar hora-extra a alguns agentes para reforçar a equipe nas ruas.

Número de viaturas

Se o número de agentes ainda está abaixo do recomendado pelo Denatran, a frota atual é suficiente para o trabalho dos guardas, afirma Passos. O município conta com um automóvel Gol, uma Duster, que recentemente foi liberada para fiscalização, e um Astra, que deve ser destinado para serviços administrativos, além de quatro motos. Caso o remanejamento na escala saia do papel, mais uma viatura pode ser adquirida.

Orçamento

Com orçamento calculado em aproximadamente R$ 1,2 milhão em 2014, a Ditran não recebe repasses do município e tem como única fonte de recursos os valores das multas, que ainda são divididos com o Fundo Nacional de Educação para o Trânsito, Secretaria de Segurança Pública e Polícia Militar.  As baixas receitas dificultam a manutenção ou contratações sem subvenção do município.

Sobre a diferença na relação de agentes por frota em comparação com outras cidades, Passos crê que o orçamento maior seja a explicação. ?Acredito que a arrecadação do órgão de trânsito nesses municípios deva ser maior, o que permite mais investimentos?, cogita.

Serviços em fase de contratação

Enquanto estuda mudanças, a Ditran tem encaminhado termos de referência para manutenção de semáforos, sinalização e contratação de novos monitores para a Área Azul, além da realização de blitze nos bairros e fiscalização com radar móvel.

Trabalho nas escolas

Uma das conquistas que poderiam ser alcançadas com um número maior de agentes seria um trabalho mais intenso junto às escolas, tanto para travessias na entrada e saída como em campanhas educativas com alunos. ?Nossa meta ainda é desenvolver um projeto aos moldes do Proerd, mas por enquanto, vamos tentar viabilizar algumas palestras com nossos agentes, pagando hora-extra ou em forma de compensação?, afirma Passos.

Ítem/Cidade Balneário Camboriú Blumenau Brusque Gaspar Indaial Itajaí Pomerode
Número de agentes 64 116 20 14 7 96 6 (projeto tenta aumentar para 12)
Número de viaturas 6 carros
10 motos 
9 carros
2 kombis
1 furgão
26 motos
6 bicicletas 
3 carros
8 motos
2 bicicletas elétricas 
3 carros
4 motos 
1 carro
4 motos 
10 carros
36 motos 
2 carros
Agentes nas ruas simultaneamente                     Não informado Não informado 10 1 a 3 2 a 3 20 a 25 durante o dia e 6 a 8 à noite                  3
Média de agente por frota da cidade 1 a cada 1.285 veículos 1 a cada 2.113 veículos                1 a cada 4.703 veículos          1 a cada 2.932 veículos          1 a cada 6.208 veículos         1 a cada 1.566 veículos               1 a cada 3.966 veículos        
Média de agente por habitante 1 a cada 1.689 moradores                        1 a cada 2.879 moradores                                     1 a cada 5.985 moradores                                1 a cada 4.559 moradores                                   1 a cada 8.852 moradores                                   1 a cada 1.910 moradores                                  1 a cada 5.099 moradores                       

Comentários

Adriana
09/02/2015 13:39
O grande problema de Gaspar é que os motoristas desconhecem o CTB, Código de Transito Brasileiro então, utilizam o CTG, Código de Transito Gasparense onde cada um faz o que quer.
Adriana
09/02/2015 10:29
Euselio e Flavio, o que realmente fata em Gaspar é os gasparenses conscientizar-se que estaciona muito mal, e que todos querem ser os donos da cidade, pois se mexerem em alguma rua para tentar fazer o trânsito fluir o pessoal já começa a berrar por que não querem fazer um caminho que já estão acostumados. vaga de idosos e deficientes físicos tem que ser respeitadas. não tem nem como comparar Blumenau com Gaspar pois tem muito mais agentes do que Gaspar e em Blumenau se tentar desrespeitar os agentes é multado o que não ocorre em Gaspar.
E ao Senhor Prefeito de Gaspar poderia pagar um salário digno aos agente, pois eles tentam trabalhar mas como já escrevi acima todos querem ser donos da cidade e não deixam os agentes de trâsito trabalhar como deveria ser.
Obrigada.
flavio
07/02/2015 09:48
o problema todo e que os agentes ao inves de estarem fazendo o transito fluir estao só caçando carros em vagas especiais (idoso e deficiente)para multar e ate guinchar os automoveis .este departamento deveria se chamar FDM(FABRICA DE MULTAS)pois e so o que se ve aqui no centro agentes multando ,multando ,multando.
Euselio
06/02/2015 16:06
Posso estar errado, mas o problema de Gaspar não é só o baixo número de agentes, olhando os números expostos na reportagem acima, penso que o problema maior está na parte administrativa do Ditran. Comparando com outros municípios com até números inferiores de agentes, o serviço prestado a comunidade é muito melhor. Posso estar enganado, mas agente de transito é pra cuidar do transito, e se temos 14,sendo 9 nas ruas e 4 administrativos, o que eles fazem? Onde eles estão? 4 administrativos? parece um número elevado para uma cidade como Gaspar. Se tem nove para cuidar do trânsito, que escala é esta que as vezes só fica um disponível? Blumenau, proporcionalmente, não é muito diferente de Gaspar, como que em horários de transito intenso todo cruzamento tem pelo menos um? e olha que Blumenau tem muito mais transito que Gaspar.
Já falei isso em outras oportunidades, mas com 3 ou 4 agentes em horário de pico, resolve 90% dos problemas de gargalo de transito da cidade. É só o Diretor dar uma volta na cidade nestes períodos que vai constatar o que falo. Agora sentado numa cadeira não vai resolver nada. Gaspar precisa de uma direção no Ditran que realmente se preocupe com o transito, que use o seu tempo pra fazer o trabalho a qual nós o pagamos. Sei que os agentes não tem culpa na maioria das vezes, pois recebem ordens, mas tenho certeza que o Ditran não esta fazendo o seu papel, por isso penso que o Prefeito deveria tomar as rédeas e exigir que o façam.

Deixe seu comentário


Seu e-mail não será divulgado.

Seu telefone não será divulgado.