
Por Jean Laurindo
Com o telefone celular apoiado no ouvido por uma das mãos, o condutor de um automóvel C4 acelera para ultrapassar um Gol. Com um braço para fora da janela, um caminhoneiro só espera sair do trecho de faixa contínua antes de abrir para a pista contrária e passar à frente de outro caminhão. Esses são flagrantes extremos de ultrapassagens, cenas comuns em trechos da BR-470 como o km 26, em Ilhota, onde um pai e duas crianças morreram em um acidente na terça-feira, dia 27.
A reportagem do Cruzeiro do Vale voltou ao local do acidente fatal na quarta-feira, 28, um dia depois, quando os destroços ainda estavam nas margens da rodovia. Em meia hora na reta do km 26, próximo ao trevo de acesso ao Baú, foram mais de 40 ultrapassagens observadas. Se em alguns casos os motoristas se certificam de ter pista livre no sentido contrário antes de efetuar a manobra, em outros, a proximidade dos carros no fluxo oposto exige rapidez e, consequentemente, eleva o risco de colisões.
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Boas condições
O trecho, de fato, possui faixa pontilhada e, por ser uma reta com asfalto em boas condições, parece convidar os motoristas a correr e ultrapassar. ?Caminho sempre pelo acostamento e, aqui, ultrapassagem e acidente acontece toda hora. Barulho de sirene nem me surpreende mais, faz parte da rotina?, conta José Arlindo Rangel, 74 anos, há oito morando em uma transversal da rodovia federal a poucos metros do local do acidente de terça.
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Recomendações
- Aumente a distância do veículo da frente;
- Mantenha a velocidade no limite máximo da via;
- Antes de entrar no carro, faça um planejamento de onde vai, a que horas e qual trajeto vai fazer. Sair com antecedência
evita a necessidade de ultrapassagens;
- Quando houver condições favoráveis para ultrapassar, verifique se há mesmo necessidade. ?Às vezes, a ultrapassagem é motivada por impulso, então vale fazer uma reflexão rápida. Eu estou dentro do limite de velocidade? Vou ganhar algum tempo com isso ou vou parar logo adiante? Existe mesmo a necessidade??, sugere Andrade.
?Às vezes, a ultrapassagem é motivada por impulso?
O policial rodoviário e especialista em Educação e Segurança no Trânsito, Emerson Andrade, reconhece que a União tem grande responsabilidade pela demora no processo de duplicação da rodovia, que evitaria colisões frontais. No entanto, segundo ele, as estatísticas mostram que em 90% dos acidentes a responsabilidade é do condutor. Com isso, a conscientização poderia reduzir o saldo de cerca de 50 mil mortes por ano no trânsito brasileiro.
No caso das ultrapassagens registradas pelo Cruzeiro, Andrade reconhece que o trecho, por ser uma reta em que é permitida a ultrapassagem, não é um dos mais críticos da rodovia. No entanto, ele reforça o risco que situações como falar ao celular podem causar ao dirigir, ainda mais durante ultrapassagens. ?Temos trechos passando por duplicação, então os motoristas devem redobrar a atenção. Às vezes, o excesso de confiança também se torna perigoso. Precisamos readequar nosso comportamento nas estradas. Cada um tem que assumir a responsabilidade e fazer seu papel para um trânsito mais seguro?, orienta Andrade.
Confira abaixo informações e fotos sobre o acidente que tirou a vida de pai e filhos na BR-470, no final da tarde de terça-feira, dia 27.
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Pai e filhos morrem em grave acidente na BR-470
A BR-470 fez mais três vítimas fatais no final da tarde desta terça-feira, 27 de janeiro. A colisão aconteceu por volta das 18h30 no km 26, próximo ao trevo de acesso ao bairro Lagoa. Os veículos envolvidos foram um Stilo, de Rio Negrinho, um Ford Ka, de Belo Horizonte, e um caminhão Baú, da cidade de Camboriú. O condutor do Fiat Stilo, o empresário Sabino Alfredo Weidauer, 51 anos, e seus dois filhos, um menino de 7 anos e uma menina de 9 anos, morreram no local.
Segundo testemunhas, o acidente aconteceu quando o motorista do Stilo, que seguia sentido Blumenau, tentou ultrapassar dois veículos e, ao perceber que não conseguiria realizar a manobra, tentou voltar para a pista em que seguia. Ao voltar, colidiu lateralmente contra o Ford Ka e, em seguida, de frente contra o caminhão. O motorista do caminhão, Claudinei Gonçalves Leite, de 35 anos, sofreu ferimentos leves e foi encaminhado ao Hospital Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí.
Após o acidente, o trânsito ficou lento no local, formando uma fila de mais de cinco quilômetros no sentido Ilhota/Blumenau. Com o impacto da colisão, o veículo Stilo ficou totalmente destruído.
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