Professora é agredida por aluno de 15 anos em Indaial - Jornal Cruzeiro do Vale

Professora é agredida por aluno de 15 anos em Indaial

22/08/2017
Professora é agredida por aluno de 15 anos em Indaial

A professora Marcia Friggi, que dá aulas de português em uma escola municipal de Indaial, registrou na segunda-feira, 21 de agosto, um Boletim de Ocorrência contra um aluno de 15 anos. Ela alega à polçícia que foi agredida pelo menor com socos dentro da escola. Em entrevista, a professora agredida relatou a gravidade dos socos. “Um menino de 15 anos, alto, forte, um homem. Sou uma mulher pequena, uma mulher de1,65 metro”, disse.

De acordo com as informações registradas no B.O, a agressão aconteceu por volta das 10h20 de segunda, após a professora chamar a atenção do aluno por ele estar lendo um livro debaixo da mesa. Segundo a professora, o objetivo era fazer com que ele colocasse o exemplar em cima da mesa e prestasse atenção na aula. Neste momento, o aluno ficou alterado e proferiu palavrões à professora.
Após a agressão verbal, Marcia pediu para que o aluno fosse para a sala da direção. Antes de sair da sala, o menor jogou o livro em direção a professora e, ao chegar na sala da direção, negou o ocorrido e chamou a professora de mentirosa. Logo após, aconteceram as agressões físicas. Ele deu socos na professora, o que causou uma lesão no olho.

B. O

O Boletim de Ocorrência foi registrado pela professora por volta das 11h, quando ela foi até a delegacia conversar com o delegado José Klock. “Fizemos o B. O e demos a guia para ela ir à perícia fazer o exame de corpo de delito. Em seguida, estamos instaurando um auto de apuração de ato infracional contra o adolescente”, explicou o delegado. Ainda segundo informações da delegacia, o adolescente não possuía registro de ato infracional anterior. “Nos próximos dias, quando vier o exame de corpo de delito, vamos ouvir as testemunhas oculares de dentro da sala de aula e na sala da direção. Bem como o adolescente. Ele vai ser intimado para prestar sua versão dos fatos”, afirmou klock. 

Desabafo

Após o acontecido, a professora Marcia Friggi postou em seu Facebook um relato sobre a agressão:

“DILACERADA
Estou dilacerada. Aconteceu assim:
Ele estava com o livro sobre as pernas e eu pedi:
- Coloque seu livro sobre a mesa, por favor.
- Eu coloco o livro onde eu bem quiser.
- As coisas não são assim.
- Ahhh, vai se foder.
- Retire-se por favor.
Ele levantou para sair, mas no caminho jogou o livro na minha cabeça. Não me feriu, mas poderia. Na direção eu contei o que tinha acontecido. Ele retrucou que menti e eu tentei dizer:
- Como, menti? A sala toda viu... Não deu tempo para mais nada. Ele, um menino forte de 15 anos, começou a me agredir. Foi muito rápido, não tive tempo ou possibilidade de defesa. O último soco me jogou na parede.
Estou dilacerada por ter sido agredida fisicamente. Estou dilacera por saber que não sou a única, talvez não seja a última. Estou dilacera por já ter sofrido agressão verbal, por ver meus colegas sofrerem. Estou dilacera porque dilacera porque me sinto em desamparo, como estão desamparados todos os professores brasileiros. Estamos, há anos l, sendo colocados em condição de desamparo pelos governos. A sociedade nos desamparou. A vida...
Lembrei dos professores do Paraná que foram massacrados pela polícia, não teve como não lembrar.
Estou dilacerada pelos meus bons alunos, que são muitos e não merecem nossa ausência.
Estou dilacerada, mas eu me recupero e vou dedicar a minha vida para que NENHUM PROFESSOR BRASILEIRA passe por isso
NUNCA MAIS. (Não sei se cometi erro ao escrever, perdoem. )”

Nota oficial

Confira a nota oficial emitida pelo Governo de Santa Catarina:

“A Gerência de Educação (Gered) da Agência de Desenvolvimento Regional (ADR) de Timbó esclarece que o caso de agressão ocorrido nesta segunda-feira, 21, em Indaial, no qual um aluno agrediu física e verbalmente a professora Marcia Friggi, aconteceu na Educação de Jovens e Adultos (EJA), pertencente à Secretaria Municipal de Educação. A professora agredida é funcionária efetiva do Governo do Estado de Santa Catarina, com 20 horas no período vespertino e leciona na EEB Germano Brandes Júnior. Ela também trabalha como professora na EJA, onde aconteceu a agressão.
Em nota, a Prefeitura de Indaial informou que “a Secretaria Municipal de Educação repudia qualquer tipo de agressão física ou moral, independentemente da motivação” e que "continuará prestando o apoio necessário para a professora”.

A Gered da 34ª ADR de Timbó lamenta o ocorrido e vai continuar acompanhando o caso”.

 

 

 

 

Edição 1815
 

Comentários

Pixe
22/08/2017 13:07
Senhoras, senhores.
O que dizer, escrever, falar, argumentar, opinar,...
Como docente e ao mesmo discente, estou também à mercê destes, que se dizem alunos.
Perderam a noção do perigo, da impunidade, do respeito, do medo, do aprendizado, do bem querer, de influenciar para o bem dos demais colegas.
Temos sim, saudade de tempos idos, mas o advento do conhecimento informático faz com que estes se afastem das práticas diárias de respeito pelos professores e seus assistentes.
Quem detém autoridade, deve usar a punição EXEMPLAR, PARA QUE NÃO SE REPITA. E use-a dando ampla divulgação. Pois muitos, não sabem o que fazer com ela, usam somente para o seu bem inicial-presente, sem atentar para o que acontecerá no futuro.
ACarlos
22/08/2017 11:59
Saudade da época em que, professor era bem pago, era autoridade em sala de aula e respeitado como tal na sociedade...
No Japão, o único profissional que não necessita se curvar diante do Imperador, "É O PROFESSOR". Mas isto é no Japão.
Aqui no nosso atual país, o BRASIL, o professor é isto aí, desrespeitado, ganha mal e muitas vezes deve se humilhar diante de alunos, digo, babacas como esse e que pode ser considerado um aspirante a bandido.
Desculpem, mas penso que tudo isto, originou-se num tal de "Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n.º 8.069/90) (ECA)". Os mais antigos sabem como era e como está hoje e estamos agora sentindo os reflexos duma lei, que me desculpam, mas mal feita...

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