Com a crise econômica vigente no Brasil atualmente, muitas empresas têm apresentado dificuldades em se manter. Com as entidades assistenciais não é diferente. Em Gaspar, há três centros de reabilitação e dois deles passam por alguns obstáculos para amparar os dependentes químicos. Entre os principais problemas enfrentados estão a falta de programas de reinserção dos acolhidos no meio social, permanência de funcionários qualificados, alimentação dos pacientes e a substituição de móveis.
A Comunidade Terapêutica Desafio Jovem Monte das Oliveiras, construída em 1997, conta com alguns problemas de infraestrutura. A presidente e responsável legal do centro, Márcia Regina Foppa, relata que existe um projeto de restruturação da sede da comunidade, feita por um engenheiro e pago com dinheiro do próprio bolso, mas não houve resposta da Prefeitura Municipal para aprovar a obra. “Nós até entramos em contato com o engenheiro Soly Waltrick, mas não obtivemos nenhuma reação. Desistimos de ir atrás”, afirma Márcia.
Atualmente, a casa de reabilitação tem um convênio com os governos Federal e Estadual e recebe diáriamente R$33 de cada. Além disso, a Prefeitura de Gaspar ajuda a instituição com R$1.750 mensais. Segundo o administrador do centro, Sérgio Luis Fagundes, o dinheiro que recebem sustenta 13 pacientes. “A casa está lotada, contamos com mais três quartos, mas estes não possuem camas. Estamos planejando um pedágio para a compra dos móveis”, conta.
Esta realidade se aplica também à Casa de Recuperação Novo Rumo, que pretende restaurar os beliches e adquirir novos colchões. O presidente e colaborador da casa, Gert Ingo Hausmann, comenta que o convênio com o Governo do Estado auxilia o centro com cerca de R$ 1 mil reais mensais. Outro convênio que ajuda no sustenção da casa é o da prefeitura, que repassa R$1.750 todo mês. “Faz três anos que tentamos um reajuste no valor do auxílio que vêm da prefeitura, mas não recebemos nenhum aumento até então”, enfatiza Hausmann. Na casa há 16 pacientes, das 20 vagas que o centro suporta.

Outro problema levantado por duas das casas é a falta de programas que ajudam os pacientes a retornarem ao convivio social. A principal dificuldade de quem sai de uma clínica de reabilitação é encontrar emprego, devido ao preconceito. Apesar de todos receberem funções dentro dos centros e estarem diariamente aprendendo coisas novas, como serviços de cozinha, plantil e limpeza, os acolhidos não terão nenhum suporte ao sairem de lá. Os representantes das casas falam que na maioria dos casos os acolhidos acabam voltando para o vício, pois a falta de estudo, experiência e o preconceito os impede. “A maioria deles não tem casa. Eles saem daqui sem rumo, sem família, sem nada. Raramente alguém dá serviço a eles, pois acreditam que sejam vagabundos. Mas infelizmente não conhecem suas histórias”, conta Márcia Foppa.
Já o Centro de Reabilitação Jovens Livres destaca ter uma boa relação com a prefeitura de Gaspar e são auxiliados mensalmente. “Sempre pudemos contar com a prefeitura, tanto na parte financeira quanto na parte da saúde. Há sempre profissionais disponíveis para nos atender”, comenta Osmar Golçalves, atual presidente do centro. O convênio com a prefeitura ajuda até 10 acolhidos, dos 30 que estão na casa. O restante é mantido com convênio particular.
Osmar ainda afirma que os acolhidos estão sempre comprometidos com os trabalhos de casa, como a horta, que gera grande parte dos alimentos que consomem. Além disso, ele e sua equipe organizam eventos para arrecadar dinheiro. “Todo ano nós realizamos campanhas, pedágios e almoços para a comunidade a fim de juntar dinheiro e fazer a manutenção da sede”.
Segundo o presidente, a reinserção dos acolhidos no mercado de trabalho acontece de forma gradual. “Trabalhamos o lado espiritual dos acolhidos e incentivamos eles nos trabalhos da horta, pintura e serviços manuais. Vamos elaborando currículos e mandando para algumas empresas. Muitas vezes não acompanhamos os acolhidos depois que saem, pois a maioria deles mora em outros municípios ou estados”, diz.
Em Gaspar, o Centro de Atenção Psicossocial, Caps, presta serviços diariamente para auxiliar dependentes químicos. O projeto “Crack, é Possível Vencer”, criado em 2013 para atender especificamente pessoas viciadas em crack, foi interrompido no meio do ano passado e voltou a ter um coordenador no mês de abril. Quem assumiu foi Tereza da Trindade, que atua no Caps. O programa de combate ao crack está em reestruturação, mas Tereza que afirma que dependentes são atendidos no Caps. Segundo ela, metade da demanda de atendimentos são de usuários de álcool ou drogas. Ainda de acordo com a coordenadora, atualmente, o Caps, que conta com três psicólogos para adultos e dois para crianças e adolescentes, atende cerca de 40 pessoas
A sede do Caps está localizada na Rua Doutor Nereu Ramos, nº 1000, no bairro Coloninha. O atendimento acontece das 7h às 17h.
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