Por Jean Laurindo
O que era para ser uma área de lazer com academia ao ar livre e brinquedos à disposição da comunidade ainda é apenas um terreno tomado por mato e algumas poucas árvores, plantadas por moradores. A construção de um espaço para diversão e atividades físicas na rua Ituporanga, no bairro Sete de Setembro, foi eleita como prioridade em uma audiência do programa Orçamento Participativo, em 11 de junho de 2012. Dois anos e meio depois, ainda não há previsão de prazos e nem mesmo certeza se a obra será feita.
A construção da academia ao ar livre em dois terrenos da prefeitura situados no fim da rua Ituporanga foi definida em audiência do OP e deveria ser executada em 2013, com uma verba de R$ 141 mil destinada pelo programa. ?Passou 2013, 2014, já entramos em 2015 e até agora nada. A comunidade decidiu e quer saber se a área de lazer vai sair, porque é algo que o bairro não tem?, cobra o delegado do bairro nas reuniões de 2012, José Batista.
O diretor do Orçamento Participativo, Mauro Gubert, alega que a área de lazer ainda não foi construída porque o município cogita construir a academia ao ar livre não mais nos terrenos da rua Ituporanga, mas no colégio Frei Godofredo. Para isso, porém, é aguardada desde o ano passado uma reunião com a Secretaria de Desenvolvimento Regional, SDR. Questionado se há algum impedimento para o município construir em uma área que hoje pertence ao estado, Gubert informa que esse será um dos pontos a serem esclarecidos no encontro. ?A ideia é que eles cedam um espaço, o município o cerque e possa deixá-lo aberto aos finais de semana sem prejudicar o colégio. Mas para isso aguardamos a reunião?, afirma.
Segundo ele, os recursos estão disponíveis e o projeto está pronto. O município, no entanto, ainda não descarta construir a área de lazer nos terrenos da rua Ituporanga, sobretudo se a tentativa de usar o espaço do colégio fracassar.
Limpeza por conta própria e rejeição de moradores
Um dos terrenos do município destinados à área de lazer hoje é mantido limpo, com árvores frutíferas e até dois balanços presos a galhos. A manutenção fica por conta da família de Vanessa do Rio Costa, 36 anos, vizinha do terreno há sete anos. A conservação contrasta com o terreno ao lado, que é vencido pelo mato, sem manutenção por parte da prefeitura. ?Tomamos a decisão de cuidar da área porque, se não fizéssemos isso, o mato alcançaria a altura do muro. Chegaram a invadir nossa casa depois de ficar escondido ali. Sem contar na presença de bichos. Resolvemos manter a área limpa para não sermos prejudicados?, conta.
Vanessa diz não ter nada contra a construção da área de lazer no local, mas entre outros vizinhos há certa rejeição à proposta. O receio de um possível abandono após a construção da área de lazer e a preocupação com o uso de drogas, que já acontece em um terreno baldio no final da rua, próximo ao colégio, são os principais temores da vizinhança.
Edição 1651
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