BR-470: duplicação na mira dos cortes - Jornal Cruzeiro do Vale

BR-470: duplicação na mira dos cortes

06/05/2016
BR-470: duplicação na mira dos cortes

Se o ritmo da duplicação da BR-470 já estava ruim, tem tudo para piorar. Um documento elaborado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura, Dnit, propõe a suspensão de contratos de 61 contratos de obras em todo o país em função da falta de recursos federais. Em Santa Catarina, três obras estão na alça de mira, uma delas é justamente a duplicação dos 71 quilômetros da BR-470, entre Navegantes e Indaial.

A superintendência regional do Dnit em SC informou que o levantamento foi feito pelo órgão em Brasília e encaminhado ao Ministério dos Transportes, que deverá decidir sobre a paralisação ou não dos trabalhos. A reportagem procurou o ministério, que até o fechamento da matéria não respondeu sobre prazos e definições a respeito da duplicação da BR-470. No entanto, nos primeiros quatro meses do ano, o Dnit de SC informa ter recebido apenas 25% dos recursos para obras de construção e 33% para serviços de manutenção.

Nos bastidores, a expectativa é de que as definições só devem ocorrer após a decisão sobre o afastamento ou não da presidente Dilma, prevista para o dia 11. No entanto, autoridades estaduais já começam a pressionar por mais agilidade no processo de concessão da rodovia, anunciado pelo governo federal em junho do ano passado, mas que até o momento não teve andamento.

Os trechos de Gaspar, Ilhota e Navegantes estavam com frentes de trabalho nos últimos meses, mas em Blumenau e Indaial a demora nas desapropriações de imóveis já impede os trabalhos há mais de um ano. Em Gaspar, a reação de entidades empresariais à possível paralisação das obras é a pior possível, por problemas como número de acidentes e altos custos de logística.

Concessão e reflexos em Gaspar

Para o presidente da Associação Empresarial de Gaspar, Acig, entidade que participou de uma campanha regional por mais rapidez na duplicação, José Eduardo de Souza, a situação mostra que nada está tão ruim que não possa piorar. “Se parar, tendo como base a obra da Ponte do Vale, sabemos que a retomada poderá levar anos. O caso deixa claro que o Executivo Federal não tem palavra, porque foi prometido que a obra estaria pronta em 2017, que não pararia. A crise política não nos dá perspectiva de uma saída para a duplicação”, lamenta.

 

 
Edição 1748

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