
Por Geraldo Genovez
“Dizem que a mulher é o sexo frágil. Mas que mentira absurda! Eu, que faço parte da rotina de uma delas, sei que a força está com elas”, canta Erasmo Carlos. E não é que aquele papo de que o lugar delas é na cozinha está mais do que ultrapassado?
Donas de si, elas lutam diariamente para conquistar o seu espaço em todo e qualquer lugar. Sejam elas mulheres crianças, adultas, mães, casadas ou solteiras, elas resistem contra o preconceito e fazem história alcançando aquilo que é delas por direito. Humanas e completamente capazes. Poderosas. Chegou a vez delas: as mulheres.
Um exemplo de força, perseverança e muitas histórias é Célia Zermiani, moradora do bairro Santa Terezinha. Aos 64 anos, ela conta as dificuldades que teve enquanto mulher, mãe, esposa e trabalhadora. “Eu trabalhava o dia inteiro, às vezes até dois turnos para ajudar nas despesas. Mas sempre dei um jeito. Preparava a comida de noite e já separava um pouco para o outro dia, para as crianças. Além disso, eu vinha em casa para ajudar meus dois filhos nas tarefas da escola. A casa vivia limpa, apesar do pouco tempo”. Ela diz ainda que antigamente o machismo era muito mais presente na sociedade, mas que isso nunca a atrapalhou.
Célia é viúva há cerca de dez anos, continua trabalhando e se sente grata pela garra que tem.
“Eu trabalhei e trabalho muito. Nesse caminho, muitos disseram que eu não conseguiria, mas admiravam minha força. Nós, mulheres e mães, trabalhamos em dobro. Acredito que as presenças femininas na minha vida foram essenciais. Minha mãe, irmãs, filha e neta são fortes”, diz a senhora, que hoje curte a vida de forma mais leve. “De vez em quando eu vou ao baile com as minhas amigas. É bom para esfriar a cabeça. Eu mereço”.
Com apenas dez anos de idade, Helena Rodrigues Floriano, moradora do bairro Santa Terezinha, já sabe que ser mulher não é sinônimo de fraqueza. Muito pelo contrário. “Tenho que estudar para ser independente. Minha mãe me ensina os afazeres domésticos para que eu saiba me virar quando crescer. Ainda não sei o que quero ser quando crescer, mas com certeza vou seguir uma carreira que me faça feliz. Poder escolher é um direito meu e eu gosto disso”, conta a pequena, que cursa o 5º ano no Colégio Madre Francisca Lampel e se inspira nas Meninas Super Poderosas.
Aqueles que pensam que adolescente não tem maturidade para pensar e agir como gente grande está bem enganado. Natália Silva, de 16 anos, se preocupa, e muito, com os direitos das mulheres.
A jovem afirma que começou a entender melhor o assunto na escola. “Meu professor de sociologia me ajudou muito a refletir sobre essa questão”. Natália, que está no 3º ano do Ensino Médio e pretende cursar Ciências Sociais e aprimorar seus conhecimentos. “Dependendo do campo profissional que seguir, quem sabe eu possa ajudar mulheres em situações diversas”. Ela admira a garra e coragem das artistas Linda Lovelace e Karol Conka e afirma: “são mulheres que, de certa forma, contribuíram para a visibilidade feminina”.
Professora de História e Doutora em Educação, Renata Waleska Pimenta, de 36 anos, comenta que já sofreu preconceito quando trabalhou no Exército Brasileiro.
“Durante os sete anos que servi a instituição, percebi que era necessário ‘provar’ que nós, mulheres, somos capazes de sermos excelentes profissionais”. Renata se identifica com o movimento feminista e diz que hoje pode proporcionar aos seus alunos maior discernimento sobre o assunto. “Considero-me, enquanto educadora, uma agente social capaz de promover esse movimento de reflexão nos jovens para os quais leciono”.
Ela se espelha em diversas mulheres fortes, como Simone de Beauvoir, Chimamanda Ngozi Adichie, Dandara e a sua mãe.
Jucélia Gottardi, de 44 anos, é um exemplo de mulher que administra a vida corrida que tem e se divide em duas para estar presente no trabalho e na família. “Não é fácil. Meu dia é corrido, mas consigo tempo para tudo. Vale o esforço, faço tudo com dedicação”, afirma.
Ela, que é dona de um estabelecimento comercial na cidade, é independente e se espelha em mulheres bem sucedidas. “Somos vencedoras como mães, esposas e profissionais”.

No ano de 1822, Maria Leopoldina Josefa Carolina, arquiduquesa da Áustria, imperatriz do Brasil e esposa de D. Pedro I, exigiu que o marido proclamasse a independência do país. Cinco anos depois, em 1827, surgiu a primeira lei sobre educação das mulheres, permitindo assim a frequência delas em escolas elementares. As conquistas no setor da educação foram maiores em 1879, quando tiveram a autorização do governo para estudar em instituições de ensino superior. Isso tudo meio a críticas da sociedade.

Foi em 1885 que a compositora e pianista Chiquinha Gonzaga estreou como maestrina, ao reger a opereta “A Corte na Roça”. Ela foi a primeira mulher no Brasil a estar à frente de uma orquestra. Passados dois anos, em 1887, Rita Lobato Velho, se formou médica, a primeira do país. Ambas foram ridicularizadas na época.
Foi em 1917 que Deolinda Daltro, professora e fundadora do Partido Republicano Feminino, liderou uma passeata exigindo a extensão do voto às mulheres. Dez anos depois, Alzira Soriano de Souza se tornou a primeira prefeita da história do Brasil. 
Apesar da alteração da lei em 1927, foi somente em 1932 que o novo Código Eleitoral foi promulgado, garantindo o direito. Nesse mesmo ano, a nadadora Maria Lenk, primeira atleta brasileira a participar de uma Olimpíada, embarcou para Los Angeles. Ele foi a única mulher na delegação. No ano seguinte Carlota Pereira de Queiroz foi eleita deputada, entre 214 homens, através da Assembléia Constituinte.

No Senado, a mulher só teve espaço em 1979, quando Eunice Michilles ocupou o cargo. O ano de 1980 foi marcado pela criação de centros de autodefesa, para evitar violência contra a mulher. O surgimento dos primeiros conselhos estaduais para traçar políticas públicas para as mulheres aconteceu em 1983.
Em 1985 abriu a primeira delegacia de atendimento especializado à mulher. Com a conquista, as mulheres tiveram a aprovação do Projeto de Lei que criou o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher. Passados três anos, feministas garantem igualdade de direitos e obrigações entre homens e mulheres perante a lei.
O esporte brasileiro voltou a contar com a presença feminina em 1948, mas desta vez, com 11 mulheres na delegação. Em 1960 a tenista Maria Esther Andion Bueno venceu os quatro torneios do Grand Slam, o que marcou a história da luta das mulheres. 
A primeira ministra do Brasil chegou ao cargo só em 1990, assumindo a pasta da Economia no governo de Fernando Collor, gestor na época. Em 1994, Roseana Sarney é a primeira mulher eleita governadora de um estado brasileiro. Foi em 1996 que o Congresso Nacional incluiu o sistema de cotas na Legislação Eleitoral, obrigando os partidos a inscreverem, no mínimo, 20% de mulheres nas chapas proporcionais. No mesmo ano, a escritora Nélida Piñon ocupou a presidência da Academia Brasileira de Letras, a primeira da história.

Benedita da Silva, senadora brasileira, foi a primeira mulher a presidir a sessão do Congresso Nacional,em 1998. Em 2003, Marina Silva foi reeleita senadora e assumiu o Ministério do Meio Ambiente. A primeira presidente mulher do Brasil, Dilma Rousseff, foi eleita em 2010.
Hoje, 8 de março, comemora-se o Dia Internacional da Mulher, data adotada pela Organização das Nações Unidas para comemorar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres. Por isso, parabenize as mulheres a sua volta com muito respeito e admiração. Os presentes só fazem sentido quando o real significado desta luta é reconhecido.

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