Por Ana C. Bernardes
Em tempos de congestionamentos intensos, alta no preço da gasolina e preocupação ainda maior com a saúde, a bicicleta acaba se tornando uma boa alternativa de meio de transporte. Entretanto, apesar das grandes vantagens de deixar o carro em casa e utilizar a bicicleta, ainda falta estímulo do poder público municipal. Hoje, Gaspar conta com uma malha viária de 574 quilômetros e, enquanto isso, a malha cicloviária não chega a dois quilômetros.
Mesmo com a dificuldade de encontrar espaços adequados para o uso da bicicleta nas ruas de Gaspar, ainda há quem opte por utilizá-la. Ivan Carlos da Silva, 40 anos, é uma dessas pessoas. Todos os dias de manhã, ele se desloca da casa para o trabalho de bicicleta. A rotina já é mantida há mais de dois anos e só é quebrada em dias de chuva. ?Escolhi a bicicleta por ser um meio mais rápido e prático de chegar ao trabalho, além de ser muito mais barato. Hoje, só utilizo o carro para trabalhar à tarde, quando tenho que levar minha esposa ao trabalho?, explica.
Dificuldades no caminho
O empresário mora no bairro Sete de Setembro e trabalha em uma loja no Centro. Mesmo sendo uma distância curta, Ivan consegue sentir as dificuldades para transitar entre carros e pedestres, já que não há muitas ciclofaixas ou ciclovias pela cidade. ?Temos que dividir espaço com veículos, que muitas vezes não nos respeitam?. Entre os trechos mais perigosos pelos quais passa diariamente, ele destaca a ponte próxima à Agropecuária Girassol, considerada muito estreita.
Apenas três ruas possuem ciclofaixas
Dentre todas as ruas do município, apenas três contam com ciclofaixas, espaços pintados nas ruas e avenidas e separados apenas por taxões, que dão exclusividade aos ciclistas. Até o momento, Gaspar não possui nenhuma ciclovia, que são vias exclusivas para ciclistas, separadas fisicamente das vias de veículos por canteiros, calçadas, muretas ou meio-fio. De acordo com o secretário de Planejamento e Desenvolvimento, Soly Waltrick, apenas trechos das ruas Dr. Nereu Ramos, no bairro Coloninha, Fernando Krauss (Gaspar Mirim) e José Anastácio da Silva (Gaspar Grande) contam com ciclofaixas. Além do número baixo de ruas contempladas, as faixas são curtas. Na rua Dr. Nereu Ramos, a ciclofaixa possui apenas 250 metros. Já na José Anastácio da Silva, tem pouco mais de 300 metros. A maior delas é a da Fernando Krauss, que possui quase um quilômetro. Na rua Amádio Beduschi, bairro Barracão, que está recebendo pavimentação asfáltica, e na Ponte do Vale, que está com a construção parada, ciclofaixas estão sendo implantadas.
Largura das ruas dificulta implantação
Ainda conforme Soly, o município deve instalar, em breve, ciclofaixas nas ruas Carlos Alberto Schramm, no bairro Margem Esquerda, Itajaí e Madre Paulina (Sete de Setembro) e Bonifácio Haendchen e José Schmitt Sobrinho (Belchior). Essas vias receberão obras de pavimentação e outras melhorias, porém ainda não há data para início dos trabalhos. Apesar de haver projetos de construção de ciclofaixas, a prefeitura não possui nenhum projeto de interligação entre elas. ?Apenas as ruas Madre Paulina e Itajaí serão interligadas por serem vias próximas?, ressalta o secretário.
Pavimentações sem ciclofaixas
Nem todas as ruas que receberam pavimentação asfáltica desde 2009, ano em que teve início a implantação de ciclofaixas na cidade, foram contempladas com as faixas destinadas a ciclistas. Exemplos disso são as ruas João Mathias Zimmermann, no Alto Gasparinho, Augusto Jacinto dos Santos, Emma Reinert, Francisco Laguna, Jerônimo Elias Albanaz e Paulo Baldo, no Centro, e José Koser e Antônio Schmitz, no Belchior Alto, que foram pavimentadas recentemente. Questionado sobre o assunto, o secretário Soly afirma que nem todas as ruas pavimentadas recebem ciclofaixas devido à largura. ?Algumas ruas são muito estreitas?, aponta. Ele ressalta ainda que as obras com recursos federais costumam exigir que hajam ciclovias ou ciclofaixas.
Escassez de espaços é ponto de críticas
O baixo número de espaços reservados a ciclistas em Gaspar é considerado lamentável pelo presidente da Associação Blumenauense Pró-Ciclovias, ABC, Giovani Rafael Seibel, que há anos luta por melhorias na estrutura cicloviária de Blumenau. Segundo Giovani, a falta de ciclovias e ciclofaixas no município é um problema que acaba dificultando o interesse das pessoas por utilizar a bicicleta como principal meio de transporte. ?É uma situação triste. Já pedalei por Gaspar e, realmente, é muito difícil encontrar alguma ciclofaixa. Eu, por exemplo, só tive a chance de encontrá-la próximo à empresa Círculo. No mais, tive que pedalar lado a lado com carros?, afirma.
Em comparação a Gaspar, Blumenau tem cerca de 50 quilômetros a mais de ciclovias e ciclofaixas. O que, segundo Giovani, ainda não é considerado o ideal para a população. ?Um grande problema que encontramos em Blumenau, Gaspar e em tantas outras cidades é que as ciclofaixas e ciclovias não são interligadas. Isso dificulta muito para o ciclista se locomover com segurança?, destaca.
?O ideal seria ter mais ciclovias que ciclofaixas?
Por falta de espaço e até mesmo de verba, as ciclofaixas acabam sendo muito mais utilizadas que as ciclovias. Isso acontece em Gaspar que, até o momento, só possui ciclofaixas. Ainda conforme Giovani, as ciclovias seriam a melhor forma de garantir segurança e conforto ao ciclista, já que as faixas nem sempre são respeitadas por motoristas e pedestres. ?Infelizmente, há pessoas mal educadas que utilizam as ciclofaixas para estacionar o carro, ou até mesmo desviar de congestionamentos. Ela realmente ajuda, mas o ideal seriam as ciclovias?, ressalta.
Com mais espaços destinados a ciclistas na cidade, o uso da bicicleta poderia aumentar consideravelmente. Segundo Giovani, uma pesquisa realizada em Blumenau em 2011 mostrou que 70% das pessoas entrevistadas gostariam de utilizar as bikes como principal meio de transporte, mas temem por sua segurança devido à falta de estrutura adequada. Como consequência de investimentos na área cicloviária, o presidente da ABC Ciclovias garante que o município gastaria menos com manutenção de estradas e saúde pública, além de contribuir para a preservação do meio ambiente. ?Pedalar é saúde, ajuda as pessoas a ficarem mais dispostas. É uma excelente alternativa para todos, principalmente porque chegará uma hora em que não será mais possível abrir mais ruas para comportar tantos carros?, enaltece. 
Edição 1665
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