
Por Geraldo Genovez
‘A mulher do papelão’, ‘Aquela moça que cata lixo nas ruas’, ‘A senhora que mora ali na ponte do Trilhos’. É assim que muitos gasparenses se referem à Denizete Benta Rodrigues, de 46 anos. As características citadas aos quatro cantos da cidade são verdadeiras, porém, incompletas. Denizete escreve a sua história em condições extremas, morando numa estrutura de madeira montada às margens de uma vertente do rio Itajaí-Açu, no barranco embaixo da ponte rosa, de acesso entre as ruas Mário Wanzuita e Dr. Nereu Ramos.
Junto do companheiro, alguns cachorros e três galinhas, ela vive na rua e enfrenta a realidade de não ter um lar digno. De acordo com Denizete, alguns problemas a fizeram perder a estabilidade financeira e, posteriormente, a casa. “A gente se apertou, tiraram nossas coisas. Faz uns quatro anos que vivo aqui nesse canto”, conta. Hoje, ela sobrevive de doações e da venda de lixo reciclável. “A igreja dá uns agasalhos, cobertas e comida, às vezes. Graças a Deus. Recebo Bolsa Família do governo e a Assistência Social acompanha minhas lutas”.
O Secretário de Assistência Social de Gaspar, Ernesto Hostin, conta que nesse primeiro semestre de gestão, o prefeito Kleber Wan-Dall determinou urgência e cuidado no tratamento do assunto. Recentemente, uma equipe de profissionais das secretarias de Assistência Social, Saúde e Defesa Civil ofereceu cobertores e alimentação para essas pessoas. Além disso, foi feita uma análise para cadastrar os usuários, que tiveram sobre si um cuidado individual.
Desta busca ativa, foram verificados a realidade, número de pessoas que vivem nessas circunstâncias, possíveis vínculos familiares e situação de saúde, para mapear ações futuras. Também foram prestadas orientações para acesso a documentação, CadÚnico, e alguns usuários de entorpecentes foram encaminhados para atendimento junto ao Hospital Nossa Senhora do Perpetuo Socorro. Também foram atendidos todos os que solicitaram espontaneamente um abrigo, comida ou retorno para sua cidade de origem.
O secretário afirma que a intenção é continuar acompanhando essas pessoas. “No entanto, é importante ressaltar que pessoas em situação de rua não possuem local fixo, e a Secretaria não faz intervenção por locais e sim pela demanda. Ou seja, nossas intervenções acontecem onde estão as pessoas em determinado momento”, explica. Segundo Ernesto, antes das intervenções havia 25 pessoas morando nas ruas de Gaspar. Depois, o número diminuiu para dez.
O frio chegou e, com ele, a situação dos moradores de rua se agrava ainda mais, já que as baixas temperaturas deixam as pessoas mais vulneráveis. A ajuda da comunidade pode aquecer os cidadãos que enfrentam essa triste realidade que é ter a rua como lar. Para viabilizar o apoio, a prefeitura promove a Campanha do Agasalho até o dia 4 de julho em diversos pontos da cidade. As doações de roupas, calçados, colchões e cobertores podem ser deixadas nas escolas, CDIs e nas sedes do bombeiro, Polícia Militar e Civil.
Após esse prazo, haverá uma triagem, onde as pessoas em vulnerabilidade social serão beneficiadas. Aqueles que desejam ajudar fora do período da campanha podem levar as doações até a Conferência Vicentina ou procurar pela Assistência Social de Gaspar.
Denizete, personagem desta reportagem, é uma das pessoas em situação de rua que receberam ajuda da Assistência Social. Nas intervenções, a prefeitura conseguiu compradores para parte do lixo reciclável coletado por ela, deixando o ambiente em torno da ponte mais limpo. Segundo ela, a ajuda foi positiva. “Me deu mais força pra continuar. Eles estão olhando por mim, querem achar um lugar para que eu saia daqui”.
Outros cidadãos também beneficiados com a ação da prefeitura são os que viviam embaixo da ponte localizada na Avenida das Comunidades, no Centro. Naquele caso, as pessoas foram encaminhadas para tratamento junto a Política de Saúde, sob regime de internação em comunidades terapêuticas da região. O apoio acontece por meio de convênios, na intenção de ofertar a Proteção Social Especial de Média Complexidade ao atendimento de pessoas em situação de rua. Há também um acompanhamento para tentar o retorno às famílias.
Além dessas ações isoladas, existe um serviço de acolhimento por parte da secretaria de Assistência Social, para que as pessoas sejam atendidas de forma espontânea. Porém, o responsável pela pasta diz que cada situação tem um encaminhamento diferente. “Temos preocupação com toda a questão apresentada, estamos realizando diagnóstico e há possibilidades de implantação de serviços que atendam essas pessoas. Mas é oportuno informar que muitas delas encontram-se nesta situação por opção, não demonstrando interesse de intervenção por parte do poder público”.

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