
A Prefeitura de Gaspar confirmou as previsões e prorrogou por mais seis meses a intervenção no Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. A confirmação ocorreu na terça-feira, dia 19, após uma reunião entre o Executivo e a Comissão Interventora. O primeiro decreto de intervenção completa um ano no dia 27 de maio e precisava ser prorrogado, a menos que a prefeitura desejasse deixar a gestão da instituição.
O que ainda impede o município de encerrar a intervenção é justamente a parte financeira do hospital. Apesar de aumentos de produção registrados nos últimos meses (veja ao lado), mensalmente as contas do hospital ainda sofrem com um déficit que gira em torno de R$ 120 mil. De maio de 2014 a fevereiro, esse prejuízo mensal já havia acumulado um montante de R$ 1.115.643. Isso sem contar dívidas anteriores à intervenção, estimadas em mais de R$ 8 milhões.
Para equilibrar as contas mensais do hospital e ainda conseguir reservar algum valor para quitar dívidas antigas e planejar investimentos, a saída encontrada pelo Executivo e pela gestão do hospital está na habilitação de portarias junto ao Estado e à União. Com reuniões realizadas nos últimos dias em Florianópolis e outras previstas para a próxima semana, a comissão interventora trabalha para habilitar o hospital nas portarias de leitos de longa permanência e leitos de retaguarda, da Rede de Urgência e Emergência, do Centro de Trauma, de Leitos psiquiátricos e do Índice de Gestão Hospitalar, IGH.
A previsão é de que nas próximas semanas seja possível obter uma resposta sobre a situação. Caso sejam habilitadas, as portarias poderiam render até R$ 340 mil mensais aos cofres do hospital. O valor sanaria o déficit mensal atual e permitiria começar a planejar o fim da intervenção, que só deve ocorrer quando houver estabilidade financeira.
Hospital divulga dados de aumento na produção
A renovação da intervenção mantém a atuação da comissão interventora e da empresa administradora Amorim & Associados ? Consultoria e Saúde, que efetua a gestão operacional da unidade de saúde. Segundo a administração do hospital, nos meses de intervenção houve um crescimento de 13% no volume de pronto-atendimento, com uma média de 3 mil atendimentos mensais. O volume de internação cresceu em 12,24% e o de nascimentos, 21%. O número de cirurgias cresceu 80% e o de cirurgias pelo Sistema Único de Saúde, SUS, aumentou 81%, o que segundo relatório da gestão do hospital, seria um forte indicador da melhora na estrutura hospitalar.
Município antecipa valor de cirurgias
O Estado também possui algumas pendências financeiras com o Hospital e que serão cobradas com a renovação da intervenção. Elas se referem ao incentivo estadual mensal de R$ 11 mil, sem pagamento desde maio de 2014, somando R$ 132 mil; às cirurgias eletivas pelo SUS realizadas entre novembro e fevereiro, somando R$ 395 mil; e a uma promessa da Secretaria de Estado da Saúde de julho de 2014, de uma contribuição de R$ 600 mil. Já os repasses mensais do município hoje são no valor de R$ 272 mil, reajustados pela última vez em novembro.
Esta semana, o Conselho Municipal de Saúde aprovou que o município pague R$ 300 mil que estão atrasados referentes a cirurgias eletivas e depois cobre o valor do Estado. Os recursos devem ser liberados já nesta sexta-feira, dia 22. Com isso, o hospital conseguirá retomar procedimentos que estavam sendo reduzidos ou parados, causando aumento de filas que haviam sido zeradas. A previsão é de que essas cirurgias voltem a aumentar a partir de junho. O Estado também prometeu fazer os primeiros pagamentos pendentes entre esta sexta-feira e a próxima semana, normalizando a situação até julho.
Confira ao lado alguns números das finanças do hospital e dos valores pleiteados por meio de portarias junto ao Estado e à União.
As contas do hospital*
Receitas: R$ 605 mil*
Despesas: R$ 728 mil
Déficit mensal: R$ 123 mil
* Média dos últimos meses
* Recebidos. O faturamento inclui ainda valores de produção pendentes
Valores que o hospital busca por meio de portarias junto ao Estado e à União: Valor: R$ 100 mil/mês
Critério da portaria: porta de entrada da Rede de Urgência e Emergência.
Valor: R$ 60 mil/mês
Critério da portaria: leitos de retaguarda e clínica médica
Valor: R$ 100 mil/mês
Critério da portaria: leitos de longa permanência
Valor: R$ 61.038,25 mil/mês
Critério da portaria: incentivo por manter contratualização com o SUS
Edição 1689
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