Dia do Soldado: histórias e experiências para a vida inteira - Jornal Cruzeiro do Vale

Dia do Soldado: histórias e experiências para a vida inteira

26/08/2016
Por Geraldo Genovez

Ao completar 18 anos, todo homem brasileiro deve comparecer até a Junta de Serviço Militar para se alistar. Esse procedimento divide opiniões, uma vez que pode acarretar em grandes mudanças na vida do jovem. Enquanto uns sofrem durante a adolescência por medo de servir, outros sonham em tornar-se um soldado e fazer parte do Exército brasileiro. Já no caso das mulheres, o alistamento não é obrigatório, e só as interessadas em seguir carreira militar devem se apresentar.

As pessoas que, de fato, passam a integrar a corporação, têm como data para comemorar a profissão o dia 25 de agosto. O Dia do Soldado é comemodado no mesmo dia do aniversário de Luiz Alves de Lima e Silva, conhecido como Duque de Caxias, que comandou diversas operações entre os anos de 1821 e 1880 e desempenhou uma conduta militar exemplar.

“Nós somos da Pátria a guarda, fiéis soldados, por ela amados. Nas cores de nossa farda rebrilha a glória, fulge a vitória”. Assim começa o Hino do Soldado, que descreve a verdadeira missão de quem se dedica à missão, que é representar o país, seja no exército, marinha ou aeronáutica. Na região do Vale do Itajaí, a procura pelo Exército Militar é a mais comum. E, todos os anos, jovens embarcam em uma nova fase da vida, repleta de aprendizados e histórias para contar.

Honraria do Ministério do Exército

Condecorado com a Medalha do Pacificador com Palma pelo Ministério de Estado do Exército, Dr. Olavio Pereira, ex-Cabo do 23º Batalhão de Infantaria de Blumenau, iniciou sua jornada no exército em 1965. Oito anos depois, ele foi transferido ao batalhão de Tubarão e lá passou por uma grande experiência. Em 1974, um ano após sua mudança, houve uma catástrofe na cidade e ele tornou-se um dos bravos soldados a lutar para salvar a vida do povo. “A tragédia me deixou muito abalado, mas eu lutei com coragem e cumpri meu papel como soldado. Eu estava disponível a arriscar a minha vida pelo meu trabalho. Naquelas circustâncias, não me preocupava comigo. Precisava salvar os outros”, relembra Olavio.

Missão de paz na Angola

A juventude de Marcelo Solano Schmitt foi marcada por experiências que ele carrega para a vida inteira. Em 1995, aos 18 anos, ele ingressou no exército e, no ano seguinte, foi enviado para uma missão de paz na Angola, país devastado pela Guerra Civil. “Fiquei seis meses lá e, com tristeza, aprendi com o sofrimento daquelas pessoas”, lembra, emocionado.

Marcelo ficou no exército por oito anos e chegou a se tornar Cabo e Terceiro Sargento. “Fazer parte do exército era o meu sonho. Durante o tempo que fui soldado, aprendi a dar valor as pequenas coisas da vida, a valorizar a família e os amigos. E também aprendi a nunca desistir dos meus objetivos”. Hoje, Marcelo tem 39 anos e carrega na memória os anos em que destinou seu dia a dia ao trabalho no exército.

A mãe de Marcelo, Célia Zermiani, se orgulha da passagem do filho pelo exército e conta que, desde o seu nascimento, sabia que ele teria uma missão a cumprir. “Eu e o pai dele sempre o apoiamos e hoje ele diz que foi a melhor coisa que aconteceu na vida dele. Quando o Marcelo nasceu, no dia 7 de setembro, o médico pegou ele no colo e disse ‘Olha mãe, um patriota’. Daí em diante eu sabia que Deus reservava uma grande realização para a vida do meu filho”, relata.

Célia também lembra com carinho a viagem do filho para Angola e diz que ficou tranquila, apesar do perigo. “Nós, pais, fomos orientados em uma palestra, antes da viagem, sobre os riscos que a missão teria. Mas eu pedi muito a Deus que protegesse o meu filho e todos os seus companheiros. Tive fé que todos voltariam bem. Não foi fácil lidar com a saudade. Nesse tempo que ele esteve fora, nos falamos muito pouco. Não tinha como realizar ligações”, lembra .

O Batalhão de Blumenau

O 23º Batalhão de Infantaria de Blumenau está localizado no bairro Garcia e é o considerado um local de muito respeito e aprendizado. Conforme conta o cabo Eschholz, disciplina, hierarquia, treinamentos físicos e provas são as diretrizes principais do batalhão. “Aqui dentro nós temos regras severas e devemos respeitá-las”, afirma.

A hierarquia militar é famosa e muito respeitada no país, mas muitos não sabem como a base das Forças Armadas é organizada. A cadeia de comando estrutural é distribuída em duas classes, que se subdividem de acordo com o nível de responsabilidade e qualificação profissional. Os oficiais são classificados por postos e praças, por graduações. Aos que desejam seguir carreira, após ser soldado, torna-se cabo e, posteriormente, subtenente. A partir daí, a hierarquia é composta por tenente, capitão, major, tenente-coronel, coronel e general.

A Canção do Exército encerra-se demonstrando a bravura e determinação do soldado. “A paz queremos com fervor, a guerra só nos causa dor. Porém, se a Pátria amada for um dia ultrajada, lutaremos sem temor”. E é com essa garra e determinação que movem o dia a dia do soltado.

Classe 66

Aventuras e boas lembranças não faltam para o ex-solado Germano Schafer, que descreve a sua passagem pelo 23º Batalhão de Infantaria de Blumenau, no ano de 1985, como honrosa e gratificante. “Eu tinha muita vontade de servir o exército e meu ingresso era algo programado. Na minha época, as coisas eram diferentes. Muitos queriam fazer parte desse grupo que desempanha atividades pela Força Armada. Hoje, já não se vê mais essa vontade dos jovens. Tudo mudou”, afirma Germano. Ele conta ainda que saiu do exército depois de um ano. “Eu precisava de um salário melhor para ajudar a família. Se não fosse isso eu teria seguido carreira. Fiz muitos amigos lá e foram muitos aprendizados”, conta.

As grandes amizades e as aventuras da época do quartel são guardadas no coração de Germano, que está organizando o 4º Encontro da Classe 66. O encontro pretende reunir mais de 80 ex-soldados no dia 17 de setembro, no Parque Aquático Recanto Verde, no bairro Belchior.

Para organizar o encontro, Germano conta com a ajuda do grande amigo Carlos Rogério Schmitt, mais conhecido como Calinho, seu eterno colega de farda. “Nós nos encontramos anos depois e surgiu a ideia de reunir o grupo. Hoje, com a internet, ficou mais fácil para achar o pessoal. Estamos organizando o 4º encontro, sempre é bom relembrar os velhos tempos e saber como estão as pessoas que compartilharam os momentos comigo na época. O tempo de quartel fica como um aprendizado e sempre quis que um filho meu tivesse a experiência de servir também. O meu mais novo olhava o álbum de fotos minhas no exército e mostrou interesse, eu dei o meu apoio e ele foi pro batalhão no ano passado”, conta.


De pai para filho

As experiências vividas por Calinho na época do quartel foram revividas por seu filho, Luan Schmitt, no ano passado. O jovem afirma que, no início, ficou na dúvida se serviria, mas que hoje agradece a oportunidade de ter sido um soldado. “No começo eu não sabia se ia ou não. Foi na primeira inspeção que eu me destaquei e, pelo meu porte, passei para as outras etapas. Resolvi servir e foi uma experiência muito boa. Os aprendizados, treinamentos e disciplina são uma lição para a vida toda. Me sinto honrado em ter feito parte da história do batalhão”, ressalta Luan.

 

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