
Há sete anos, numa sexta-feira, o diretor comercial da Círculo, Silvio Dagnoni, chegou de uma visita aos pontos de vendas de Ponta Grossa (PR) com alguns tapetes que as crocheteiras deixavam expostos nas lojas. Uma conversa com o diretor industrial, Carlos Zagolin, e com o atual presidente da companhia, José Altino, sobre aquele material revolucionou a história da empresa de Gaspar (SC). De 2000 pra cá, a produção aumentou de 3,6 mil para 5,5 mil toneladas ao ano. Vende no Brasil e em outros 25 países. Isso tudo aconteceu porque a empresa alterou a sua visão industrial para uma visão de mercado.
Como é especializada em linhas para trabalhos manuais, muitas vezes a Círculo colocava um produto no mercado sem ter a real dimensão das suas potencialidades ou sem conseguir comunicar ao consumidor as possibilidades que ele gerava. "Hoje somos uma companhia de moda, que leva informação de maneira contínua para os nossos clientes e lança produtos certeiros e que trazem impacto no que é criado pelos clientes", comentou José Altino.
A história da companhia, que completa 80 anos em 2018, foi relembrada no dia 17 de junho, em mais uma edição do Experience, iniciativa do Santa Catarina Moda e Cultura (SCMC) que incentiva empresas associadas a conhecerem e aprenderem com as trajetórias umas das outras.
A primeira iniciativa dos executivos da Círculo depois daquela conversa, em 2009, foi realizar uma pesquisa de público. Perceberam que alguns produtos, como o Cléa e o Barroco, tinham uma marca mais forte do que a própria empresa. Descobriram também que, dos 20 milhões de brasileiros que fazem algum tipo de artesanato, 70% utiliza os produtos que fabrica com as suas próprias mãos como uma segunda fonte de renda.
Começou, então, a implantação de um setor de marketing forte, que pudesse aproximar as consumidoras da marca. "Percebemos que precisávamos ensinar as artesãs a utilizar os nossos produtos e a ganhar mais com eles. A partir daí, conseguiríamos melhorar o nosso posicionamento e aumentar as vendas", comentou Osni de Oliveira Junior, gerente de marketing.
Uma das primeiras iniciativas foi criar um grupo de artesãs que pudesse produzir peças para servirem de modelo para os demais clientes. A partir daí, elas passaram a fazer workshops pelo Brasil ensinando às consumidoras técnicas para melhorarem os seus produtos. Nos últimos 12 meses, mais de 200 cidades brasileiras receberam eventos.
A comunicação online também foi reforçada. Diariamente são publicadas no site da Círculo receitas de novas peças. Numa TV online, aulas sobre como fazer são postadas frequentemente. Um site específico sobre o fortalecimento do negócio também dá dicas de como elas podem valorizar os seus produtos e reforçar a sua renda. Revistas também foram lançadas e estão disponíveis nos pontos de vendas e nas bancas de todo o país.
As áreas de desenvolvimento de produto e marketing se aproximaram. Cores da estação e tendências apresentadas em eventos como São Paulo Fashion Week – antes distantes das crocheteiras – são levadas pela Círculo até os pontos de vendas.
Hoje, a Círculo é referência em itens para artesanato. Está presente em todas as cidades com mais de 10 mil habitantes no território nacional. Tem mais de 80 representantes e 1,3 mil funcionários. "Uma mudança na nossa percepção do negócio fez com que ele mudasse radicalmente. Hoje somos uma empresa que pensa diferente, faz um planejamento estratégico que é acompanhado mensalmente e tem uma legião de admiradores", concluiu o presidente da companhia.
A presidente do SCMC, Amélia Malheiros, encerrou o evento destacando a inovação na companhia que segue se reinventando e olhando para as oportunidades que as mudanças do mercado apontam. "A Círculo é um grande exemplo não só para as empresas catarinenses. É uma indústria que estreitou o seu relacionamento com o mercado e colhe disso resultados incríveis. Temos muito orgulho em tê-los no SCMC", finalizou.
O Santa Catarina Moda e Cultura (SCMC) é uma plataforma colaborativa que conecta empresas e universidades de moda e design para capacitar pessoas, fomentar a inovação, estimular ambientes pulsantes e ressignificar protagonismos.
Em mais de 10 anos de atuação, mais de 45 empresas catarinenses já passaram pelo SCMC e 25 instituições de ensino aderiram à plataforma através da participação dos seus alunos. Foram mais de 400 eventos de capacitação que impactaram cerca de 30 mil profissionais e acadêmicos. Juntas, as empresas associadas faturam R$ 4 bilhões.
Atualmente, 16 empresas fazem parte da plataforma: Altenburg, Audaces, Cia. Hering, Círculo, Copa&Cia, Coratex, Cores e Tons, Dudalina, Fakini, HI Etiquetas, Karsten, Lepper, LOA Underwear, Marisol, Meu Móvel de Madeira e Tecnoblu.
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