Falta de ciclovias dificulta adesão maior às bicicletas - Jornal Cruzeiro do Vale

Falta de ciclovias dificulta adesão maior às bicicletas

02/03/2015

fotopg8abre1GG.jpgPor Ana C. Bernardes

Em tempos de congestionamentos intensos, alta no preço da gasolina e preocupação ainda maior com a saúde, a bicicleta acaba se tornando uma boa alternativa de meio de transporte. Entretanto, apesar das grandes vantagens de deixar o carro em casa e utilizar a bicicleta, ainda falta estímulo do poder público municipal. Hoje, Gaspar conta com uma malha viária de 574 quilômetros e, enquanto isso, a malha cicloviária não chega a dois quilômetros.

Mesmo com a dificuldade de encontrar espaços adequados para o uso da bicicleta nas ruas de Gaspar, ainda há quem opte por utilizá-la. Ivan Carlos da Silva, 40 anos, é uma dessas pessoas. Todos os dias de manhã, ele se desloca da casa para o trabalho de bicicleta. A rotina já é mantida há mais de dois anos e só é quebrada em dias de chuva. ?Escolhi a bicicleta por ser um meio mais rápido e prático de chegar ao trabalho, além de ser muito mais barato. Hoje, só utilizo o carro para trabalhar à tarde, quando tenho que levar minha esposa ao trabalho?, explica.

Dificuldades no caminho

O empresário mora no bairro Sete de Setembro e trabalha em uma loja no Centro. Mesmo sendo uma distância curta, Ivan consegue sentir as dificuldades para transitar entre carros e pedestres, já que não há muitas ciclofaixas ou ciclovias pela cidade. ?Temos que dividir espaço com veículos, que muitas vezes não nos respeitam?. Entre os trechos mais perigosos pelos quais passa diariamente, ele destaca a ponte próxima à Agropecuária Girassol, considerada muito estreita.

Apenas três ruas possuem ciclofaixas

Dentre todas as ruas do município, apenas três contam com ciclofaixas, espaços pintados nas ruas e avenidas e separados apenas por taxões, que dão exclusividade aos ciclistas. Até o momento, Gaspar não possui nenhuma ciclovia, que são vias exclusivas para ciclistas, separadas fisicamente das vias de veículos por canteiros, calçadas, muretas ou meio-fio. De acordo com o secretário de Planejamento e Desenvolvimento, Soly Waltrick, apenas trechos das ruas Dr. Nereu Ramos, no bairro Coloninha, Fernando Krauss (Gaspar Mirim) e José Anastácio da Silva (Gaspar Grande) contam com ciclofaixas. Além do número baixo de ruas contempladas, as faixas são curtas. Na rua Dr. Nereu Ramos, a ciclofaixa possui apenas 250 metros. Já na José Anastácio da Silva, tem pouco mais de 300 metros. A maior delas é a da Fernando Krauss, que possui quase um quilômetro. Na rua Amádio Beduschi, bairro Barracão, que está recebendo pavimentação asfáltica, e na Ponte do Vale, que está com a construção parada, ciclofaixas estão sendo implantadas.

Largura das ruas dificulta implantação

fotopg8abre3GG.jpgAinda conforme Soly, o município deve instalar, em breve, ciclofaixas nas ruas Carlos Alberto Schramm, no bairro Margem Esquerda, Itajaí e Madre Paulina (Sete de Setembro) e Bonifácio Haendchen e José Schmitt Sobrinho (Belchior). Essas vias receberão obras de pavimentação e outras melhorias, porém ainda não há data para início dos trabalhos. Apesar de haver projetos de construção de ciclofaixas, a prefeitura não possui nenhum projeto de interligação entre elas. ?Apenas as ruas Madre Paulina e Itajaí serão interligadas por serem vias próximas?, ressalta o secretário.

Pavimentações sem ciclofaixas

Nem todas as ruas que receberam pavimentação asfáltica desde 2009, ano em que teve início a implantação de ciclofaixas na cidade, foram contempladas com as faixas destinadas a ciclistas. Exemplos disso são as ruas João Mathias Zimmermann, no Alto Gasparinho, Augusto Jacinto dos Santos, Emma Reinert, Francisco Laguna, Jerônimo Elias Albanaz e Paulo Baldo, no Centro, e José Koser e Antônio Schmitz, no Belchior Alto, que foram pavimentadas recentemente. Questionado sobre o assunto, o secretário Soly afirma que nem todas as ruas pavimentadas recebem ciclofaixas devido à largura. ?Algumas ruas são muito estreitas?, aponta. Ele ressalta ainda que as obras com recursos federais costumam exigir que hajam ciclovias ou ciclofaixas.

Escassez de espaços é ponto de críticas

fotopg9abre2GG.jpgO baixo número de espaços reservados a ciclistas em Gaspar é considerado lamentável pelo presidente da Associação Blumenauense Pró-Ciclovias, ABC, Giovani Rafael Seibel, que há anos luta por melhorias na estrutura cicloviária de Blumenau. Segundo Giovani, a falta de ciclovias e ciclofaixas no município é um problema que acaba dificultando o interesse das pessoas por utilizar a bicicleta como principal meio de transporte. ?É uma situação triste. Já pedalei por Gaspar e, realmente, é muito difícil encontrar alguma ciclofaixa. Eu, por exemplo, só tive a chance de encontrá-la próximo à empresa Círculo. No mais, tive que pedalar lado a lado com carros?, afirma.

Em comparação a Gaspar, Blumenau tem cerca de 50 quilômetros a mais de ciclovias e ciclofaixas. O que, segundo Giovani, ainda não é considerado o ideal para a população. ?Um grande problema que encontramos em Blumenau, Gaspar e em tantas outras cidades é que as ciclofaixas e ciclovias não são interligadas. Isso dificulta muito para o ciclista se locomover com segurança?, destaca.



?O ideal seria ter mais ciclovias que ciclofaixas?

Por falta de espaço e até mesmo de verba, as ciclofaixas acabam sendo muito mais utilizadas que as ciclovias. Isso acontece em Gaspar que, até o momento, só possui ciclofaixas. Ainda conforme Giovani, as ciclovias seriam a melhor forma de garantir segurança e conforto ao ciclista, já que as faixas nem sempre são respeitadas por motoristas e pedestres. ?Infelizmente, há pessoas mal educadas que utilizam as ciclofaixas para estacionar o carro, ou até mesmo desviar de congestionamentos. Ela realmente ajuda, mas o ideal seriam as ciclovias?, ressalta.

Com mais espaços destinados a ciclistas na cidade, o uso da bicicleta poderia aumentar consideravelmente. Segundo Giovani, uma pesquisa realizada em Blumenau em 2011 mostrou que 70% das pessoas entrevistadas gostariam de utilizar as bikes como principal meio de transporte, mas temem por sua segurança devido à falta de estrutura adequada. Como consequência de investimentos na área cicloviária, o presidente da ABC Ciclovias garante que o município gastaria menos com manutenção de estradas e saúde pública, além de contribuir para a preservação do meio ambiente. ?Pedalar é saúde, ajuda as pessoas a ficarem mais dispostas. É uma excelente alternativa para todos, principalmente porque chegará uma hora em que não será mais possível abrir mais ruas para comportar tantos carros?, enaltece.  

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Edição 1665
 

Comentários

Flávio de Souza
02/03/2015 22:57
Existem inúmeras dificuldades, mas a principal é a qualidade do pavimento, visto que existem vários tipos de bicicletas, bicicletas de corrida só podem andar nas rodovias pois o paralelepipedo prejudica o deslocamento, uma medida fácil seria criar ciclovias e pavimentar um pedaço onde há paralelepipedo e interligar com os bairros fazendo com que os ciclistas utilizem as vias secundárias, saindo da disputa com outros veículos.
Algumas vias são pavimentadas com lajotas isso auxilia o deslocamento,sou ciclista e minhas pedaladas só podem ser a noite quando o trânsito diminui, devido o tipo de bicicleta.
Wilson Seberino Silva
02/03/2015 11:52
Qdo restauraram a Rua Hercilio Fides Zimmermann disseram ( A arquiteta da prefeitura) que iriam reurbanizar ,inclusive com uma ciclovia a dita rua,mas até agora nada fizeram.Cade a obra ? Qdo irão fazê-la ?

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