
Três dias após a morte de um homem durante uma abordagem policial no bairro Bela Vista, em Gaspar, o comandante da Polícia Militar de Gaspar, capitão Heintje Heerdt, emitiu uma Nota de Esclarecimento sobre os fatos.
A abordagem que tirou a vida de Carlos Russi, de 58 anos, aconteceu por volta das 22h de sexta-feira, 6 de janeiro, na rua Goiás.Desde o acontecido, familiares e amigos da vítima mostram sua revolta, pois acreditam que a morte é resultado de um abuso de autoridade vindo de um vizinho de Carlos, que é policial militar.
A notícia foi dada em primeira mão pela equipe do Cruzeiro do Vale e gerou diversos comentários e acessos. O conteúdo já teve mais de 30 mil visualizações e é tido pela família como uma forma de pedir justiça e punição ao culpado.
No dia em que a notícia foi postada, a redação do Cruzeiro do Vale entrou em contato com o capitão da PM, que afirmou que a viatura teria ido até o Bela Vita após ser acionada para uma ocorrência.
Confira abaixo a Nota de Esclarecimento emitida pela PM de Gaspar:
“Nota de Esclarecimento
Sobre os fatos envolvendo uma abordagem policial, onde o senhor Carlos Russi veio a falecer, informamos:
Por volta das 21hr50min do dia 06 de Janeiro de 2017, uma guarnição policial militar realizava rondas no bairro Bela Vista, quando teve sua frente cortada por um Gm/Meriva que deslocava em velocidade incompatível com a via pública. A guarnição então acompanhou o veículo suspeito, tentando abordar com o uso de avisos sonoros e luminosos, através de sirene e giroflex. O condutor não obedeceu as diversas ordens de parada, bem como tentou fechar a viatura, quase colidindo com o veículo de emergência. O condutor veio a ser abordado na rua Santo Amaro, onde o mesmo tentou entrar numa residência de um conhecido, momento em que foi imobilizado e constatado que o condutor possuía indícios de ingestão de bebida alcoólica.
Durante a abordagem do condutor, diversos familiares e amigos do condutor estiveram no local, hostilizando a atuação da guarnição policial. Em razão da aglomeração de pessoas e da tentativa de fuga do condutor, o mesmo foi algemado e colocado no compartimento traseiro da viatura, para segurança do mesmo, da guarnição e terceiros. Os policiais militares também solicitaram reforço para dar prosseguimento nas demais etapas do procedimento.
Durante este período, o condutor pediu ajuda aos policiais militares, informando que estava passando mal. Os policiais prontamente ligaram para o Corpo de Bombeiros e Samu, solicitando socorro para o abordado. Enquanto aguardavam a chegada da guarnição dos bombeiros, os policiais militares realizaram os procedimentos para reanimar o condutor, porém o mesmo não resistiu, vindo a óbito. Informações preliminares dão conta de que o motorista teria sofrido um ataque cardíaco fulminante.
Em razão do falecimento ter ocorrido durante atendimento policial, foram acionadas a Polícia Civil e o Instituto Geral de Perícias para irem ao local. O Instituto Geral de Perícias efetuou a coleta de sangue para a realização do exame toxicológico do sangue do motorista abordado. Além disto, o Comando do 18º Batalhão de Polícia Militar determinou a instauração de um Inquérito Policial Militar para apurar os fatos.
Finalmente, a Polícia Militar de Gaspar gostaria de prestar suas condolências aos familiares e amigos de Carlos Alvino Russi pela fatalidade”.
Confira abaixo a matéria completa sobre o caso:
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A morte de um homem na noite de sexta-feira, 6 de janeiro, após uma abordagem policial no bairro Bela Vista, em Gaspar, está causando revolta em familiares e amigos da vítima. A abordagem aconteceu por volta das 22h, na rua Goiás, e resultou na morte de Carlos Russi, de 58 anos, que teve um infarto durante o contato com a Polícia Militar.
O Corpo de Bombeiros de Gaspar chegou a ser acionado para atender a ocorrência. Porém, de acordo com o relatório à imprensa, a guarnição chegou ao local e encontrou Russi já sem vida.
O infarto que tirou a vida de Carlos Russi durante a abordagem policial poderia ser considerada normal, já que a vítima possuía histórico de hipertensão e cardiopatia, segundo relatório dos bombeiros. Porém, o caso é interpretado por familiares e amigos como o resultado de um abuso de autoridade vindo de um policial militar de Gaspar.
Uma amiga da família, que prefere não se identificar, conta que Carlos morava ao lado da casa de um policial militar e há cerca de cinco anos tem desentendimentos com o vizinho, que estaria trabalhando na viatura que realizou a abordagem. “A família de Carlos tem vários boletins de ocorrência registrados contra o policial por abuso de autoridade, perturbação, invasão e perseguição”, afirma.
Segundo a amiga da família, na noite em que tudo aconteceu Carlos havia saído de casa para jogar futebol e, depois de ir para casa, foi até uma lanchonete comprar um lanche. A perseguição policial teria iniciado na volta da lanchonete e Carlos parou o carro apenas quando chegou na frente da casa de parentes. Foi então que, segundo informações, o policial teria atravessado a viatura em frente ao carro de Carlos, algemando o homem e o jogado no camburão.
Neste momento, Carlos começou a passar mal e pediu seus remédios, que estavam dentro do carro. Os policiais, segundo informações, teriam ignorado o pedido e Carlos sofreu um infarto.
Ainda segundo informações, a ação foi presenciada por populares. Carlos chegou a receber os primeiros atendimentos de demais policiais que foram acionados para a ocorrência, mas não resistiu e faleceu no local.
A revolta dos amigos e da família, segundo relato da amiga de Carlos, é em relação ao abuso de autoridade sofrido pela família da vítima, que há anos tem desentendimentos com o policial. “O policial ia intimidar seu Carlos no portão da casa dele. De farda, com autoridade. Parece coisa de filme, mas é verdade. Só quem conhece a história sabe o que eles passaram e ainda vão passar. Mas o policial é autoridade, e nós não somos ninguém. Isso não podia acabar assim. O Carlos era uma pessoa muito calma e querida por todos”, desabafa.
A reportagem do Cruzeiro do Vale entrou em contato com o comandante da Polícia Militar de Gaspar, capitão Heintje Heerdt. Ele afirmou que, na noite de sexta-feira, uma viatura policial foi acionada para atender a uma ocorrência no bairro Bela Vista. Porém, como não encontraram o local do chamado, iniciaram rondas pela região para localizar a ocorrência. “Nestas buscas, um veículo cortou a frente da viatura. Diante dos fatos, a guarnição iniciou o acompanhamento do carro suspeito. O veículo realizou diversas manobras perigosas e foi abordado na rua Goiás, momento em que o condutor saiu do veículo e tentou entrar em uma residência”. Ainda segundo Heintje, os policiais algemaram Carlos ao verificar que ele tentava fugir e estava em visível estado de embriagues. “Algemamos para preservar a segurança do mesmo e impedir sua fuga. Neste momento, o condutor começou a entrar em convulsão alcoólica, vindo a sofrer um infarto”.
O capitão da PM de Gaspar afirma ainda que o caso foi encaminhado ao Comando Regional para análise de instauração de procedimento para apuração dos fatos.

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