
No passado, quase 800 famílias de Gaspar tiravam sua renda da produção de arroz. Hoje, este número está em 280, o que equivale a 3.200 hectares de terra destinados ao plantio do cereal. A nível estadual, o município é o responsável por quase 5% da produção. Já no Vale do Itajaí, Gaspar continua na liderança com a maior produção.
Apesar da redução da rizicultura na cidade, o secretário de Agricultura André Pasqual Waltrick afirma que Gaspar ainda tem uma boa produção e que uma das responsáveis pela situação é a chamada segunda colheita, também conhecida como soca.
A soca é o arroz que brota novamente depois da primeira colheita e que será coletada em maio. Ela não possui a mesma qualidade que o primeiro arroz mas, mesmo assim, é bem aceita no mercado porque não há despesas para o agricultor nessa segunda remessa. Ela é por quase 40% da produção local. O agricultor Hélio Stanke, de 62 anos, diz que a soca é o lucro do produtor. “É o lucro que a gente tem, porque ela tem bem pouca despesa, mas não pode ficar frio em abril. Se ela der um bom retorno, é o nosso lucro”, afirma.
Com a industrialização e a queda no preço pago pela saca do produto, muitos agricultores procuram outras opções de renda, como a bovinocultura, por exemplo, que hoje é a principal atividade agrícola da cidade.
Este ano, a saca de arroz de 50 quilos está sendo comercializada por R$31,00, mas os produtores gastam R$35,00 no plantio. No ano passadoo preço chegou a R$45,00. Stanke diz que o agricultor não é valorizado e não incentivou os filhos a continuarem no ramo. “Não adianta filho de agricultor ficar na roça, o certo era ele ficar, mas ele não tem valor. O agricultor nunca vai ter valor, ele não faz o preço do que é dele, os outros é que fazem. Se eu tiver qualquer coisa pra vender eu tenho que perguntar quanto é que o mercado vai me pagar. O agricultor é penalizado”, lamenta.
Waltrick concorda, mas diz que o problema não acontece só em Santa Catarina. “Hoje o grande agravante é preço. No ano passado eles [os agricultores] venderam o arroz por R$ 45,00 a saca, hoje eles tão vendendo por R$ 31,00. São políticas do governo, que estão importando, trazendo arroz do Paraguai, Uruguai, Argentina e até do Japão e deixando o nosso de lado para poder manter preço. Mas não é só Gaspar que está sofrendo, são todas as regiões”, ressalta.]
Um agravante na colheita desse ano foram as chuvas de granizo que atingiram a cidade em janeiro deste ano. De acordo com o secretário de Agricultura, André Pasqual Waltrick, a estimativa era uma colheita de 510 mil sacas, mas os estragos reduziram o número para 480 mil sacas. O secretário expõe a preocupação da administração pública com o ocorrido e afirma que a secretaria vai apoiar os agricultores que tiverem prejuízo. “Vamos tentar dar algum benefício para eles, como baratear o frete do adubo. Estamos analisando o que podemos fazer”, diz. O agricultor Hélio Stanke (foto) foi um dos prejudicados com as chuvas. Ele conta que perdeu cerca de 2.500 sacas de arroz.
A Epagri lançou na quinta-feira, dia 22 de fevereiro, em Itajaí, um novo tipo de arroz. O arroz Pérola especial para preparo de risoto vem sendo desenvolvido pela empresa desde 2007. Além disso, o novo cereal é mais produtivo que os demais arrozes para risoto. De acordo com Ester Wickert, pesquisadora da Epagri, a produtividade do grão é de seis toneladas a mais. “Normalmente os grãos especiais têm menor produtividade, já o Pérola apresentou produtividade média de dez toneladas por hectare nos experimentos realizados em diversas regiões produtoras de Santa Catarina”, informa. O secretário de Agricultura de Gaspar foi junto com alguns agricultores do município conhecer o novo produto. “Pode ser uma opção para os nossos agricultores”, diz.
Outra atividade que vêm crescendo consideravelmente e toma o lugar das plantações de arroz é a criação de peixes. A cidade já tem uma demanda de 500 toneladas por ano na produção comercial e mais 500 toneladas na produção artesanal. O secretário de Agricultura cita como exemplo o Belchior, que já foi uma das regiões que mais produzia arroz. “O Belchior já foi um grande produtor, de quase 3.500 hectares, hoje temos só 150 hectares de arrozeira lá, em contrapartida das 500 toneladas de peixe que nós produzimos, 250 vem do Belchior”, destaca.

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