Por Thiago Moraes
Atendimento é posto na balança
Na semana da prorrogação do decreto de intervenção que permite a gestão da prefeitura sobre o hospital de Gaspar por mais seis meses, usuários da instituição hospitalar foram ouvidos pela reportagem do Jornal Cruzeiro do Vale. No saldo das entrevistas com quem mais sente os efeitos dos atendimentos do hospital, os pacientes, houve um misto de queixas e satisfação com o serviço prestado. As entrevistas foram feitas assim que os usuários deixavam o hospital após o atendimento.
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?Estou com meu irmão de 41 anos internado no hospital de Gaspar devido a uma cirrose. Há cinco dias ele está esperando a transferência para o hospital Santa Isabel, em Blumenau. Estão dando medicamentos para hidratá-lo, mas o que ele precisa é a transferência para um hospital com mais estrutura. A mudança de hospital já está demorando demais?. Vanete Lana, moradora do Gasparinho |
| ?Meu filho teve lesão no joelho e conseguiu sua cirurgia, mas em geral o atendimento é ruim porque falta agilidade. Não entendo porque demora tanto para ocorrer o atendimento. Porém, quando conseguimos ser atendidos, os médicos são bons?. José Vieira, morador da Margem Esquerda |
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?Meu irmão está internado devido a uma cirrose, e até o momento o atendimento tem transcorrido normalmente, sem imprevistos. Os médicos são bastante prestativos?. Veda M. da Cunha, moradora do Óleo Grande |
| ?Algumas especialidades atendem bem, mas temos outras em que o atendimento demora demais. A temporada de verão é preocupante, pois é uma época do ano onde muitos médicos tiram férias e não há substituto, o que gera muitas filas no hospital?. Edla de Souza, moradora da Margem Esquerda |
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?Tem muita gente para um médico só. Os médicos atendem bem, porém a demanda é muito alta. Tive uma infecção no ouvido, com uma febre muito forte. Fiquei duas horas à espera de atendimento. Acho também um absurdo o estacionamento ser pago. No meu caso venho de moto, pois os ônibus onde moro são raríssimos?. Maria Goretti, moradora do bairro Arraial do Ouro |
| ?Em princípio o atendimento foi bom. Meu sobrinho de 17 anos passou por uma fibrose e teve um atendimento rápido?. Dirceu Gonçalves, morador da Margem Esquerda | ![]() |
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?Meu esposo teve uma intoxicação muito forte e está há três dias internado. O atendimento tem sido de primeira, as coisas estão caminhando bem?. Helena Lemos Says, moradora do Óleo Grande |
| ?Estou com uma alergia forte nos olhos. Fui atendida com agilidade e medicada. Vou para casa satisfeita?. Solange Elísio, moradora do Bela Vista |
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?Sofri um acidente de moto e fraturei uma de minhas pernas. O atendimento foi muito bom, em especial se compararmos a outros hospitais, onde a prestação de serviço é bastante falha?. Vilmar dos Santos, morador do Gaspar Grande |
Foram entrevistados ceca de 20 pacientes nas manhãs dessa quarta e quinta-feira, dias 26 e 27.
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Vídeo: intervenção no hospital é renovada por mais seis meses

Presente na entrevista coletiva realizada na manhã desta terça-feira, dia 25, a secretária de Saúde de Gaspar respondeu alguns questionamentos da reportagem do Jornal Cruzeiro do Vale. Entre outros temas, ela destacou que a prioridade dos próximos seis meses de intervenção será a qualidade na assistência aos pacientes e reforçou que casos de denúncias de falhas no atendimento precisam ser investigadas.
Jornal Cruzeiro do Vale - Como estão as questões da Certidão Negativas de Débitos do hospital de Gaspar, que costumam dificultar a captação de recursos públicos?
Márcia Cansian - Elas continuam pendentes. As certidões foram um dos motivos pelo não repasse dos recursos do município, mas não foram o único motivo. A principal questão naquela ocasião foi a prestação de contas. Para novos convênios e propostas, a CND é necessária. Conseguimos, em uma ação judicial, liberar o Estado a fazer o repasse sem CND, como a gente está fazendo também com o Ministério da Saúde. O decreto de intervenção nos abre essa possibilidade, mas as certidões ainda estão pendentes.
Cruzeiro do Vale - Está sendo feita uma previsão extra de recursos no orçamento do município de 2015 em razão do hospital?
Márcia - O que está sendo feito é a previsão de 7% a mais do que o valor que tem hoje, mas não há valor separado para a intervenção. Em valores, estão previstos R$ 3,5 milhões, aproximadamente. É algo em torno de R$ 272 mil, 280 mil ao mês.
Cruzeiro do Vale - Esses atendimentos que vêm gerando polêmica, alguns óbitos em que famílias se queixam do atendimento, como o município vê essas questões?
Márcia - A gente tem que ter cuidado. É possível que aconteçam negligências ou atendimentos equivocados, mas temos que ter cuidado. As apurações estão sendo feitas. São profissionais que fazem o atendimento, não o hospital ou a administração pública. Todas essas situações são apuradas pela direção técnica do hospital, ela tem que fazer o fechamento disso. Todos os casos são avaliados e, se houver alguma situação, será encaminhada ao Conselho Regional de Medicina, CRM, e ao Conselho Regional de Enfermagem, Corem. Das situações que já aconteceram, não recebemos relatório da diretoria técnica, mas a comissão e a direção do hospital precisam ter respostas em relação a estes casos.
Cruzeiro do Vale - Quais são as metas para estes próximos seis meses de intervenção?
Márcia - Estamos organizando agora, na primeira semana de dezembro, o planejamento para 2015, mas um foco é a questão da qualidade da assistência aos pacientes. Na questão dos recursos financeiros, já temos as metas programadas, que são a habilitação das portarias, temos a humanização no parto e no nascimento, e a questão da qualidade da assistência no pronto-atendimento, na classificação de risco. Essas são as metas. Não estão ainda descritas, mas já foram levantadas pela comissão de intervenção.
Sobre as situações em que pessoas foram mal ou bem atendidas, é importante informar o hospital e o município. É possível fazer denúncias por escrito e via e-mail na Secretaria de Saúde ou acionar a ouvidoria do hospital (telefones, [47] 3332-0109 e 3144-8200, e-mail, ouvidoria@hospitaldegaspar.com.br).
Prefeitura prorroga intervenção no hospital
Em coletiva de imprensa realizada na manhã desta terça-feira, dia 25, a Prefeitura de Gaspar confirmou que irá prorrogar por mais seis meses a intervenção municipal no Hospital de Gaspar. O primeiro prazo de seis meses vence na próxima sexta-feira, dia 28. Dessa maneira, a empresa Amorim & Associados ? Consultoria e Saúde,seguirá efetuando a gestão administrativa do hospital até maio de 2015.
Um dos administradores do hospital, Giovani Bernardi, apresentou um relatório de dados da gestão da empresa terceirizada e da comissão interventora. A apresentação abordou pontos como questões administrativas, operacionais e financeiras, e apontou dificuldade de diálogo com a gestão anterior. ?Ainda estamos financeiramente deficitários com relação à nossa entrada e saída mensal, no entanto, temos perspectivas de recursos que podem otimizar o caixa do hospital nos próximos seis meses?, ressaltou Giovani, à reportagem do Jornal Cruzeiro do Vale.
Perguntado sobre qual seria o valor mensal de déficit do hospital, Giovani disse que a gestão está fechando um relatório financeiro para a divulgação. A dívida atual do hospital, atualizada em maio, segundo a empresa que responde pela gestão do hospital, é de R$ 8.276.694,10, e 60% desse débito se refere aos chamados fornecedores de curto prazo.
Números
O hospital tem atendido por mês, de junho a outubro deste ano, 2,2 mil consultas médicas no pronto-atendimento e houve, neste período, 219 internações pelo SUS. Em média, 150 cirurgias são realizadas no hospital, e especialidades como Ginecologia e Otorrinolaringologia foram acrescentadas. ?Em dezembro, possivelmente tenhamos mais duas especialidades: Urologia e Proctologia?, informa Giovani.
Otimismo
Presentes na reunião, os membros da comissão falaram sobre alguns pontos do relatório. Presidente da Comissão de Intervenção, o empresário José Eduardo de Souza analisou o saldo da gestão de seis meses. ?Observamos sensíveis resultados em números do hospital. Continuaremos trabalhando em prol da entidade para melhorar ainda mais a vida financeira e especialmente o atendimento à comunidade?, declarou José Eduardo.
O município continua responsável pela gestão plena dos recursos do SUS. ?Avançamos bastante na gestão do hospital nesses seis meses. Confiamos na equipe que está administrando o hospital e na comissão interventora, que está batalhando dia a dia contra a morosidade de liberação de recursos da administração pública?, declarou o prefeito Pedro Celso Zuchi.
Auditoria
Uma empresa de auditoria da cidade de Marília (SP) foi contratada pela prefeitura para realizar uma auditoria financeira, jurídica e administrativa no Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Parte dessa auditoria foi divulgada nessa manhã por Giovani. ?O outro complemento ainda será divulgado, pois está em análise pelo prefeito?, destacou o gestor. O relatório da auditoria tem 120 páginas.
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