
Conhecidos por desenharem, cortarem, costurarem e reformarem roupas, os alfaiates comemoram o dia da sua profissão em 6 de setembro, quando relembram as suas histórias e celebram todos os desafios profissionais já enfrentados. Em Gaspar, quem se destaca na área é Luiz Henrique Richartz, que se dedica com tanto amor à alfaiataria que leva a profissão em seu nome: ‘Luizinho Alfaiate’.
Luizinho é natural de Ilhota, tem 59 anos e descobriu seu talento ainda pequeno. Aos oito anos, ele já produzia pequenas peças. “Sempre observei minha mãe enquanto ela costurava e foi aí que comecei a aprender. Cresci e em 1972 fiz um curso de alfaiataria em Luis Alves, com um italiano que me ensinou técnicas sofisticadas de corte e custura”, conta.
Luizinho iniciou sua carreira profissional em 1974, quando trabalhou nos fundos da loja de Daniel Soares. Ele lembra que ia dormir todos os dias depois das 23h, acordava às 4h e, até às 7h, quando soava o sino da empresa Circulo, já tinha uma calça pronta. “O pessoal da Círculo costumavam dizer que eu não dormia, trabalhava noite e dia. Isso popularizou o meu nome”.
Em 1983, com a enchente, ele mudou seu atendimento para uma loja alugada no centro. “Alguns dias antes eu sonhei que o nível do rio estava aumentando e eu precisava retirar os tecidos e peças da loja antes que inundasse. E foi assim que me preparei para o acontecido. Quando de fato começou a encher, tirei tudo e levei para o posto do Julinho. Não perdi nada”, lembra, afirmando que o sonho serviu como um sinal de como não ser atingido pela enchente.
No início, Luizinho fazia apenas com roupas sob encomenda. A ideia de trabalhar com aluguéis de ternos surgiu quando assistiu a um filme que, segundo ele, também foi um sinal. “Eu trabalhava muito e quase nunca via televisão. Mas, numa noite, assisti um filme americano que contava a história de um rapaz simples, que foi convidado para um baile. Só que ele não tinha dinheiro suficiente para comprar o traje social. Então, ele foi até uma loja e pediu que o dono alugasse a roupa, pois não tinha como comprá-la”, recorda.
Além de atender em Gaspar, o alfaiate já exerceu a profissão em Presidente Getúlio e em Garuva. Mas, foi no coração do Vale do Itajaí que conquistou seu espaço e reconhecimento e se tornou referência. “Fui o primeiro da região. Atendi homens que hoje são avós dos meus atuais clientes”.
Desde 1995, Luizinho atende no mesmo endereço, na rua Coronel Aristiliano Ramos. Atualmente, sua loja conta com aproximadamente 400 trajes masculinos para adultos e crianças e uma variedade de camisas sociais, coletes, calçados, meias e cintos, cada peça cuidada com muito carinho.

Filho de Bertoldo Richartz e Adelia Rocha Richartz, Luizinho cresceu em meio a valores e princípios que influenciaram seu sucesso. Ele é casado com Maria de Souza e Silva Richatz e tem três filhas, Alini, Sabrina e Liana, que se orgulham da profissão e do comprometimento que o pai tem com a profissão. Orgulhosas, elas deixam uma mensagem ao pai: “Você nos ensinou como é importante o trabalho honesto. Sua dedicação é enorme, só não é maior que o nosso sentimento por ti. Te amamos muito. Parabéns pelo dia do alfaiate”.
A data de 6 de etembro foi escolhida para comemorar o Dia do alfaiare após a criação de leis estaduais que para homenagear aqueles que dedicam sua vida a coser o vestuário masculino. Conhecida pelo desenvolvimento de roupas sofisticadas e como uma das profissões mais antigas do mundo, a alfaiataria teve seus primeiros adeptos no Egito, Grécia e Roma, durante a Idade Média.
Após a revolução industrial, surgiu a produção de roupas em larga escala e a padronização dos vestuários, fazendo que as peças sofressem um processo de popularização. Hoje em dia, apesar de reduzido o número de profissionais nesta área, aqueles que desejam vestimentas sociais exclusivas para ocasiões especiais, ainda podem contar com o trabalho dos alfaiates, que se dedicam ao máximo para atender os desejos dos clientes.
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