
Os constantes temporais que atingem a região entre dezembro e janeiro têm causado estragos e angústia para famílias da rua Marcelino Francisco de Souza, no bairro Gasparinho. Na tempestade da última semana, ao menos seis casas da área mais baixa da via foram atingidas por alagamentos. Nessa quarta-feira, dia 14, o cenário ainda era de desolação, com entulhos e móveis estragados na frente das residências.
Na casa de Catarina da Silva Schmitt, de 79 anos, sofás e colchões ainda estavam suspensos ao redor de casa, expostos ao sol e ao vento. ?Vamos deixar secar bem para ver se ainda dá para salvar ou não. Mas foi muito triste, com certeza a pior cheia que deu aqui?, lamenta a idosa.
Ela conta que só percebeu o alagamento quando parte da casa já estava debaixo d?água e teve dificuldades até mesmo para sair no momento do temporal. ?Foi tudo muito rápido, não deu tempo de nada. Meu genro é que me tirou de casa, mas tudo isso aqui virou mar?, relembra Catarina, apontando para a garagem.
Na residência de Maria Rosa Zancanella, que mora há 26 anos no local, o primeiro piso, onde fica uma confecção e uma moradia alugada, foi totalmente coberto pelas águas. ?Tive duas máquinas de costura atingidas, além de algumas peças. Mas pior foi para meu inquilino, que perdeu todos os móveis, e até o carro?, conta.
Pouca assistência
A via possui apenas uma boca de lobo e, de quebra, acaba recebendo toda a água que desce da rua Hercílio de Souza Soares. Sem espaço para vazão, a consequência são alagamentos que acontecem com rapidez. Segundo o relato dos vizinhos, nem prefeitura nem Defesa Civil propuseram uma solução para o problema. ?Já mencionaram de passar asfalto aqui. Mas se não tiver algum tipo de escoamento, vai ficar pior?, aponta Maria Rosa.
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Na casa de Catarina da Silva Schmitt, 79 anos, sofás e colchões ainda estavam suspensos ao redor da casa, expostos ao sol e ao vento. |
Secretaria de Obras promete atenção
O secretário de Transportes e Obras, Lovídio Bertoldi, informa que a equipe está concentrando esforços nas áreas mais atingidas no temporal da última semana, como a Garuba e o Gaspar Alto, e que na próxima semana os trabalhos devem chegar à região da rua Marcelino Francisco de Souza, no Gasparinho. ?As bocas de lobo existem, mas muitas vezes o excesso de aterro e construções dificultam o escoamento, principalmente em chuvas como a do dia 8, quando caíram 70 milímetros em uma hora. De qualquer forma, devemos chegar nessa região e vamos verificar também se a entrada da tubulação dentro da vala não está obstruída, o que pode ter prejudicado o escoamento?, explica o secretário.
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