Gasparenses apontam falhas nos serviços de ônibus das linhas municipais e intermunicipais - Jornal Cruzeiro do Vale

Gasparenses apontam falhas nos serviços de ônibus das linhas municipais e intermunicipais

04/06/2016

Por Geraldo Genovez

 

O mau atendimento dos motoristas, a superlotação em horários de pico, a diminuição das linhas, a sujeira e o não funcionamento do ar-condicionado e wifi nos ônibus municipais e intermunicipais estão causando indignação na população. O Jornal Cruzeiro do Vale ouviu o relato de várias pessoas sobre as dificuldades que enfrentam para se locomover usando o transporte público de Gaspar. As reclamações e pedidos por melhorias vêm de pessoas que utilizam os serviços dos coletivos Auto Viação do Vale e Viação Verde Vale diariamente.

Insatisfeita, Sandra Paula Onofre reclama do mau atendimento de um motorista da Auto Viação do Vale, que teria parado o ônibus em um local que apresentava riscos aos passageiros. Além disso, Sandra diz que ao sair de um coletivo por volta das 5h30 da manhã, foi atingida pelo veículo, mas não chegou a ficar ferida. A mulher afirma que prestou queixa na delegacia e que foi até a sede da empresa de transporte fazer a reclamação. “Me disseram que não podem fazer nada com o motorista, mesmo com tantas reclamações, pois ele é do sindicato”, conclui.

Maike Bitencout também relata ter enfretado problemas com motoristas e acrescenta que falta segurança nos coletivos. Segundo ele, um condutor do ônibus da Verde Vale tem sido grosseiro e tratado mal os passageiros. “O motorista é mal educado e não há segurança durante a viagem. Quando alguém reclama, ele manda calar a boca”, explica Maike.

Para a costureira Sandra da Silva, a diminuição das linhas de ônibus é o principal empecilho. “Eu percebi que cada vez mais horários são cortados. Hoje, por exemplo, tenho que ficar mais de duas horas esperando o próximo ônibus”, conta. O operador de empilhadeira, Emerson Goes também reclama da falta de horários. “Antigamente eu pegava um ônibus que passava só pelo meu bairro. Agora, com os cortes, passo por dentro de outros bairros e acabo chegando bem mais tarde em casa” afirma Emerson.

Outro fator apontado pela população é a superlotação. O representante comercial, Lucas Dagnoni, destaca que nos horários de pico, muitas vezes, o número de passageiros excede o recomendado e que o ar-condicionado e o wifi nunca funcionam nos ônibus da Viação Verde Vale. Quanto à Auto Viação do Vale, Lucas reclama da poeira presente nos bancos e chão dos veículos. “Os ônibus costumam estar sujos por dentro, a limpeza dos veículos não é frequente”, observa.

A versão das empresas

O gerente operacional da Auto Viação do Vale, Bruno Nunes Correia, esclarece alguns pontos abordados pela população. Sobre o motorista que teria várias reclamações, a empresa o advertiu pelo mau comportamento. “Temos que agir com cautela neste caso. Esse motorista é do sindicato, se o colocamos na rua ele pode entrar na Justiça”, conta o gerente. Já sobre a diminuição das linhas, a empresa assegura que só retira um horário de ônibus quando não existe muita procura”. A redução só acontece quando a linha não tem demanda. Nós mantemos a linha mesmo sem lucro, mas a partir do momento que dá prejuizo, temos que cortar”, justifica Bruno.

Rogério da Silva, chefe de tráfego da Verde Vale, também se prontificou a responder pelas reclamações. Segundo ele, todos os motoristas recebem treinamento ao serem contratados e haverá uma maior cobraça quanto ao comportamento destes em trabalho. Além disso, Rogério explica que o ar-condicionado não é ligado em alguns dias devido ao surto de gripe. “Se mantermos as janelas fechadas com muitas pessoas respirando o mesmo ar a chance de contágio é muito maior”, comenta. O chefe de trafego enfatiza a preocupação da empresa com as reinvidicações do povo. “Procuro sempre responder às críticas e atender às sugestões que são deixadas em nosso site”, conclui.

Transporte de universitários

A acadêmica de Comércio Exterior da Universidade do Vale do Itajaí, Camila Gaboardi, comenta que todos os municípios da região disponibilizam transporte para universidades com baixo custo, mas que isso não se aplica a Gaspar. “Devíamos ter, por direito, um transporte de qualidade e com preço acessível oferecido pela prefeitura”, afirma Camila. “O transporte particular para Itajaí é muito caro, ainda mais somado às despesas que nós universitários temos com apostilas e alimentação”, completa.

Já para Bárbara Gottardi Bernardo, estudante de Direito na Univali, o transporte particular apresenta mais segurança e conforto para quem estuda em outras cidades. “Acredito que se a prefeitura vir a disponibilizar um transporte para Itajaí, ele será precário e pouco confiável, como muitos serviços oferecidos pelo governo” conta a graduanda.

A secretária de Educação, Marlene Almeida, mostra-se disposta a tentar resolver o problema, mas comenta que o município tem como obrigação oferecer transporte para alunos do 1º ao 5º ano, e que a assistência aos universitários, nesse caso, não é um dever. Apesar disso, Marlene recomenda que os interessados nesse serviço se reúnam e procurem a Assessoria para Assuntos da Juventude. “O Conselho da Juventude é a porta de entrada para essa discussão. É preciso fazer uma pesquisa sobre o perfil dos estudantes e o interesse de cada um. Existem faculdades em Itajaí, Brusque, Blumenau e em outras cidades da região, mas não podemos priorizar uma”, explica a secretária.

 

Edição 1752

Comentários

Fabi
04/06/2016 17:44
Fico muito indignada com o transporte de Gaspar principalmente com a auto viação do Vale porque a cada dia ela encurta o trajeto que o ônibus faz no Gaspar Grande e qnd a escola Ivo D Aquino não tem aula o ônibus não passa afinal ele é particular só para os alunos do Ivo ???

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