
Acordar às cinco horas da manhã todos os dias para ordenhar as vacas. Colocá-las de 12 em 12 na ordenhadeira canalizada e repetir a ação até que as 35 vacas de leite da fazenda tenham sido ordenhadas. Essa é a rotina diária de Marco Aurélio Gamborgi, produtor de leite em Gaspar.
O trabalho árduo de produtor de leite está na família há bastante tempo. Começou com os pais de Marco, Milton e Léia Gamborgi, no ano de 1968, na cidade de Lages, quando a bebida ainda era entregue direto ao consumidor, de porta em porta. Alguns anos mais tarde, a família se mudou para Gaspar e continuou com o ofício no município. Em 2010 Milton decidiu que era hora de parar com o negócio Foi então que o filho Marco abandonou a carreira de jornalista e assumiu a fazenda da família. “Comprei as vacas dele, aluguei a propriedade e trabalho aqui desde então. Mas meu pai continua me ajudando”, comenta Marco.
Ao todo, a fazenda da família Gamborgi tem cerca de 90 cabeças de gado, entre vacas produzindo e esperando para parir. Destas, 35 são para ordenha. “Nossas vacas são da raça Holandesa e algumas Holandesas cruzadas com Jersey. Essas raças são europeias, sofrem um pouco no nosso verão, só que são as vacas que mais produzem leite em absoluto no mundo inteiro”, destaca.
A ordenha das vacas acontece duas vezes ao dia: uma às 5h e outras às 17h. “Essa é mais ou menos a nossa rotina. Faz um ano que não tenho mais funcionários, então eu faço todo o serviço sozinho”. Marco ainda conta que, por dia, uma vaca chega a dar 25 litros de leite, o que ele considera uma boa quantidade para a forma como conduz o trabalho. “É um número bom para o nosso sistema, que não é tão intensivo. Tenho vacas que foram vendidas pra um produtor de Presidente Getúlio e estão dando cerca de 40 litros de leite por dia. Aqui elas davam de 25 a 30 litros”, compara.
Por ano, a fazenda gasparense produz 200 mil litros de leite, que são vendidos para a empresa Chocoleite, de Jaraguá do Sul.
Os Gamborgi também fazem a criação do próprio gado. “A gente faz o ciclo completo. Nossas vacas são todas crias daqui e eu vendo bastante também. O pessoal gosta da nossa linhagem. Uma vaca dá entre seis e sete crias durante a vida. Ela é uma trabalhadora que tem dois meses de férias por ano”, explica Marco, destacando que o grande desafio do setor produtor de leite hoje é a reprodução. “Temos um veterinário que nos acompanha. Trabalhamos com reprodução assistida pra garantir o máximo de vacas prenhas por ano”.
Marco é jornalista por formação e apaixonado por fotografia, mas optou dar continuidade no trabalho que o pai desenvolveu por tantos anos. Com a filha Helena, de pouco mais de um ano nos braços, ele fala que um dos maiores privilégios de trabalhar em casa é a proximidade com a família. “Meus filhos sempre vêm me visitar quanto eu tô trabalhando. Eu acho que a grande vantagem da vida no campo é qualidade de vida. Não ganhamos tanto, mas continuamos vivendo igual. Eu acho que vale cada gota de suor derramado”.
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