
O futuro da localidade do Sertão Verde está em pauta na cidade. Na segunda-feira, 24 de julho, vereadores e comunidade vão debater a possibilidade de reabertura da região, que foi interditada após a catástrofe em 2008. O encontro acontece a partir das 19h, na Sociedade União, no bairro Margem Esquerda. A solicitação foi feita pelos parlamentares Francisco Solano Anhaia (PMDB) e Silvio Cleffi (PSC), com o apoio do suplente de vereador em exercício, José Ademir Moura (PSC). Além disso, o pedido de audiência pública foi aprovado por unanimidade na última sessão de junho.
Para o vereador Anhaia, muitos dos imóveis embargados já podem sair desta situação. “Acho que houve exagero nos embargos de algumas áreas”, justifica. Já Cleffi destaca que é importante esclarecer os motivos pelos quais não foram feitos os desembargos ainda e qual o prazo para que isso possa realmente acontecer.
Superintendente de Defesa Civil, Rafael Araújo de Freitas afirma que a cidade de Gaspar foi contemplada pela carta geotécnica do Governo Federal no final de junho. Este documento, segundo Rafael, vai indicar terrenos mais favoráveis e aptos a construções urbanas. O objetivo é evitar a instalação de novas áreas de risco de ocorrência de desastres naturais no município.
De acordo com o presidente da Associação de Moradores do Sertão Verde, Oziel de Moraes, cerca de 1.300 pessoas ainda vivem na região. Moraes relata que, devido ao embargo, os moradores sofrem com a falta de acesso a serviços básicos como água e luz. Ele também afirma que “continuamos pagando o Imposto Predial Territorial e Urbano (IPTU) de terrenos interditados. Precisamos de uma solução para esse problema”.
Estudos realizados por professores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), relativos à catástrofe de 2008 no Vale do Itajaí, afirmam que foram registrados sete deslizamentos na encosta norte do Sertão Verde. O pior deles levou à destruição de 30 casas e provocou a morte de sete membros da mesma família. O desmoronamento também destruiu a Escola Municipal Angélica Costa.
Ao analisar essa área de risco, os docentes Juan Antonio Altamirano Flores, Joel Robert Georges Marcel Pellerin e Harideva Marturano Égas concluíram que ”as estruturas geológicas somadas à forma do relevo, à espessura dos solos e à ação antrópica, submetidas a longos e intensos períodos de chuva, além da saturação do binômio solo-rocha alterada, colocam o local em permanente situação de risco”. Após a interdição, efetuada pela Defesa Civil da União, parte das famílias foi deslocada para o Loteamento das Arábias.

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