Por Geraldo Genovez
Por Geraldo Genovez
Bezerros e ovelhas achados mortos com marcas de grandes mordidas, vestígios no solo e sons estranhos na mata. Esses acontecimentos estão fazendo parte da rotina dos moradores do bairro Arraial do Ouro, em Gaspar, e dão a entender que existe a presença de um animal um tanto quanto incomum na região. Eles acreditam estar dividindo espaço com onças-pardas.
Tudo começou na tarde de sábado, 27 de maio, quando Francisco Xavier Pitz estranhou o comportamento dos cães no sítio em que vive. “Eles latiam sem parar e olhavam em direção à mata aberta, atrás da minha casa. Parecia que estavam me alertando sobre algo. Na madrugada de domingo, os latidos também foram frequentes. Até que, durante a manhã, tive uma surpresa”. O morador que afirma que, durante a amanhã, ao procurar um bezerro para alimentá-lo, não encontrou o animal. “Fomos achar ele no ribeirão que passa atrás da nossa casa, morto. Ele tinha mordidas enormes no pescoço”.
Essa situação intrigou Francisco, que decidiu investigar o caso. “Este não foi o primeiro caso que testemunhamos aqui. Recentemente aconteceu com uma ovelha, mas encontrei a ossada no meio do matagal, no outro lado do ribeirão. Tentei procurar as pegadas do animal que está matando nossos bichos, mas não achei. Chovia muito naquela noite e provavelmente apagou as marcas”, conta Francisco.
O caso repercutiu na região do Arraial do Ouro e outros casos semelhantes vieram à tona. Quem também afirma acreditar que o caso se trata do ataque de uma onça-parda é José Sérgio Werner. Ele foi até o local, para estruturar uma antena de internet e diz ter visto pegadas pelo chão. “Há algum tempo, percebi que pegadas iguais, mas menores, também apareceram. Acredito que seja uma família de onças e que tenham procriado aqui”. Sérgio conta ainda que sempre que precisa ir até a antena pode sentir a presença da onça-parda. “Os barulhos são perceptíveis, mas elas fogem. Acho que querem se afastar dos humanos. Estão por aqui só para se alimentar do gado”.
Para o empresário Blasius Knoth, mais conhecido como Tate, proprietário do Pesqueiro São José, a presença de onças-pardas em Gaspar não é novidade. “Eu vi duas vezes, em quase 25 anos que estou aqui. É um bicho grande que dá passos atentos. Certa vez, senti que estava sendo seguido por uma onça. Quando eu andava, ela andava. Quando eu parava, ela parava”, conta Tate, que explica que, apesar de não aparecerem muito, as onças-pardas estão sempre atacando o gado do seu terreno. “De vez em quando some um bezerro ou uma ovelha. Aí já sei quem foi”.

Segundo o ambientalista blumenauense Lauro Bacca, existe grande chance de os animais estarem sendo mortos por uma onça-parda. “O ambiente é propício para este tipo de acontecimento. Tudo indica que os animais realmente tenham sido mortos por uma onça parda”.

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