Clube de Bocha: 31 anos de história e tradição no bairro Belchior - Jornal Cruzeiro do Vale

Clube de Bocha: 31 anos de história e tradição no bairro Belchior

20/04/2018
Clube de Bocha: 31 anos de história e tradição no bairro Belchior

Por jornalista Franciele Back

Em abril, o Clube de Bocha Belchior comemora 31 anos. Além de ser uma opção de entretenimento, é também um dos retratos da história do bairro e da preservação da cultura alemã. Atualmente, o Distrito Belchior é o único bairro em que se preservam os Clubes de Caça e Tiro. Ao todo, três entidades realizam as tradicionais festas de Rei e Rainha, são elas: Sociedade Harmonia, Sociedade Carolina e o Clube de Bocha Belchior.

A história do Clube de Bocha Belchior começou na rua João Theiss, no quintal da casa de Wendelino Theiss. Por lá, havia apenas uma cancha de bocha, onde amigos se reuniam aos fins de semana. Naquela época, já aconteciam as competições para a escolha do ‘Rei da Bocha’. O local logo ficou pequeno e foi preciso que o grupo buscasse um novo espaço.

Um dos fundadores é o morador Bertino Fabiano Theiss, mais conhecido como Beti, que ainda participa do grupo. Para ele, são muitas as memórias guardadas. “Era um domingo e estávamos reunidos para escolher um lugar para fazer a cancha. Mas tinha que ser em um local mais afastado, para não fazer barulho. Doei as terras para fazer a construção do espaço, que hoje é utilizado por toda a comunidade”. Todos os sábados, ele e os amigos se encontravam para construir o clube. Foi assim por quase um ano. “Muitos ajudaram a erguer este lugar, como o Severino Wahldrich, Hilário Pereira, Hélio Reinert, Chinoli, Tono Schmidt e tantos outros”.

Segundo o presidente Dinho Wahldrich, o objetivo da sociedade é preservar os costumes das disputas de Rei e Rainha, que foram repassados de pai para filho. “Na época em que começou o clube, eram feitas somente as disputas do Rei. Depois que criamos a nova sede, começamos a realizar também a disputa da Rainha. Precisamos resgatar nossos valores e preservá-los”.

Para o Município

Segundo a diretora de Cultura de Gaspar, Neida Beduschi, a prefeitura vem trabalhando para resgatar e resguardar os Clubes de Caça e Tiro. “Este é um espaço de preservação da memória de uma das mais expressivas manifestações culturais dos colonizadores alemães que chegaram ao Vale do Itajaí”.

Para o diretor de Turismo Norberto Mette, a tradição dos clubes é um potencial turístico. “O Distrito Belchior é o reduto da colonização alemã de Gaspar, assim como o Gasparinho, que tem a tradição italiana muito forte. O Belchior se destaca pela cultura alemã, pois continua preservando as tradições germânicas”.

70 anos de Beti Theiss

No dia 12 de abril, o morador do Distrito Belchior, Bertino Fabiano Theiss, mais conhecido como Beti, completou 70 anos. Nascido no Belchior, ele e seus 12 irmãos passaram a infância na rua João Theiss, via que leva o nome do seu pai. Casou-se com Margarida e com ela teve três filhos, Marciano, Lucio e Cristiano, além de cinco netos. Margarida, sua fiel companheira, sempre esteve ao seu lado dando força. Foram 43 anos de casamento e, segundo ele, a esposa sempre foi a pessoa que mais o incentivou.

Além da simplicidade de Beti, seu bigode sempre foi sua marca registrada. Trabalhou por muitos anos como feirante e a paixão pela bocha o levou a ser um dos fundadores do Clube de Bocha Belchior. Neste domingo, dia 22, para comemorar o aniversário de 70 anos, a família vai realizar uma missa em ação de graças, que será celebrada pelo Frei Tarcísio Theiss, irmão de Beti. As comemorações têm início às 10h30, no Clube de Bocha Belchior, localizado no Belchior Alto.

 

Edição 1847

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