Violência doméstica: o perigo dentro de casa - Jornal Cruzeiro do Vale

Violência doméstica: o perigo dentro de casa

01/11/2014

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Por Thiago Moraes

Mãe de dois filhos, Maria* era constantemente agredida fisicamente pelo marido. Sem reação, peregrinava em sua vida familiar na luta contra os atos de violência do companheiro. 

Testemunhando a tensão da violência doméstica de perto, Maria chocou-se ainda mais com a monstruosidade do marido quando descobriu que ele abusava sexualmente de sua filha.

Longe de ter sido a única mulher vitimada pela violência doméstica em inúmeros lares do país, Maria buscou ajuda psicológica e, sessão após sessão, encontrou a coragem necessária para priorizar a sua vida e a deu seus filhos. ?Pedi ajuda para uma irmã e uma amiga, denunciei-o à polícia, preparei meus filhos, fiquei afastada de casa por alguns dias  e depois retornei à vida normal. Atualmente moro com meus dois filhos, estou separada, mas com vida?.

Mesmo com a criação da Lei Maria da Penha, em 2006, que criou mecanismos e punições para reprimir a violência doméstica, a psicóloga Viviane Giombelli, conta que existem muitas situações em que as mulheres não chegam nem a procurar seus direitos na Justiça devido ao medo da exposição e da revolta do marido, além do receio da solidão. ?Na maioria dos casos são dependentes afetivamente do marido e temem perdê-lo, além de terem receio do aumento da intensidade da violência, caso ele fique sabendo?, aborda Viviane.

Trabalhando com método psicodramático, que se utiliza de dramatizações criadas e improvisadas pelas pessoas participantes de um grupo ou em atendimentos individuais, para o tratamento psicoterapêutico e para possibilitar de vivenciar situações em espaço protegido, Viviane faz acompanhamento psicoterapêutico de mulheres e familiares vítimas de violência doméstica. ?Há inúmeros casos a serem relatados, contudo, o que impacta é a capacidade que as mulheres têm de reconhecerem a força que possuem quando se dão conta da situação em que estão e do prejuízo que estão causando aos filhos e a si próprias?, relata Viviane.

Desistência alta

Os papéis de vítima e algoz têm contornos menos definidos do que parece aparentar quando se trata de violência doméstica. Atuando em audiências mensais sobre o tema, a promotora Chimelly Louise de Resenes Marcon, do Ministério Público de Gaspar, sublinha que os motivos para as mulheres procurarem a Justiça variam, e que a maioria delas acaba desistindo na hora de dar sequência no inquérito.  

?Os motivos para as desistências são os mais diversos, como o susto que a mulher deseja dar no marido, afinal, quando o assunto para em uma delegacia e na Justiça, ganha outra implicação. Situações que envolvem partilhas de imóveis também podem estar em jogo. Sempre é preciso cautela ao analisar os casos nas audiências. Temos casos em que há reconciliações, pois os maridos ou o familiar em questão procuram tratamentos e se recuperam, já que há grande incidência de uso de álcool e drogas na violência doméstica?, analisa.

O delegado de Polícia Civil André Santana Amarante, que atua em Gaspar também em casos de violência doméstica, não quis se manifestar sem um estudo de caso específico sobre o tema em Gaspar.

Desenvolvimento Social oferece alternativas

brasilcontraapedofilia22GG.jpgA secretária de Desenvolvimento Social, Maristela Cizeski, destaca que a pasta tem agido nesta área por meio Centro de Referência da Assistência Social, o Cras. De acordo com Maristela, o Cras conta, dentre as suas atribuições, com o Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família, Paif, e o de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos, Paefi. 

Até outubro deste ano, foram introduzidas no acompanhamento do Paefi aproximadamente 50 mulheres com idade entre 18 e 59 anos, vítimas de violência doméstica, seja ela física, psicológica e sexual. ?É um trabalho de caráter continuado que visa a fortalecer a função de proteção das famílias, prevenindo a ruptura de laços, promovendo o acesso e usufruto de direitos e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida?, ressalta.

Segundo a secretária, outro serviço ofertado é o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, SVFV. A ajuda previne a institucionalização e a segregação de crianças, adolescentes, jovens, mulheres e idosos e oportunizam o acesso às informações sobre direitos e participação cidadã. ?Os trabalhos ocorrem por meio de grupos que se organizam de modo a ampliar trocas culturais e de vivências, desenvolver o sentimento de pertença e de identidade, fortalecer vínculos familiares e incentivar a socialização e a convivência comunitária?, informa Maristela.

De acordo com a secretária, as famílias são acompanhadas por equipes técnicas especializadas, composta por assistentes sociais, psicólogos, pedagogos ou educadores sociais, objetivando contribuir para o rompimento das situações de violações de direito, além de reparação de danos, auxiliando o fortalecimento da família e prevenindo novas violações.

Benefícios dos programas do Desenvolvimento Social

- Fortalecimento da função protetiva da família
- Prevenção da ruptura dos vínculos familiares e comunitários
- Apoio a famílias que possuem, dentre seus membros, indivíduos que necessitam de cuidados, por meio da promoção de espaços coletivos de escuta e troca de vivências familiares

Como acessar os serviços do Desenvolvimento Social

- Por demanda espontânea ou encaminhamentos de denúncias do Conselho Tutelar, Ministério Público, Delegacia de Polícia Civil, entre outros
- Disque 100, Disque 180
- Central de Atendimento à Mulher (24 horas)
- O serviço preconiza o sigilo das situações familiares acompanhadas 


Edição 1636

 

Comentários

cecilia werner
01/11/2014 10:55
A lei mais garrantida sería que o casal consiga viver em armonia em caso de separação jamais a Mulher devería colocar em seu lar alguem que não seja o Pai de seus filhos a privacidade da família é um tessouro unico amor paterno e amor materno é um sentimento de aféto que os filhos respeitosamente nessecitam maioria dos caso é falta de conciencia deste povo que não aprende a lição com os noticiarios que é divugado todos os dias no jornalismo deste pais . As mães perderam a noção do risco a partir da hora que revela a um compalheiro sua rotína de vida desmoraliza seus filhos e faz virar uma tortúra e um pesdelo depois de se envover tudo fica mais dificil portanto fica a dica se vc ama seus filhos lute peça ajuda aos perentes que tem moral para não sofrer as conseguencias pisguologicas no futúro de um lar completamente pertúbado pelas falhas cometídas ao trocar seus filhos por alguem desconhecido que muitas vezes tem mascara que vai de deletando e a realidade vira um tormento fique atento muitas vezes a liberdade mal planejada acaba virando uma terrivel prisão .

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