
Mais uma morte de paciente deixa no ar queixas sobre o atendimento do Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Na sexta-feira da última semana, Lauri Andersen, 62 anos, foi atingido por uma motocicleta quando caminhava na rua Hercílio Fides Zimmermann, no bairro Margem Esquerda. Levado para o hospital de Gaspar, ele morreu às 11h50 de terça-feira, dia 18, horas após o horário previsto para uma cirurgia de correção da fratura no fêmur.
A filha de Lauri, Daniela Andersen, 21 anos, reconhece a atenção dada pelas enfermeiras durante a internação, mas relata que a família teve contato com o médico apenas duas vezes, nas manhãs de sexta e sábado. Ainda na sexta, uma tomografia estava marcada em Brusque, mas, segundo ela, não foi realizada por um atraso na saída da ambulância. Com isso, o procedimento só foi realizado na segunda, 17, o que retardou a cirurgia, marcada apenas para terça. ?Ainda no fim de semana, conseguimos ambulância e leito em Blumenau, mas o médico não nos deixou transferi-lo, disse que não havia necessidade?, conta.
A cirurgia foi confirmada para a terça de manhã, às 9h. Já depois das 11h, o médico chamou a filha, que aguardava, e a informou que o pai havia morrido depois de uma parada respiratória. ?Depois de receber a notícia, surgiu a dúvida se a cirurgia tinha mesmo sido feita. Fomos até o necrotério e o corpo não tinha qualquer corte, só as escoriações do acidente. Pensamos que ele pode ter ficado desassistido enquanto esperava. É isso que nos revolta, não saber o que aconteceu?, diz a filha.
Contraponto
A família pensou em processar o hospital, mas decidiu não fazê-lo após a orientação de advogados, que citaram a existência de outros processos contra a instituição. O corpo de Lauri foi cremado na tarde de quarta-feira. Durante a semana, o hospital havia informado apenas que o paciente teve uma piora no quadro e morreu com causa desconhecida. O IML foi chamado para avaliar a causa da morte. O laudo, segundo a família, apontou tromboembolia pulmonar, uma espécie de coágulo que bloqueia a artéria do pulmão. A reportagem do Cruzeiro do Vale tentou contato com a diretoria-clínica do hospital, mas até o início da noite desta quinta os responsáveis não haviam atendido às ligações.
Edição 1642
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