Por Ana C.Bernardes
Você já parou para contar quanto tempo precisa esperar até conseguir atravessar uma rua usando a faixa de pedestre? Na tarde de quarta-feira, dia 5, percorri algumas ruas da cidade, onde a movimentação de veículos é maior, para cronometrar o tempo de espera em uma faixa de pedestre. Após utilizar 12 faixas instaladas em locais da região central, cheguei à conclusão de que grande parte dos motoristas que transitam por Gaspar são educados no trânsito. Porém, ainda há aqueles que insistem em desrespeitar os pedestres e colocá-los em perigo devido à pressa e à falta de atenção.
TRAJETO
Às 16h15, saí da sede do Jornal Cruzeiro do Vale, na rua Coronel Aristiliano Ramos, no Centro, e encontrei a primeira faixa do meu roteiro a poucos metros, na ponte Hercílio Deeke. A travessia foi rápida. Esperei apenas dois segundos. Passei pela ponte e segui até a rotatória, na Margem Esquerda. A segunda faixa de pedestres que utilizei foi a da rua Hercílio Fides Zimmermann, em frente à rotatória. Fiquei oito segundos esperando para completar a travessia.
Voltei à rua Coronel Aristiliano Ramos e segui para a Anfilóquio Nunes Pires. Utilizei a faixa de pedestres localizada em frente à Padaria Pão de Mel. O tempo de espera foi de nove segundos. Os carros que seguiam sentido Blumenau pararam e me deram a vez. Entretanto, aqueles que transitavam no sentido contrário demoraram a fazer o mesmo. Parei na metade da faixa e esperei até conseguir completar a travessia neste tempo. Na volta, tentei atravessar na faixa de pedestre em frente à Lanchonete Trilhos. Mais uma vez, os motoristas foram educados e logo pararam, mesmo com o grande número de veículos que passam por ali. Levei apenas dois segundos.
PERIGO
Atravessei a ponte da rua Mário Vanzuita, no Centro, próxima ao Auto Posto Julinho, e esperei para atravessar na faixa em frente à subida do Morro da Igreja Matriz. Esperei por demorados 13 segundos até conseguir realizar metade da travessia. Parei no meio da faixa de segurança e tive que esperar dois carros passarem sem dar importância à minha travessia. O terceiro me deixou concluí-la. Foram mais quatro segundos, totalizando 17 segundos de espera. Senti-me insegura ao atravessar nesse local. Além do desrespeito dos motoristas, a visibilidade não é muito boa, já que existe uma curva poucos metros antes.
Andei alguns metros pela rua até chegar à faixa que antecede o viaduto da Avenida das Comunidade. A travessia foi tranquila e precisei esperar somente dois segundos. Voltei à rua Coronel Aristiliano Ramos, onde, novamente, atravessar foi um desafio. Esperei 15 segundos para atravessar apenas metade da faixa em frente à sorveteria da ponte, no cruzamento entre veículos que vão para a Margem Esquerda ou sentido Avenida das Comunidades. A outra metade levou mais três, o que totaliza 18 segundos de espera. No local, o fluxo de veículos é intenso e a pressa leva os motoristas a colocar em risco o pedestre. Além disso, a faixa de pedestre está com a pintura bastante gasta.
AVENIDA DAS COMUNIDADES
Apesar do grande fluxo de veículos que transitam diariamente na Avenida das Comunidades, a travessia de pedestres pode ser considerada tranquila. Esperei na faixa em frente ao Aviário Avenida. Dois carros passaram sem parar, mas o terceiro me deu a vez. Esperei por cinco segundos. Mais em frente, na faixa de segurança em frente ao Djeizon Automóveis, esperei dois carros passarem para conseguir atravessar a primeira metade, o que demorou cinco segundos. Na outra metade esperei mais quatro segundos. O total foi de nove segundos.
Como pedestre, acredito que a pior parte é não conseguir concluir a travessia em uma faixa de uma só vez, principalmente porque, de acordo com o artigo 70 do Código Brasileiro de Trânsito, ?os pedestres que estiverem atravessando a via sobre as faixas delimitadas para esse fim terão prioridade de passagem, exceto nos locais com sinalização semafórica, onde deverão ser respeitadas as disposições deste Código?.
RETORNO
Antes de voltar à redação do jornal, utilizei a faixa de pedestre em frente à Padaria Sete de Setembro. Foram cinco segundos de espera. Mais uma vez, a falta de visibilidade foi uma dificuldade encontrada no local. Como os carros estão estacionados muito próximos à faixa, os motoristas nem sempre conseguem ver que há pedestres esperando para atravessar a rua. Retornei pela rua São José para usar a faixa em frente ao Colégio Madre Francisca Lampel, que levou 10 segundos de espera. Mais de seis carros passaram sem me dar a vez. Por último, utilizei a faixa de pedestre em frente à Praça Getúlio Vargas. Como a velocidade dos veículos é baixa neste local, tive que esperar por apenas um segundo.
A VEZ É DO PEDESTRE
Inúmeras vezes passei pela cidade e vi pedestres atravessando em qualquer lugar, sem utilizar a faixa que, em muitos casos, estava a poucos metros de distância. Durante a minha análise nas faixas da cidade, inclusive, vi seis destes casos. Porém, existem aqueles que respeitam as normas de trânsito e atravessam apenas na faixa de pedestre, que, na teoria, deveria oferecer segurança aos que utilizam. No entanto, isso nem sempre acontece. Toda vez que um pedestre utiliza a faixa e um motorista para, fazendo com que ele possa realizar a travessia tranquilamente, existe a troca de respeito de ambas as partes. Os dois estão fazendo o certo. Quando não há reciprocidade, não é possível existir respeito e paz no trânsito. Por sorte, vivemos em um município onde alguns costumes ainda são seguidos por grande parte da população.
GESTO COMO SINAL
A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou nesta semana o projeto que determina que os pedestres adotem o gesto com o braço estendido para solicitar a parada dos veículos e, assim, atravessar com segurança. O texto volta à Câmara de Deputados para ser examinado, mas, caso a prática for aprovada, passará a ser norma do Código de Trânsito Brasileiro e deverá ser seguida por todos os pedestres. O método já foi adotado em Brasília e mostrou-se eficaz.
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DEMORADAS Faixa da Sorveteria da Ponte, na rua Coronel Aristiliano Ramos: 18 segundos Faixa em frente à subida do Morro da Igreja Matriz, na rua Mário Vanzuita: 17 segundos |
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MÉDIAS Travessias médias Faixa do Colégio Madre Francisca Lampel, na rua São José: 10 segundos Faixas da Padaria Pão de Mel e Djeizon Automóveis: 9 segundos cada Faixa da rotatória da Ponte Hercílio Deeke: 8 segundos Faixas do Aviário Avenida e Padaria Sete de Setembro: 5 segundos cada |
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RÁPIDAS Faixa da Praça Getúlio Vargas: 1 segundo Faixa do Viaduto da Avenida das Comunidades, Lanchonete Trilhos e Ponte Hercílio Deeke, no Centro: 2 segundos |
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