
O plenário da Câmara de Vereadores ficou pequeno para os mais de 400 servidores públicos de Gaspar que se reuniram na noite de segunda-feira, dia 23 de outubro. Na oportunidade, o Sindicato dos Trabalhadores Públicos de Gaspar organizou uma assembleia para tratar de dois assuntos importantes: o reajuste do auxílio alimentação e a garantia da continuidade do pagamento do auxílio alimentação em folha de pagamento.
Segundo a presidente do Sintraspug, Lucimara Rozanski Silva, a reunião foi aberta com o esclarecimento sobre o posicionamento da Prefeitura de Gaspar. O sindicato e o poder público tiveram duas rodadas de negociações. Porém, o reajuste não foi acertado. “A assembleia deliberou por rejeitar o reajuste zero proposto pela prefeitura. Todos votaram e, por unanimidade, estamos em estado de greve. No dia 31 de outubro teremos uma paralisação com manifestação da praça da prefeitura”, afirmou a presidente.
Sobre a paralisação, Lucimara afirma que ainda não estão acertados todos os setores que vão parar o trabalho na próxima terça. “Na assembleia tivemos a participação de representantes de todos os setores e todos votaram pela paralisação. Mas sabemos que alguns setores não podem parar. Por isso, a partir dessa quarta, vamos entrar em contato com todos para confirmar o que será paralisado para avisar a comunidade com antecedência”.
O Sindicato dos Trabalhadores Públicos de Gaspar luta também pela continuidade do pagamento do auxílio alimentação em folha de pagamento. Segundo Lucimara, os servidores de Gaspar têm, desde 1994, uma especificação diferente dos outros municípios e das empresas privadas no que diz respeito a este pagamento. “Desde 1994 contribuímos para a previdência em cima do valor do auxílio alimentação. Ou seja, esse valor faz parte da remuneração. E tirar ele da folha quer dizer diminuir o salário dos servidores”.
Ao fim da assembleia, os servidores optaram pelo estado de greve até que uma negociação seja realizada. A decisão será protolada na Prefeitura de Gaspar ainda na terça-feira, dia 23. O sindicato afirma estar aberto a negociações com a prefeitura.
Conforme explica o Secretário da Fazenda de Gaspar, Roberto Pereira, a prefeitura não é obrigada a realizar o aumento do auxílio alimentação. “Um dos fatores decisivos é, inclusive, o fato de Gaspar ser a terceira cidade com maior valor de auxílio alimentação da região. Blumenau, que tem uma arrecadação maior que a nossa, paga menos”, comparou Roberto.
Sobre o pagamento do auxílio alimentação, o secretário afirma que não existe especificação alguma que garante ao servidor público o direito de receber o valor em folha. “Não estamos reduzindo o salário dos servidores. Em folha, eles recebem R$400,00 de auxílio alimentação. E, no cartão, eles vão receber o mesmo valor. Vários municípios vão fizeram essa mudança. O que queremos é que este auxílio seja utilizado em alimentação”.
A reportagem do Cruzeiro do Vale conversou com o Secretário da Fazenda às 14h30 de terça-feira, dia 24. Até este horário, ele ainda não havia sido informado oficialmente sobre a decisão da assembleia promovida pelo Sintraspug.
A folha de pagamento da Prefeitura Municipal de Gaspar, em 2016, alcançou a marca de R$81.226.097,63. Este número representa um aumento de 66,3% quando comparado ao ano de 2011, quando a cidade tinha uma folha de pagamento que somava R$48.863.884,25.
O último aumento do auxílio alimentação dos servidores de Gaspar foi registrado em 2015, quando o valor passou para R$400,00. Em 2014 ele era de R$365,00; em 2013 de R$330,00; em 2012 de R$301,00; em 2011 de R$240,00; e em 2010 de R$220,00. Gaspar é hoje terceira cidade que melhor paga auxílio alimentação aos seus servidores e perde apenas para Indaial, que paga R$418,00; e para Doutor Pedrinho, que paga R$403,54. Em Blumenau, o auxílio é de R$396,00.

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