Um informativo distribuído pela Secretaria de Educação de Gaspar às escolas do município está dando o que falar na Câmara de Vereadores. O material de quatro páginas, com data de fevereiro, apresenta uma tabela com a média de salários dos professores do município. No entanto, os valores apresentados foram questionados por professores e vereadores da oposição.
Na semana passada, a vereadora Andreia Zimmermann Nagel, DEM, ocupou a tribuna para criticar o material e questionar os valores apresentados. Segundo ela, a maior parte do quadro de professores é formada por servidores temporários, os ACTs, que não recebem todos os benefícios dos efetivos e, portanto, têm salários menores. No material da prefeitura, o salário médio do professor com graduação é de R$ 3.405,84 com vale-alimentação. ?Outro problema é que o material traz uma série de obras feitas nas escolas, mas muitas delas tiveram grande participação das APPs, ou verbas do PDDE (Programa Dinheiro Direto na Escola), com contrapartidas pequenas da prefeitura, mas isso não é citado?, criticou.
Ainda na última semana, em resposta a Andreia, que comparou os salários dos professores com o do prefeito, o vereador Antônio Dalsochio sugeriu na tribuna que o professor que estivesse descontente com o salário deixasse a sala de aula para se candidatar a prefeito. O vídeo repercutiu nas redes sociais e provocou críticas de profissionais da educação.
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O vereador Marcelo Brick, PSD, na sessão desta semana, apresentou um requerimento pedindo informações sobre o cálculo usado pela prefeitura para obter a média salarial dos professores apresentada no informativo. A intenção dele é deixar claro se o salário divulgado no informativo é ou não diferente do que os professores recebem. Também esta semana, a vereadora Andreia, em indicação ao Executivo, sugeriu que o material fosse recolhido e que, onde já tenha sido distribuído, houvesse uma carta de esclarecimento.
O vereador Amarildo Rampelotti, PT, defende os dados publicados no informativo e classifica como ?maldade? a postura da vereadora Andreia e de Brick sobre o assunto. Segundo ele, há o piso da categoria, que tem salário-base de R$ 2.282, mais R$ 124 de regência de classe e R$ 365 de vale-refeição, e o salário de profissionais com mais de 20 anos de atividade, que tem incremento de 48% de triênios, mais 12% nos casos em que há especialização, chegando a um valor aproximado de R$ 4,2 mil, segundo o vereador. ?O que se divulgou é uma média salarial dos efetivos, tem o que ganha menos, tem o que ganha mais. A oposição sabe que essa referência ainda não é a que a gente deseja, mas é uma das maiores da região, e isso incomoda?, alfineta.
Rampelotti considera coincidência a publicação do jornal próximo ao período de negociação salarial dos servidores e alega que os investimentos feitos pelas APPs das escolas não estão incluídos porque o objetivo do informativo é informar os gastos da prefeitura. ?Não se trata de não ser grato por essa ajuda, sabemos que todas as APPs contribuem muito com as escolas, mas aquele material era especificamente para divulgar os investimentos do governo?, defende.
Edição 1669
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