
Em dias de chuva, lama. Em dias de sol, poeira. Essa é a realidade dos moradores do Baú Baixo, em Ilhota.
Elaine Bach Andrade tem 37 anos e mora há dois anos naquela região. Ela afirma que, desde o início de outubro, o caminhão pipa não passa mais para molhar a rua e a poeira é tanta que os moradores não podem deixar sequer a casa aberta durante o dia. “A situação está insustentável. Antes, a gente ligava e em um ou dois dias eles passavam molhando a rua. Agora, não estão nem aí pra gente. Até falaram que não vão mais molhar a rua esse ano, que devemos esperar até janeiro do ano que vem. Como vamos esperar tanto tempo assim”.
A moradora reside na casa de número 984 com o marido e o filho. Ela conta que trabalha com a família na facção em sua casa e que não consegue deixar a janela do ambiente de trabalho aberta. “Peço para ninguém ir trabalhar de roupa branca porque a quantidade de pó é enorme. Temos que deixar tudo fechado. Enquanto não fica muito calor é tranquilo. Mas, e quando o verão começar realmente?”, interroga Elaine, indignada.
Outra moradora revoltada com a situação é Idalete dos Santos, de 43 anos. “Nos sentimos totalmente desprezados. A atual administração fez um calçamento em frente a várias casas e a frente da nossa não estava inclusa na obra. Na época, procuramos a Secretaria de Obras e eles afirmaram que não iriam deixar de molhar. E agora, dizem que temos que esperar até o ano que vem”.
Ainda segundo Idalete, o fluxo de veículos que passam pela estrada diariamente é grande. “Essa não é uma rua qualquer. É uma estrada feral. Depois da minha casa existem seis serrarias, e todas têm caminhões. Dá até para se afogar com tanta poeira”, conta. Assim como Elaine, Idalete afirma que também precisa deixar a casa totalmente fechada para que a poeira não se alastre por todos os cômodos.
O secretário de Obras de Ilhota, Thiago Debarba, esclarece que a prefeitura municipal não vai fazer o serviço até o fim do ano por conta dos cortes de gastos. “Nós estamos cientes de todas as reclamações e, sim, não estamos molhando as vias. Utilizávamos dois caminhões-pipa para o serviço, mas um era terceirizado e devolvemos. O outro, que é nosso, está estragado. Decidimos por devolver um dos veículos e não pagar pelo conserto do outro por falta de dinheiro”, explica.

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