
O diretor clínico do Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Ricardo Freitas, apresentou a versão da instituição sobre a morte do carpinteiro Adalberto José de Oliveira Torquato, 37 anos, que morreu no dia 24 de outubro, após cair de uma altura de 10 metros e receber atendimentos no hospital de Gaspar e no Hospital Santo Antônio.
Segundo o diretor, o paciente chegou ao hospital de Gaspar com várias fraturas e, após os atendimentos iniciais, foi definido que a prioridade deveria ser uma cirurgia na área abdominal, bastante afetada pela queda. Com isso, foi definido que o paciente deveria ser transferido para Blumenau. ?Por que não fazer essa cirurgia aqui? Porque não temos banco de sangue. Pelo protocolo do Hemosc, precisaríamos preencher um formulário e enviá-lo por um motoboy até o Hemosc, para trazer um determinado número de bolsas de sangue, o que é difícil estipular. Se durante a cirurgia fosse necessário mais, teríamos que repetir o procedimento. Sem contar que, em caso de alguma complicação, é necessário um suporte de UTI, que hoje não temos?, argumenta o diretor.
Em função disso, os médicos do hospital, segundo o diretor, teriam entrado em contato com o Hospital Santo Antônio, que providenciou a estrutura para operar Adalberto assim que ele chegasse ao hospital. No entanto, por volta das 19h30, ao acionar o Samu de Blumenau para fazer o transporte do paciente, o órgão teria se recusado a fazer o transporte, alegando que o paciente ?não estaria estável?. Com isso, o hospital acionou o serviço particular Anjos da Vida, que oferece serviço semelhante. No entanto, por volta das 21h, enquanto a ambulância do Anjos da Vida ainda estava no caminho, o veículo do Samu chegou ao hospital e fez o transporte. ?Não sei se seria suficiente, dada a gravidade, mas acredito que esse tenha sido o grande pecado, a recusa do Samu e a consequente demora na transferência?, avalia o diretor-clínico. Na semana passada, procurado pela reportagem, o Samu de Blumenau informou apenas que casos como esse devem ser informados para a ouvidoria do órgão.
Acompanhamento
Após o transporte, Adalberto foi operado em Blumenau. ?Acompanhamos o caso e, inclusive, a informação que tivemos é de que a cirurgia tinha tido sucesso. Infelizmente, deve ter ocorrido alguma complicação pós-cirurgia?, afirma Freitas. Questionado sobre uma eventual demora no diagnóstico entre a entrada do paciente, logo após as 15h, e o acionamento das ambulâncias, por volta das 19h, o diretor informa que neste período a equipe do hospital trabalhou na estabilização do paciente. Ele também nega que Adalberto tenha recebido alta no final da tarde. ?Questionei a equipe, mas, oficialmente, não há nenhum registro de alta para o paciente no prontuário eletrônico. Se alguém falou alguma coisa perto disso, foi totalmente equivocado?, ressalta. ?Sabemos do drama da família, mas ele foi assistido em todo momento que esteve aqui e, dentro das nossas condições, o atendimento foi prestado a contento?, conclui o diretor.
Edição 1637
Copyright Jornal Cruzeiro do Vale. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Jornal Cruzeiro do Vale (contato@cruzeirodovale.com.br).