Profissões superam adversidades de mercado e se reinventam - Jornal Cruzeiro do Vale

Profissões superam adversidades de mercado e se reinventam

19/06/2015

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Por Thiago Moraes

Antes da atual vida moderna, muita gente trabalhou - ou ainda trabalha - duro em profissões apontadas como em declínio. Convivendo com novas tecnologias criadas diariamente para facilitar o dia a dia das pessoas, profissionais que exercem ofício em trabalhos conceituados como superados adotam novas estratégias e se reinventam para manter a atividade em alta.

É o caso das famosas sapatarias, que são sempre um refúgio para consertos e reparos em sapatos, cintos, malas, bolsas, além de fabricação de sapatos em números não encontrados no mercado tradicional. Com uma loja em Gaspar há mais de 70 anos, a sapataria Elias Foppa, situada na rua Itajaí, ainda registra boa procura pelos serviços prestados. ?O movimento está bom, pois sempre há aqueles que precisam de um conserto ou de uma fabricação de um calçado com um número especial?, relata Elias, de 53 anos, e com 40 anos de profissão. ?Porém, temos de ficar sempre atentos ao mercado, implantando formas de segurança para a loja, como faço hoje, cobrando adiantado pelo serviço solicitado?, complementa.

Trabalhando também no segmento de sapataria, o casal Simão Raimundo e Noeli Becker concorda que a concorrência é dura, e que é preciso buscar mecanismos para enfrentar a forte tecnologia e a abertura de novas frentes de atuação do mercado. Com 56 anos e 45 de profissão, Simão observa que o custo para manter uma sapataria está ficando inviável, pois há gastos como aluguel de sala, luz, água, mão de obra, equipamentos e impostos. ?Deveria haver incentivo por parte dos governos para a manutenção dessas profissões tão importantes a sociedade como um todo?, defende.

fotopg10abre1GG.jpgAdaptações

Melhorando a qualidade de vida e o trabalho da população, máquinas substituem serviços que antes eram prestados manualmente e, à primeira vista, parecem deixar profissões como arquivista, engraxate e sapateiro mais perto do passado.  ?Minha profissão hoje não tem mais aquele legado de o pai passar o negócio para o filho, devido ao risco de extinção. Encontrar profissionais capacitados para o serviço é um fator contrário também, devido ao desinteresse dos jovens pela profissão?, argumenta Simão.

De acordo com o casal, no caso do sapateiro, por exemplo, o serviço precisou ser reinventado e, hoje, além de consertar calçados, cuida de acessórios como bolsas, cintos, entre outros itens que trazem mais clientes e diversificam a procura.

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A vez do parto humanizado

fotopg10retrancaanasteilfotografiaGG.jpgA chamada doula, psicóloga e educadora perinatal, tem ganhado evidência e procura entre gestantes que escolhem dar à luz com o parto humanizado. Curiosamente, embora a atuação seja bem mais ampla, essas profissionais preenchem parte das lacunas deixadas pelas chamadas parteiras, categoria que também perdeu espaço após o avanço da medicina obstetrícia e neonatal.

O caminho da doula coloca a mulher como protagonista, respeitando todas as escolhas dela, a começar pelo local onde quer ter o filho, se no hospital, em casa, se for uma gestação de baixo risco, ou numa casa de parto. A mulher define a posição mais confortável e a quantidade de acompanhantes.

Raquel de Bortoli da Costa reside em Brusque e trabalha como doula em cidades do Vale do Itajaí e demais regiões. Ela conta que o acompanhamento da profissional se dá durante a gestação com informações sobre a gravidez, no parto com o processo escolhido, e após o parto, com exercícios de dilatação, massagens e de rotação. ?Existem cursos para o exercício de doula, em estados como Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, com duração de até um mês?, conta Raquel, que tem ministrado cursos sobre a profissão em SC.

No parto humanizado, a mãe tem o direito de ter um contato precoce com o bebê na primeira hora de vida. Informações sobre indicações de cesarianas também são encontradas no serviço das doulas.

 

Crédito foto parto humanizado: Ana Steil Fotografia

 

Edição: 1697 

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