Por que existem tantas salas comerciais para alugar no Centro de Gaspar? - Jornal Cruzeiro do Vale

Por que existem tantas salas comerciais para alugar no Centro de Gaspar?

10/02/2017
Por que existem tantas salas comerciais para alugar no Centro de Gaspar?
Por Geraldo Genovez 

Situações que não eram comuns há algum tempo hoje podem ser vistas com mais frequência. Isso se encaixa a quantidade de pontos comerciais para alugar ou vender em Gaspar. Espaços vazios para abrir um novo empreendimento hoje são maioria, inclusive no Centro da cidade, região movimentada e considerada por muitos a mais propícia para empreender. Um exemplo disso, é a rua Industrial José Beduschi, onde as placas ‘Aluga-se’ e ‘Vende-se’ se destacam em meio a poucos comércios abertos. Das 15 construções destinadas a pontos comerciais nesta rua, sete estão inativos.

Cilda Maria Schmitz Knuth é proprietária de um dos prédios disponíveis para aluguel naquela rua. Para ela, a situação econômica estabelecida no país há alguns anos reflete, agora, nas pequenas e médias cidades. “Acredito que isso seja fruto do nosso cenário nacional. Minha família tem o prédio há 20 anos e sempre foi muito fácil encontrar inquilinos. De uns tempos pra cá, está mais complicado e demorado para fechar negócios com empresários”. Apesar da dificuldade, Cilda acredita que a situação tende a melhorar.

Em Gaspar

A realidade política do Brasil também foi citada por Carlos Roberto Pereira, secretário municipal de Administração e Gestão. Ele explica que, atualmente, existem 5.625 empresas em Gaspar. “Não considero o número baixo. Se verificarmos o comparativo dos últimos anos, não há uma tendência de recessão empresarial em nosso município. Entretanto, a instabilidade econômica do país nos preocupa”, revela. Por esse motivo, o Executivo Municipal vem tomando algumas decisões importantes. “Estamos adotando medidas de estímulo à economia. Nas próximas semanas, devemos apresentar reformas legislativas que visam criar um solo fértil para atividade empresarial em nosso município”, conta.

De acordo com o secretário, em 2015 fecharam 149 estabelecimentos comerciais na cidade. E, no ano passado foram 222. Os dados foram providenciados pela nova gestão municipal, uma vez que a antiga havia pedido. 

Fortalecimento do comércio

De acordo com a presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Gaspar, Katiani Zimmermann de Oliveira, incentivar os comerciantes a investirem na cidade faz parte da sua gestão. “Vamos fortalecer as campanhas já existentes no nosso comércio e também criaremos novas para fomentar a economia do município. Investiremos em mídia para divulgar todos os eventos que o comércio vai promover. Apoiaremos os eventos promovidos pela Prefeitura Municipal de Gaspar e traremos mais cursos e palestras, pois acreditamos que qualificando empresários e colaboradores as empresas melhoram sua gestão”, revela a presidente.

Apesar do grande número de salas comerciais vazias, Katiani destaca que Gaspar tem potencial muito grande.

“Atualmente, o comércio da cidade oferece uma diversidade muito grande de lojistas, que sempre buscam uma variedade de produtos para o seu cliente”.

Dados

Atualmente, a CDL conta com cerca de 280 empresas associadas. Segundo dados repassados pelo Gestor Executivo da entidade, Jefferson Schramm, cinco associados da CDL encerraram suas atividades em 2016 e, nos primeiros dias de 2017, dois. “Só contabilizamos a entrada e saída de empresas associadas, mas há ainda muitas outras no município”, explica Jefferson. 

Principais dificuldades

Segundo Nelson Mário Kustner, presidente da Associação Empresarial de Gaspar, ACIG, um problema desencadeia outros no que diz respeito a abertura e fechamento de empresas. “Entre as dificuldades, podemos destacar a falta de capital de giro, proporcionado por fatores específicos: o esgotamento dos recursos próprios, que é utilizado para manter os negócios nesses tempos de crise; falta de financiamento de capital de giro a custo acessível e; o mais grave, que é a cultura de financiar os atacadistas e varejistas do setor”.

Nelson ainda ressalta que, nos últimos anos, não houve muitas mudanças. “Nossos empresários vivem seu mundo individual e concorrem somente na porta do cliente. Ou seja, na competição de preço e condições na hora da venda, quando deveriam estar unidos na origem, formando núcleo de empresários por segmento, trazendo grandes vantagens coletivas na origem formando um capital de ganhos individual e coletivo”.



Para o presidente da ACIG, participar de núcleo por segmento ou atividade é uma forma de aperfeiçoamento continuado. “Não tem universidade que proporcione conhecimento e aprendizado desenvolvido a partir da união de pessoas com o mesmo objetivo”, reitera.

Movimentação no Mercado Imobiliário cai

De acordo com o Coordenador do Núcleo Setorial Imobiliário de Gaspar, Fábio Marcelino de Souza, as vendas e locações decaíram em relação a 2015 e 2016. “Houve uma queda bastante acentuada na venda de imóveis, como também na locação. Mas, apesar dos fechamentos de negócios estarem tímidos, o mercado imobiliário da cidade está reagindo”.

Ainda segundo análise de Fábio, o problema tende a ser resolvido no segundo semestre de 2017. “Este ano o poder público vem de encontro com as necessidades dos empreendedores, o que tem ajudado bastante na aprovação de projetos. Deveremos trabalhar com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Câmara de Vereadores, a fim de terminar a revisão do Plano Diretor. Aí, sim, o município começará a se desenvolver”, conclui.

 

Edição 1787

Comentários

Alessandro
13/02/2017 07:13
Os valores estão bem alto. Porém os donos dos imóveis não querem saber de negociar. Não baixam os valores. Falam tanto em crise mas não são capazes de diminuir os aluguéis. Não é só em Gaspar que está assim. Em todas cidades está ocorrendo este efeito. Enquanto não diminuírem os valores, vão continuar fechados a não ser uma empresa que tenha 'cacique' para pagar. Ah, ratificando: a crise no Brasil tem mais que 500 anos!
Maristela
11/02/2017 15:45
Aluguel caro, falta de estacionamento e atendimento ruim. Horários do comércio de rua em todas as cidades não atendem a demanda e já tive situação com comércio desta rua que me foi negada a nota/cupom fiscal. Isto é péssimo. Os preços são maiores que no shopping onde encontramos comodidade, segurança, bom atendimento e nota fiscal. Em Gaspar por exemplo, não há muitas opções de almoço, não há variedade, o comércio tem abrindo as 9, fechado ao meio dia e as 18, o comerciante sai correndo. Isto é atendimento e prejudica a manutenção do comércio. Outra coisa, preço no cartão é igual do crediário(também nesta mesma rua), trânsito entupido em qualquer horário do dia. Isto está ocorrendo em todas as cidades que tem próximo opção de shopping. Blumenau não está diferente.
Carlos Eduardo Lima
11/02/2017 08:40
Olha só o que acontece á a centralização aponte quantas lojas na rua central estão fechadas. Quem são os proprietários ? Agora aponte os valores de aluguéis na rua central e após calcule o valor de aluguéis nas demais ruas, a cidade não vai crescer se não descentralizar, ha muitas salas muito melhores em outras ruas, mas não ha incentivo para que a cidade cresça como um todo.
Eduardo Arend
10/02/2017 23:11
O que ocorre muitas vezes é que além de alugueis salgados, tem muitos imóveis, inclusive nesta rua da matéria em questão que estao defasados no quesito extrutural e muito mal conservados. Cultura essa que se repete na cidade se o proprietário apenas retirao o capital do imovel e não reinvesti-lo em melhorias. Inquilino é parceiro... se ele vai bem, a garantia de longevidade no aluguel também ocorre. E existem muitas salas com precos acessiveis e com boas condicoes de negociação. O que deveria mudar um pouco é a cultura de todas as lojas ficarem amontoadas em 3 ruas da cidade. A impressão que se tem é que Gaspar se resume ao micro centro. Temos que pulverisar os negocios na cidade possivilitando o crescimento e desenvolvimento de mais areas.
Luiz Carlos
10/02/2017 15:16
Neste momento, o bom senso do proprietário do imóvel, deveria prevalecer.
Se eu tenho um inquilino, devo visualizar a situação do país neste momento, e chegar a um acordo para futuro, ao invés de penalizar o inquilino.
Muitos e não são poucos, preferem deixar o imóvel fechado do que negociar o mesmo valor para mais seis meses (ou mais meses)e ter este ganho se deterioração, isto é, vazio.
enquanto permanecer a cultura do GANHAR A CURTO PRAZO, estarão fadados a ter seus imóveis fechados.
Digo isto com conhecimento de causa.
Pouco no longo prazo é o que mantém a estrutura de que quem está preparado para as crises.
Crises: SEMPRE TIVEMOS E TEREMOS, esta não será diferente, veio e irá embora.
Antonio Medeiros
10/02/2017 12:58
Os preços do aluguéis estão um absurdo, proprietários não baixam, fica impossível pagar entre R$ 7.000,00 e R$ 12.000,00 de aluguel em um momento de crise que passamos.

Se ninguém ceder, infelizmente mais lojas vão fechar.

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