
Com o objetivo de cuidar dos biomas brasileiros e promover relações fraternas com a vida e a cultura dos povos, a Igreja Católica do Brasil promove a Campanha da Fraternidade 2017, a partir desta quarta-feira de cinzas, 1º de março, com o tema “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” e o lema “Cultivar e guardar a criação”. A ideia é unir as comunidades com ações pastorais em todas as regiões do Brasil durante todo o ano.
Entre os propósitos da campanha estão oito pilares. O primeiro diz respeito ao aprofundamento do conhecimento de cada bioma, de suas belezas, de seus significados e importância para a vida no planeta, particularmente para o povo brasileiro. Já o segundo, fala sobre conhecer melhor e nos comprometer com as populações originárias, reconhecer seus direitos, sua pertença ao povo brasileiro, respeitando sua história, suas culturas, seus territórios e seu modo específico de viver.
Além disso, o objetivo é reforçar o compromisso com a biodiversidade, os solos, as águas, nossas paisagens e o clima variado e rico que abrange o chamado território brasileiro; compreender o impacto das grandes concentrações populacionais sobre o bioma em que se insere; e manter a articulação com outras igrejas, organizações da sociedade civil, centros de pesquisa e todas as pessoas de boa vontade que querem a preservação das riquezas naturais e o bem-estar do povo brasileiro.
A lista de metas para esse ano ainda contemplam o compromisso das autoridades públicas para assumir a responsabilidade sobre o meio ambiente e a defesa desses povos; a contribuição para a construção de um novo paradigma econômico ecológico que atenda às necessidades de todas as pessoas e famílias, respeitando a natureza; e a compreenção do desafio da conversão ecológica.
De acordo com Dom Leonardo Ulrich Steiner, Bispo Auxiliar de Brasília e Secretário-Geral da Conferência Nacional de Bispos do Brasil, o tema e o lema desse ano são inspirados no texto do Livro Génesis 2,15: Cultivar e guardar a criação. “A campanha deseja, antes de tudo, levar à admiração, para que todo o cristão seja um cultivador e guardador da obra criada. Tocados pela magnanimidade e bondade dos biomas, seremos conduzidos à conversão, isto é, a cultivar e a guardar. A depredação dos biomas é a manifestação da crise ecológica que pede uma profunda conversão interior”, conta.
Ele ainda explica que somos despertados para o cultivo e cuidado. “Ao meditarmos e rezarmos os biomas e as pessoas que neles vivem sejam conduzidas à vida nova. Todos nós cristãos recebemos o dom da fé e, na fé, somos despertados para o cultivo e cuidado”. Dom o religioso conclui com um pedido. “Jesus Cristo crucificado-ressuscitado, que transformou todas as coisas, nos desperte para participação do cuidado com a obra criada”.
Ocupando 61% do território nacional, a Amazônia, que guarda a maior diversidade biológica do planeta e escoa 20% de toda água doce da face da Terra. Ela abrange os estados da região norte: Acre, Amapá, Amazonas, Pará e Roraima, Rondônia e Tocantins.
Já a Caatinga, cujo nome significa “mata clara e aberta”, encontra-se envolvida pelo clima semiárido. É um bioma exclusivamente brasileiro, que abrange territórios de oito estados do Nordeste e o Norte de Minas Gerais, onde vivem 27 milhões de pessoas.
O Cerrado tem duas estações climáticas bem definidas: chuvosa e seca. O solo, de composição arenosa, é considerado o bioma brasileiro mais antigo. Sua vegetação é encontrada na região Centro-Oeste e também na região oeste de Minas Gerais e das regiões sul do Maranhão e do Piauí. Nesta área vivem 22 milhões de pessoas.
A Mata Atlântica abrangia uma área equivalente a 1.315.460 quilômetros quadrados e estendia-se originalmente por 17 estados. Hoje restam 8,5% de remanescentes florestais. Atualmente, somados todos os fragmentos de floresta acima de três hectares, temos 12,5% da sua área original.
O Pantanal é considerado uma das maiores extensões úmidas contínuas do planeta. O Pantanal é um bioma praticamente exclusivo do Brasil, pois apenas uma pequena faixa dele adentra outros países (Paraguai e Bolívia).
O pampa está presente, no Brasil, somente no Rio Grande do Sul, ocupando 63% do território do Estado. Ele constitui os pampas sul-americanos, que se estendem pelo Uruguai e pela Argentina e, internacionalmente, são classificados de Estepe. O pampa é marcado por clima chuvoso, sem período seco regular e com frentes polares e temperaturas negativas no inverno.
Deus, nosso Pai e Senhor, nós vos louvamos e bendizemos por vossa infinita bondade. Criastes o universo com sabedoria e o entregastes em nossas frágeis mãos para que dele cuidemos com carinho e amor. Ajudai-nos a ser responsáveis e zelosos pela Casa Comum. Cresça, em nosso imenso Brasil, o desejo e o empenho de cuidar mais e mais da vida das pessoas, e da beleza e riqueza da criação, alimentando o sonho do novo céu e da nova terra que prometestes. Amém!

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