Luta contra a doença: os desafios de quem enfrenta a tuberculose - Jornal Cruzeiro do Vale

Luta contra a doença: os desafios de quem enfrenta a tuberculose

24/03/2015

fotopg9abrecolorGG.jpgEnfrentar o drama de descobrir que possui uma doença e ainda lidar com o preconceito de colegas e familiares. Essa foi a situação enfrentada por M. K., 38 anos, ao descobrir que estava com tuberculose. A descoberta aconteceu em julho do ano passado, após fazer alguns exames no posto de saúde de Gaspar. ?Depois de fazer uma cirurgia, passei pelo posto e vi um cartaz sobre hepatite e tuberculose. Resolvi fazer exames, mas nunca imaginei que poderia ter tuberculose. Fiquei mais receosa pelo fato de ter hepatite?, conta.

Quando descobriu que estava com tuberculose, ela precisou ser afastada do trabalho e ficar 45 dias em casa para iniciar o tratamento. O motivo do afastamento, no entanto, não foi devido à doença e sim ao preconceito que o médico sabia que ela sofreria. ?Foi um choque muito grande. Quando descobri fui direto pesquisar na internet e vi notícias chocantes, o que me preocupou ainda mais. Pensei que meu marido e filhos poderiam estar com o vírus também?, lembra.

A família de M. K. também fez os exames, mas o resultado foi negativo. Logo após descobrir, ela iniciou o tratamento na rede municipal de saúde, que dura seis meses. Durante o tratamento, o paciente faz uso de medicações diariamente que são disponibilizadas de forma gratuita.

Dificuldades

Apesar do susto ao descobrir que estava com tuberculose, a mulher de 38 anos afirma que a pior parte da doença foi o preconceito sofrido por colegas e até mesmo familiares. ?Ainda falta muita informação às pessoas. Por isso que costumo dizer que a doença em si não é a pior parte e sim o preconceito que vem com ela?, aponta. Assim que algumas colegas de trabalho descobriram que M.K. estava com o vírus, ela sofreu preconceito no trabalho e optou por trabalhar em outro local assim que teve oportunidade.

Até mesmo alguns parentes chegaram a se afastar dela. Por causa dessa situação, ela pediu que a família não contasse a ninguém que ela estava com o vírus. ?As pessoas ainda não entendem como ocorre a transmissão do vírus e acabam achando que o doente irá passar a doença a todos ao seu redor, quando não é isso que acontece?, ressalta.

A tuberculose é uma doença infectocontagiosa, que causa lesão principalmente nos pulmões. A transmissão se dá por via respiratória, por meio da tosse, fala e espirro. Os principais sintomas são tosse por mais de três semanas, febre baixa, suor noturno, falta de apetite, perda de peso, cansaço ou dor no peito.

Município amplia ações de combate

Nesta terça-feira, dia 24, é comemorado o Dia Mundial da Luta contra a Tuberculose. No município, o Serviço de Atendimento Especializado, Sae, iniciou na segunda-feira, 23, uma campanha com o objetivo de aumentar a detecção de casos, elevar o percentual de cura e reduzir o abandono de tratamento do tuberculoso.

Nesta terça-feira, uma das ações da campanha acontece na Praça Getúlio Vargas e na Unidade de Saúde Central com a distribuição de materiais informativos e com orientações sobre a doença. Já na sexta-feira, 27, será realizado um encontro com os agentes comunitários de saúde sobre a busca ativa de pacientes com sintomas de tuberculose. A reunião acontecerá às 14h, no auditório da Policlínica Municipal.

De acordo com a coordenadora do programa DST/HIV/AIDS e Hepatites Virais, Luciana Reinert Silveira, em 2014 Gaspar teve 30 casos de tuberculose e hoje possui 22 em tratamento. ?No município, a busca por pessoas que têm o bacilo da doença ocorre nas unidades de saúde durante o ano inteiro e é intensificada no período de campanha?, destaca. 

Edição 1672
 

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