
Uma dor incontestável. A família de Filomena Soares de Campos e Silva, moradora de Gaspar que morreu vítima da febre amarela, enfrenta as consequências da perda. Dividindo a aflição com todos que acompanham o caso desde a semana passada, os parentes pedem que a situação seja investigada. Isso porque existe a possibilidade de negligência de atendimento por parte do Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, onde Filomena esteve quando começou a sentir os sintomas da febre amarela.
A confirmação da causa da morte da moradora de Gaspar veio, oficialmente através da Secretaria de Saúde de Gaspar, nesta terça-feira, dia 23. A partir disso, a secretária de Saúde, Maria Bernadete Tomazini, convocou a imprensa local para falar do assunto. O encontro aconteceu durante a tarde, no auditório da prefeitura. Sem ter uma resposta concreta para a possível falta de atenção à vítima no momento em que esteve no Hospital de Gaspar, a secretária afirmou que o caso segue sendo investigado. “Farei o possível para que agora, diante do ocorrido, esses órgãos trabalhem com mais agilidade”.
Tomazini reitera a vontade de amenizar a dor da família, fazendo o possível para abraça-la. “Vamos prestar contas de absolutamente tudo o que aconteceu. Mas, antes de qualquer coisa, precisamos averiguar a situação com muita cautela. Para agirmos dentro da legalidade, os detalhes da investigação serão comunicados aos parentes, que vão decidir se a imprensa terá acesso ao resultado do estudo do caso”, diz.
A sensação de angústia toma conta do coração de Frederico Campos, filho de Filomena. Ele participou da reunião e aproveitou o momento para pedir uma melhora imediata no atendimento do Hospital de Gaspar. “Todos os dias, dezenas de pessoas ficam doentes no município. Assim como a minha querida mãe, outros precisam de atenção médica. Não podemos voltar e resolver a morte dela, mas é possível evitar que novas mortes aconteçam”.
Emocionada, a nora de Filomena, Priscila Baptista Simas da Silva, também se manifestou. “Vivenciamos um filme de terror. Minha sogra possuía todos os sintomas da doença e havia viajado para um lugar onde a febre amarela é, infelizmente, uma realidade. Isso tudo foi dito durante a triagem feita pelo hospital. Mas, nada foi feito”. Priscila ainda fez questão de ressaltar seu medo em relação ao futuro da Saúde gasparense. “Exigimos que a triagem seja feita com mais cautela. Nós, da família, sofremos na pele com o descaso. Não queremos que isso se repita com outro cidadão, independentemente da doença. Precisamos de um atendimento de qualidade”.
Para esclarecer dúvidas e repassar orientações sobre a febre amarela, Ricardo Freitas, médico infectologista e diretor clínico do Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, participou da reunião. Na oportunidade, ele esclareceu que a cidade passa por constantes testes. “Não temos a doença na cidade. Todas as regiões de Gaspar são monitoradas para evitar que a epidemia registrada nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia também atinja Gaspar”.
Em sua fala, o profissional, que chegou a atender Filomena, se colocou à disposição para qualquer eventual dúvida que a família possa ter. “É indesculpável. A Saúde não pode ter falhas. A morte da dona Filomena não será esquecida por mim, nem como médico, nem como ser humano”, enfatiza o especialista.
De acordo com Freitas, Gaspar possui, hoje, 50 das 300 doses da vacina que chegaram à cidade no início da semana. Agora, a aplicação do medicamento será centralizada na Policlínica, apenas para adultos que comprovem viagem marcada para os lugares onde a doença se faz presença. No caso das crianças de 9 a 10 meses, que seguem a caderneta de vacinação, a vacina deve ser agendada nas Unidades de Saúde da família.
Filomena Soares de Campos e Silva, moradora do bairro Poço Grande, viajou para a cidade Mairiporã em 29 de dezembro e retornou para Gaspar no dia 6 de janeiro. Três dias depois, começou a sentir os sintomas da febre amarela. Ela chegou a ir até o Hospital de Gaspar e alertou os médicos sobre a suspeita de que poderia ter contraído a doença em São Paulo. Porém, não foi orientada quanto ao devido tratamento e foi liberada após ser medicada.
Sem melhoras no quadro de saúde, Filomena voltou ao Hospital de Gaspar no sábado, dia 13 de janeiro. Após três dias de internação, seu estado se agravou e ela foi transferida para o Hospital Santa Isabel, em Blumenau, onde faleceu às 9h do dia seguinte.

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