
Situações que não eram comuns há algum tempo hoje podem ser vistas com mais frequência. Isso se encaixa a quantidade de pontos comerciais para alugar ou vender em Gaspar. Espaços vazios para abrir um novo empreendimento hoje são maioria, inclusive no Centro da cidade, região movimentada e considerada por muitos a mais propícia para empreender. Um exemplo disso, é a rua Industrial José Beduschi, onde as placas ‘Aluga-se’ e ‘Vende-se’ se destacam em meio a poucos comércios abertos. Das 15 construções destinadas a pontos comerciais nesta rua, sete estão inativos.
Cilda Maria Schmitz Knuth é proprietária de um dos prédios disponíveis para aluguel naquela rua. Para ela, a situação econômica estabelecida no país há alguns anos reflete, agora, nas pequenas e médias cidades. “Acredito que isso seja fruto do nosso cenário nacional. Minha família tem o prédio há 20 anos e sempre foi muito fácil encontrar inquilinos. De uns tempos pra cá, está mais complicado e demorado para fechar negócios com empresários”. Apesar da dificuldade, Cilda acredita que a situação tende a melhorar.
A realidade política do Brasil também foi citada por Carlos Roberto Pereira, secretário municipal de Administração e Gestão. Ele explica que, atualmente, existem 5.625 empresas em Gaspar. “Não considero o número baixo. Se verificarmos o comparativo dos últimos anos, não há uma tendência de recessão empresarial em nosso município. Entretanto, a instabilidade econômica do país nos preocupa”, revela. Por esse motivo, o Executivo Municipal vem tomando algumas decisões importantes. “Estamos adotando medidas de estímulo à economia. Nas próximas semanas, devemos apresentar reformas legislativas que visam criar um solo fértil para atividade empresarial em nosso município”, conta.
De acordo com o secretário, em 2015 fecharam 149 estabelecimentos comerciais na cidade. E, no ano passado foram 222. Os dados foram providenciados pela nova gestão municipal, uma vez que a antiga havia pedido.
De acordo com a presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Gaspar, Katiani Zimmermann de Oliveira, incentivar os comerciantes a investirem na cidade faz parte da sua gestão. “Vamos fortalecer as campanhas já existentes no nosso comércio e também criaremos novas para fomentar a economia do município. Investiremos em mídia para divulgar todos os eventos que o comércio vai promover. Apoiaremos os eventos promovidos pela Prefeitura Municipal de Gaspar e traremos mais cursos e palestras, pois acreditamos que qualificando empresários e colaboradores as empresas melhoram sua gestão”, revela a presidente.
Apesar do grande número de salas comerciais vazias, Katiani destaca que Gaspar tem potencial muito grande.
“Atualmente, o comércio da cidade oferece uma diversidade muito grande de lojistas, que sempre buscam uma variedade de produtos para o seu cliente”.
Atualmente, a CDL conta com cerca de 280 empresas associadas. Segundo dados repassados pelo Gestor Executivo da entidade, Jefferson Schramm, cinco associados da CDL encerraram suas atividades em 2016 e, nos primeiros dias de 2017, dois. “Só contabilizamos a entrada e saída de empresas associadas, mas há ainda muitas outras no município”, explica Jefferson.
Segundo Nelson Mário Kustner, presidente da Associação Empresarial de Gaspar, ACIG, um problema desencadeia outros no que diz respeito a abertura e fechamento de empresas. “Entre as dificuldades, podemos destacar a falta de capital de giro, proporcionado por fatores específicos: o esgotamento dos recursos próprios, que é utilizado para manter os negócios nesses tempos de crise; falta de financiamento de capital de giro a custo acessível e; o mais grave, que é a cultura de financiar os atacadistas e varejistas do setor”.
Nelson ainda ressalta que, nos últimos anos, não houve muitas mudanças. “Nossos empresários vivem seu mundo individual e concorrem somente na porta do cliente. Ou seja, na competição de preço e condições na hora da venda, quando deveriam estar unidos na origem, formando núcleo de empresários por segmento, trazendo grandes vantagens coletivas na origem formando um capital de ganhos individual e coletivo”.
Para o presidente da ACIG, participar de núcleo por segmento ou atividade é uma forma de aperfeiçoamento continuado. “Não tem universidade que proporcione conhecimento e aprendizado desenvolvido a partir da união de pessoas com o mesmo objetivo”, reitera.
De acordo com o Coordenador do Núcleo Setorial Imobiliário de Gaspar, Fábio Marcelino de Souza, as vendas e locações decaíram em relação a 2015 e 2016. “Houve uma queda bastante acentuada na venda de imóveis, como também na locação. Mas, apesar dos fechamentos de negócios estarem tímidos, o mercado imobiliário da cidade está reagindo”.
Ainda segundo análise de Fábio, o problema tende a ser resolvido no segundo semestre de 2017. “Este ano o poder público vem de encontro com as necessidades dos empreendedores, o que tem ajudado bastante na aprovação de projetos. Deveremos trabalhar com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Câmara de Vereadores, a fim de terminar a revisão do Plano Diretor. Aí, sim, o município começará a se desenvolver”, conclui.

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