Por Geraldo Genovez
As noites em Gaspar têm se tornado mais perigosas e a população e comerciantes tem notado. A partir das 18h tudo muda. A circulação de pessoas, o movimento dos carros e as luzes diminuem, fazendo com que os riscos aumentem. Após estudos realizados através do Sistema de Gestão Estratégica da Polícia Militar, referente aos bairros com maior índice de furto e roubo no município, o Coloninha, Santa Terezinha, Margem Esquerda e o Centro se destacam.
O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Gaspar José Rovere Passos avalia a segurança noturna no Centro como precária e se mostra muito preocupado com o futuro dos comerciantes. “Não tem segurança nenhuma. Já entramos em contato com representantes da Polícia Militar de Gaspar, mas alegaram que o município não tem efetivo suficiente para aumentar o policiamento da cidade e já fazem o possível para garantir a segurança. Eu vou abrir uma nova loja e o atendimento seria até as 18h30, mas recuei, não é seguro”, ressalta Passos.
Já o comerciante Moisés Venera, dono da loja MJM, arrisca e estende o horário de atendimento. “Quando começa a escurecer, os funcionários dobram a atenção com a movimentação dentro e fora da loja. O policiamento é fraco, um tempo atrás até faziam rondas nas proximidades da praça de noite, mas hoje não mais”, obser. Venera ainda conta que a loja já foi vandalizada durante a noite e para evitar que isso volte a acontecer, o lojista investiu na colocação de câmeras de monitoramento, alarme e portas pantográficas. Ele ainda volta a loja todas as noites, horas depois do expediente acabar, para monitorar a loja e fechar as portas de ferro.
De acordo com o comandante da Polícia Militar de Gaspar, capitão Heintje Heerdt, o policiamento em horário noturno é feito constantemente. A polícia conta com patrulhamento preventivo e atendimento através das chamadas de emergência. Porém, de acordo com o capitão, apesar do policiamento, os profissionais que trabalham no período noturno devem prestar atenção nos clientes e também ao seu redor, principalmente quando estiverem manuseando dinheiro. “Além disso, é importante não reagir ao assalto e comunicar a polícia imediatamente, para que possamos realizar a prisão do assaltante ou colher dados para auxiliar na investigação”, diz o capitão.
A recomentação da polícia é que no período noturno as medidas de segurança sejam rebobradas.
Motoboys devem ter bastante atenção no momento da entrega, especialmente nas áreas críticas e quando o pagamento for em dinheiro e não em cartão. Não reagir ao assalto e comunicar a polícia.
Segundo o delegado da Polícia Civil da Cidade, Egídio Maciel Ferrari, o departamento possui um policial em trabalho ininterrupto. “Todos os casos são investigados a partir do registro do boletim de ocorrência e através do depoimento da vítima e de testemunhas. Por isso, é muito importante o registro do boletim o mais rápido possível”, afirma Egídio.
Quanto aos vendedores noturnos (postos, cachorros-quentes, etc.) o recomendado é fazer a sangria (retirar o dinheiro em excesso do caixa). Nos casos dos vendedores de cachorro-quente, a polícia ainda sugere que a barraca seja instalada num local bem iluminado e com um bom fluxo de pessoas, que são fatores que inibem o crime. Se for possível para o vendedor de cachorro-quente, o fechamento no horário de baixa no movimento (entre 1h às 3h30) é uma medida importante.
O senhor Samir Lahan, mais conhecido como Bigode, vendedor de cachorro-quente, diz que no ponto onde vende, em uma calçada da rua Nereu Ramos, vê pouco policiamento. Ele já sofreu com a ação de assaltantes quatro vezes, e a última, em fevereiro deste ano, foi a pior. “Não adianta muito retirar o dinheiro do caixa, eu não tinha e fui baleado”, conta. Samir foi quem trouxe a venda de cachorro quente prensado para a cidade e depois de tantos anos ainda se sente inseguro, mesmo assim segue com o negócio afirmando que quem o faz da maneira correta, é recompensado. “Há 20 anos não tinha nenhum vendedor de cachorro quente, hoje tem bastante. Mas não sei aonde e quantos têm a documentação certa”, explica o vendedor.
Copyright Jornal Cruzeiro do Vale. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Jornal Cruzeiro do Vale (contato@cruzeirodovale.com.br).