
Por Thiago Moraes
Morando embaixo da Ponte Hercílio Deeke há cerca de duas semanas, segundo a vizinhança, um casal aparentando entre 30 e 40 anos deixou de residir no local nesta semana, após pressão da população, requerimento na Câmara de Vereadores e fiscalização da Secretaria de Desenvolvimento Social.
Tendo como teto a estrutura da ponte que liga o Centro à Margem Esquerda, Abel, como se diz chamar, tem parentes em Gaspar e diz que escolheu morar na rua por opção própria. De poucas palavras, bastou um murmúrio de sua mulher para Abel não querer mais conversa com a equipe de reportagem.
Devido aos obstáculos de sobrevivência, o casal improvisou, sob a proteção da ponte, um varal com algumas mudas de roupa estendidas, uma caixa de papelão para funcionar como ?guarda-roupa?, e até ergueu uns tijolos para conseguir preparar alguma refeição.
Mobilizados, vizinhos das redondezas da ponte queixaram-se na Câmara de Vereadores para que providências fossem tomadas em favor da comunidade e do casal. Dali, partiu um requerimento assinado pelo vereador Luis Carlos Spengler Filho, que requisitou à Secretaria de Desenvolvimento Social se o órgão tinha conhecimento do caso e se medidas já haviam sido tomadas. ?Pedimos também para saber quais seriam estas medidas com relação à família em questão, se a Secretaria de Desenvolvimento Social agia em locais visados por moradores de rua em abrigos clandestinos e obras abandonadas, e como funciona o trabalho de destinação destas famílias depois de mapeadas morando nestas áreas de risco?, observa o vereador.
Casal saiu e não quis ajuda
Até esta terça-feira, dia 30, o casal encontrava-se alojado no espaço. De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Social, o casal de moradores da Ponte Hercílio Deeke saiu espontaneamente do local nesta semana, após conversa com representantes da secretaria. Segundo a secretária Maristela Cizeski, como se trata de um casal que escolheu por conta própria residir pelas ruas da cidade, o suporte que a secretaria dá em casos semelhantes a este fica comprometido. ?É preciso frisar que damos atendimento psicossocial a pessoas que se encontram nesta condição. Buscamos sempre uma reconciliação entre a família envolvida e os demais parentes. Caso não haja abrigo em casas de familiares, temos disponível três vagas em um hotel para abrigar moradores de rua até que se consiga um encaminhamento para a pessoa envolvida. Por meio do atendimento psicossocial, voltado para a vida individual e social, a pessoa é ajudada a decidir o que deseja fazer de sua vida?, informa Maristela.
Ediçaõ 1628
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