
As faixas pretas penduradas na placa de sinalização da ilha de segurança em frente ao Hotel e Restaurante Raul´s, na Rua Itajaí, em Gaspar, simbolizam a indignação dos moradores. Na noite desta quinta-feira, 12 de maio, um hóspede morreu atropelado em frente ao hotel. O motivo, segundo os proprietários: falta de lombada física ou eletrônica, por parte do poder público; e alta velocidade, por parte dos motoristas.
O acidente aconteceu por volta das 19h45. De acordo com Maria Helena Spengler, proprietária do restaurante, cerca de 15 pessoas estavam do deck do estabelecimento conversando quando Evandro Gehlem, de 40 anos, atravessou a via para cumprimentar um amigo, que havia acabado de chegar. Ele foi atropelado pelo veículo Corsa, dirigido por R. F. S, 24 anos; e, em seguida, por uma motocicleta, pilotada por J. A. F, 26 anos.
Evandro recebeu os primeiros atendimentos no local do acidente e foi conduzido com vida ao Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Gaspar. Às 22h, porém, familiares e amigos receberam a notícia de que ele havia falecido.
Evandro Gehlem morava em Erechim, no Rio Grande do Sul, e estava na cidade para participar de uma convenção da empresa que trabalhava, a Pedra D´agua. Ele ficaria em Gaspar até a manhã de sábado, pois na sexta-feira a noite estava programada uma confraternização com todos os representantes.
José Moreira, do Paraná, trabalhava com Evandro. Ele conta que o amigo estava sempre de bem com a vida. “Nosso colega saiu de Erechim para morrer numa fatalidade, uma falha do poder público, que não coloca uma lombada nesse lugar. É uma tragédia que os amigos e a família não aceitam. Ele era um cara querido, honesto e trabalhador. E morreu indo cumprimentar um amigo”, lamenta.
O morador de Minas Gerais, José Rachid, também está inconformado com a morte do amigo. “Estamos todos em choque. É brutal a perda de um amigo dessa forma”.
Evandro morava com a mãe e dois filhos, de 15 e 16 anos. Ele trabalhava há nove anos para a empresa gasparense.
Sérgio Spengler, proprietário do Hotel Raul´s, está indignado com a falta de atenção do poder público com os moradores da Rua Itajaí. Há cerca de um ano, ele e outros 15 moradores da localidade participaram de uma reunião com o prefeito Pedro Celso Zuchi para cobrar a instalação de lombadas físicas ou eletrônicas na via. Mas, até o momento, nada foi feito. “No ano passado, o prefeito prometeu que faria uma lombada estendida caso a obra de revitalização da Rua Itajaí não iniciasse até outubro. Dando o prazo, os moradores me procuraram, mas eu não fui lembrar o prefeito de uma coisa que ele havia prometido”, afirma Sérgio.
O empresário diz que o pedido da comunidade é que sejam instaladas três lombadas físicas: uma na ilha de segurança em frente ao hotel, outra em frente ao antigo Café Beduschi e a última em frente a Viação Verde Vale. “O poder público tem que fazer alguma coisa, caso contrário teremos mais mortes nessa rua. Muitas pessoas caminham pelo acostamento durante a noite e basta ficar alguns minutos observando que é possível ver a alta velocidade que os veículos passam”.
Para defender a instalação das lombadas na Rua Itajaí, Sérgio utiliza como exemplo o trevo de acesso a Gaspar. “Na BR-470, colocaram os redutores de velocidade e os acidentes com morte pararam de acontecer. Assim tem que ser aqui”, afirma.
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