Após duas reuniões e debates acalorados, a Associação Amigos da Dança de Gaspar e o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, CMDCA, chegaram a um acordo durante esta semana sobre o projeto de dança protocolado pela entidade. Na manhã dessa quinta-feira, dia 14, alguns conselheiros do CMDCA se reuniram com a presidente da associação, Giovana Hostert, e com a advogada Maria Salete Schmitt para tentar esclarecer as supostas irregularidades do projeto e encontrar soluções para que os bailarinos do município não sejam prejudicados.
Ficou definido que um novo projeto deverá ser elaborado e colocado em votação já na próxima plenária do CMDCA, marcada para o dia 9 de junho. O projeto de dança, que previa um repasse de R$ 445.500,00 em três anos ao grupo, proveniente do Fundo da Infância e Adolescência, FIA, chegou a ser aprovado em março e até publicado no Diário Oficial da União, mas foi revisto e rejeitado em uma sessão extraordinária poucas semanas depois.
Novo projeto
Durante a reunião, um dos conselheiros, Jean Carlos de Oliveira, afirmou que o projeto já apresentado não poderia ser aprovado de forma alguma, já que, além dos problemas já expostos, o atual projeto poderia trazer dificuldades no momento em que a entidade fizesse a prestação de contas semestral. ?Volto a dizer que, da maneira como está, isso não é um projeto e sim um documento que prevê a manutenção daquilo que a entidade já vem realizando?, ressalta.
Além disso, Jean apontou que o FIA financia projetos que dão a liberdade de qualquer criança participar. No apresentado pela associação isso não teria ficado claro, pelo contrário, dando a entender que ela busca recursos para atender as 50 crianças já pré-definidas pela entidade. A presidente da associação, Giovana Hostert, destacou que qualquer criança ou adolescente que tenha interesse pode participar do grupo, sendo que todos os participantes são encaminhados pelas escolas que também possuem aulas de dança. ?Damos total liberdade aos interessados. Apenas limitamos o número a 50 porque é o que a nossa estrutura atual permite?, justifica.
Falta de orientação
Os conselheiros e a presidente da entidade discutiram os principais pontos a serem modificados no projeto. Segundo Giovana, a Associação Amigos da Dança deixou de especificar algumas questões no projeto somente porque não foi orientada de maneira correta pelo CMDCA. ?Eu lamento muito que durante os cinco meses em que o projeto ficou parado no conselho nós não tivemos uma conversa para esclarecer pontos necessários. Faltou orientação por parte do CMDCA?, afirma.
Para se conseguir concluir o projeto a tempo da próxima plenária, a advogada da associação, Maria Salete Schmitt, orientou que seja feito um projeto que financie o grupo apenas este ano, sendo que outro será feito para receber a verba do FIA no ano que vem.
Plenária quente
Na terça-feira, 12, o CMDCA e a associação já haviam se reunido durante uma plenária no Fórum, que contou ainda com a participação de dezenas de pais e alunos do grupo de dança. Na pauta da reunião estava a votação do ofício da Associação Amigos da Dança, que pedia a reconsideração do projeto. A reconsideração foi a primeira a ser votada pelos conselheiros, que, por unanimidade, decidiram não reconsiderá-lo, afirmando que um novo projeto teria que ser elaborado. O resultado da votação acalorou os ânimos na sala de reunião. Após diversos questionamentos dos pais e professores de dança, os conselheiros marcaram a reunião já realizada na quinta-feira. Ainda durante a plenária, o conselho admitiu que errou ao não inscrever a entidade no CMDCA, fator necessário para ela receber os recursos do FIA. O pedido da inscrição havia sido protocolado pela associação, mas o conselho não chegou a colocá-lo em votação.
Ediçaõ 1687
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