
Por Thiago Moraes
O aumento de número de edifícios residenciais e casas populares têm trazido um contingente de famílias considerável nos bairros de Gaspar. O sonho de ter um lar próprio facilitado com intermediações bancárias a princípio traz um propósito de vida alcançado, porém, com o desenrolar do tempo, aquilo que era uma alegria às vezes torna-se uma dor de cabeça quase diária na vida das famílias.
É o caso de Adriana Nunes Bento, moradora de um dos 14 blocos do residencial Milano, no bairro Coloninha, entregue há dois anos, em maio de 2013. Adriana é uma das diversas pessoas que, com a crescente construção de obras habitacionais, realizou seu sonho de ter a casa própria e obter acesso a uma infraestrutura até então distante. Escolhida pelo governo municipal para morar no residencial, devido à perda de sua moradia anterior por causa das enchentes trágicas de 2008, Adriana tem convivido com o vazamento de água do encanamento em seu apartamento. ?Já houve até um laudo técnico provando que o cano está estourado, no entanto a fiscalização da Caixa Econômica Federal e da construtora responsável, FMM, insistem em dizer que o problema é devido ao mau uso do morador. Já passei vários feriadões e fins de semana presa dentro de casa, com medo de um vazamento ocorrer a qualquer momento. Quando acontece, o apartamento fica inundado?, lamenta Adriana. ?Meu apartamento fica localizado ao lado da Adriana, e também sofro com o mesmo problema?, reforça a vizinha Cleusa Terezinha Rodrigues Pereira.
Mais transtornos
Basta andar 10 minutos pelo residencial Milano na companhia da síndica Ilza Cinara dos Santos Mandicaju para elencar itens problemáticos relatados por ela, relacionados à estrutura do espaço. De acordo com Ilza, o residencial ainda sofre com problemas recorrentes de infiltração, rachaduras, calçamento rebaixado, alagamentos no campo de futebol de areia (foto abaixo) e problemas com fios de eletricidade.
Segundo Ilza, a Caixa Econômica Federal e a construtora responsável são constantemente notificadas sobre os problemas de ordem de fiscalização de engenharia, no entanto demoram a resolver as ordens de serviço, quando solucionam. ?Perdi a conta de quantas vezes abri protocolos para engenheiros fiscalizarem os problemas apontados pelos moradores. Até empresa terceirizada contratamos para provar que o problema é de qualidade do material usado na construção, mas mesmo assim os casos se arrastam por meses?, queixa-se Ilza.
Para Caixa, responsabilidade é das construtoras
A Caixa Econômica Federal externou via nota oficial sua posição quanto aos problemas citados pela reportagem.
Com relação ao Residencial Milano, a Caixa informou que acompanha e fiscaliza as obras, no entanto a responsabilidade técnica pela execução do empreendimento é da construtora contratada. Segundo a Caixa, das 224 unidades habitacionais do Residencial Milano, foram recebidas 12 reclamações pelo programa ?De Olho na Qualidade?, das quais duas foram improcedentes e 10 já foram concluídas.
Ainda de acordo com a Caixa, antes da entrega das chaves é realizada uma vistoria técnica nas unidades em conjunto com as famílias selecionadas. Em caso de reclamações referentes a eventuais vícios construtivos, o banco envia uma equipe técnica ao local para verificação das ocorrências e notifica a construtora para os reparos necessários. Se a construtora não efetuar os reparos, a Caixa inclui a empresa em cadastro restritivo, impedindo-a de efetuar novas contratações com o banco e contrata a solução, por meio de outra empresa, acionando, inclusive, a construtora na Justiça. para ressarcimento.
O banco avisa que o programa ?De Olho na Qualidade? possui um canal exclusivo de comunicação com os clientes do Minha Casa Minha Vida. Os beneficiários podem tirar dúvidas, fazer reclamações, elogios ou sugestões para melhoria dos imóveis pelo telefone 0800-721-6268. A ligação é gratuita. A construtora FMM, responsável pela obra, não retornou aos telefonemas realizados pela reportagem nem respondeu aos e-mails enviados.
Ligação individual é meta para evitar cortes
Outro problema sem relação com a estrutura dos blocos também atormenta a síndica. Os moradores têm corrido o risco de ficar sem água em razão do atraso no pagamento de contas junto ao Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto, o Samae de Gaspar.
Débitos passados com o Samae relativos a contas de água tiveram que ser parcelados. Como a inadimplência é alta, com mais de 50%, a saída será a direção do condomínio fazer uma leitura individual em cada hidrômetro próprio dos apartamentos, e não mais no hidrômetro geral, que ocasiona uma fatura única. ?Como boa parte dos moradores deixa de pagar a taxa condominial, a conta de água fica em atraso e todos, inclusive os que estão em dia, poderão ser punidos com o corte de água, o que seria injusto?, frisa Ilza.
O condomínio informa que a discussão sobre o assunto já está avançada, mas o diretor-presidente do Samae, Élcio Carlos de Oliveira, avisa que a realização da leitura individualizada será de responsabilidade do condomínio, e que ainda não há prazo para esse procedimento ocorrer. ?Estamos finalizando o processo de como funcionará toda operação disso. Haverá um contrato entre o condomínio e o Samae autorizando o corte de água naqueles apartamentos que não pagarem as suas contas?, sinaliza.
Edição 1687
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