Diagnóstico: Relatório mostra raio-x das unidades de saúde - Jornal Cruzeiro do Vale

Diagnóstico: Relatório mostra raio-x das unidades de saúde

12/12/2014

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O relatório de 33 páginas da Comissão de Gestão Pública da Câmara de Vereadores confirmou situações e problemas já encontrados pelos usuários da saúde pública em Gaspar, que sofrem com deficiências no atendimento da rede.

Com base nas demandas de cada unidade de saúde, o relatório expõe problemas encontrados em visitas feitas entre agosto e novembro e mapeia indicadores para aferir a qualidade do serviço prestado, detalhando falhas no atendimento como a longa fila de espera por especialistas e dentistas, falta de padrão no agendamento de consultas, escassez de medicamentos e móveis sucateados em postos de saúde.

Jardim Primavera impressiona

A comissão de Gestão Pública da Câmara apresentou à imprensa os resultados do relatório na tarde dessa quinta-feira, dia 11. A presidente da comissão, vereadora Andréia Zimmermann Nagel, falou sobre as visitas e pontuou as melhorias necessárias. ?Vamos enviar o relatório com um ofício solicitando uma reunião com a secretária de Saúde, para termos um retorno sobre o tema?, ressalta.

A vereadora Ivete Hammes, membro da comissão, destaca como pontos positivos das vistorias o fato de praticamente não haver falta de médicos nos postos de saúde e o perfil destes profissionais normalmente ser ligado à saúde pública. ?A unidade do Jardim Primavera foi uma das melhores de acordo com o que vimos. A equipe é muito unida, integrada à comunidade e consegue manter agenda aberta para todos, sem dias específicos para marcação?, elogia.

Secretária responde

Sem participar da apresentação dessa quinta devido a compromissos em Florianópolis, a secretária de Saúde, Márcia Cansian, avisa que assim que receber o relatório da comissão vai dialogar sobre os itens elencados. ?Tudo que vem somar é importante. Estamos ouvindo servidores e comunidade para prestarmos um bom serviço?, frisa.

Quanto a problemas citados no  relatório, como fila de espera, padronização do serviço e falta de medicamentos, Márcia faz observações. ?O agendamento é realizado de acordo com o conselho de saúde de cada unidade. A espera por especialidades é um problema nacional. Estamos sempre em busca de diminuir essa espera. Na falta de medicamentos, o problema está nos atrasos de fornecedores, além da dificuldade de receber repasses que não dependem do município. No caso da odontologia, estamos fortalecendo a atenção básica, assim iremos atender melhor?, garante.

Márcia reconhece que a unidade de saúde do Gasparinho Quadro é precária, e diz que alternativas estão sendo buscadas. ?Realmente não tem condições no caso do Gasparinho. É um lugar difícil, mas estamos tentando alugar outro imóvel. Quanto a possíveis armazenamentos errados de materiais, vou me inteirar e analisar do que se trata. Temos coordenadores nas unidades que se comunicam conosco para melhorar o serviço?, conclui.


Principais problemas identificados 

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A PRIMEIRA CRUZ - ESPERA POR ESPECIALISTAS

Demanda reprimida de consulta e cirurgia em especialidades como ortopedia, otorrinolaringologia, cardiologia, dermatologia, neurologia e oftalmologia.

No caso dos dentistas, a espera também é longa. Foi registrado que não tem sido possível fazer procedimentos preventivos. Muitas unidades não têm dentista ou assistentes odontológicos, o que compromete o serviço. Na unidade de saúde da Margem Esquerda, Waltrudes Bósio, o paciente precisa passar pela fila de espera até mesmo para casos de retorno.

Foi apontada ainda a falta de reposição de especialistas, como neurologia e cardiologia. Segundo o relatório, atualmente, a neurologista do município está de licença-maternidade, e não houve a reposição de outro médico da área.

O relatório frisa que a espera por especialistas ultrapassa ?meses e anos?. Há demora também na realização de exames de média e alta complexidade, como ultrassom, mamografia, tomografia e ressonância.

A SEGUNDA CRUZ - FALTA DE AGENDAMENTO PADRÃO

Uma das prioridades do relatório é o pedido de implantação de um protocolo de enfermagem. Ele padroniza procedimentos nas unidades de saúde, principalmente os agendamentos de consultas. Atualmente, cada unidade possui uma forma diferente de marcação de atendimentos. Este teria sido um dos pedidos da maioria das enfermeiras das unidades de saúde.

Os agentes de saúde não têm formação continuada, faltam uniformes e itens como protetor solar e bolsas, necessário ao trabalho. Há também, muitas vezes, o acúmulo da função de auxiliar administrativo.

A TERCEIRA CRUZ - ESCASSEZ DE MEDICAÇÃO

Escassez de medicação nas unidades de saúde Waltrudes Bósio, Santa Terezinha, Lagoa, Jardim Primavera, Gaspar Grande, Figueira, Bela Vista , Alto Gasparinho e Belchior Alto. 

Na Farmácia Básica, foi registrado no relatório dificuldade e atraso no fornecimento de medicamentos, inclusive de remédios considerados básicos. É apontado ainda o acondicionamento irregular de parte dos remédios.

A QUARTA CRUZ - ESTRUTURA FÍSICA 

Destinação de recursos para administrar necessidades de cada unidade, como manutenção e pequenos reparos.

Aquisição de mobiliário para as unidades de saúde que estão com móveis emprestados ou sucateados.

A QUINTA CRUZ - CONDIÇÕES DE TRABALHO

O relatório aponta ainda que na unidade do Gaspar Grande já houve seis tentativas de furto, duas delas com êxito por parte dos bandidos.

A unidade do Gasparinho Quadro, considerada a mais crítica segundo o relatório, é definida como ?totalmente inadequada? e ?um desrespeito à população?. Os motivos são os móveis sucateados, os bancos de espera sem proteção e a demanda de pacientes além da capacidade de atendimento.

O ritmo de consultas também é considerado mais lento pelo estilo de trabalho do único médico atual, que tem 84 anos. Faltam funcionários.

Na unidade de Saúde do Centro, falta material de expediente, há queda constante de internet e apenas banheiro coletivo. Segundo funcionários, o descarte de materiais contaminados é inadequado, atraindo, inclusive, ratos e baratas.


Edição 1648

Comentários

Luis Cesar Hening
12/12/2014 12:33
Lendo o que esta aqui relatado sobre o raio X dos postos de saude, observo aqui que faltou muita coisa no que diz respeito principalmente a unidade de saude central e a farmácia básica, exemplos posso dar os mais variados no que diz respeito a estrutura que temos aqui, pisos irregulares, no car por exemplo temos a mesma sala de curativo serve para suturas o que é irregular, teto de madeira com cupim, paredes descascadas, chão irregular, locais irregulares de acondicionamento de medicamentos, o pior que tem alvará da vigilância sanitária o que não poderia, falta alvara do corpo de bombeiros em todas as unidades, nem extintores temos ali. No que diz respeito a falta de remédios, tudo bem que existe empresas que demoram a entregar, mas as licitações foram feitas tardiamente e as quantidades de remédios básicos, foram compradas insuficientes, com a desculpa que os munícipes podem pegar seus remédio nas farmácias populares, só que o dinheiro que vem é para comprar estes medicamentos e a responsabilidade não pode ser repassada para o setor privado, o usuário tem direito de seu medicamento ser retirado na farmácia básica. O principal motivo em minha vi~são como cidadão para a falta de medicamento é a administração deficitária que temos na saúde. Claro o estado não esta fazendo sua parte., mas o município não faz a sua com competencia

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